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UM DIA DE NOIVA



Acelerou o passo pensando em como o dia estava frio e que logo a chuva começaria a cair. Teria que andar bem mais rápido.
Estava tão concentrada nos pensamentos que mal conseguia desviar dos transeuntes.
Quando chegou na esquina sentiu no rosto os primeiros pingos da chuva. Arrumou a gola do grosso casco que usava e atravessou a grande avenida correndo. Parou do outro lado com a respiração ofegante, e rindo percebeu que estava precisando fazer mais exercícios.
Procurou andar mais próxima a parede, pois assim evitava a chuva que aumentava; mas parece que todos tiveram o mesmo pensamento.
Uma loja chamou-lhe atenção. Não resistiu e parou diante da vitrine.
Uauu... aquilo era um verdadeiro show, pensou esquecendo a pressa.
Na vitrine estava uma jovem muito bonita, bem maquiada e vestida em um espetacular vestido de noiva. A jovem deu uma volta e de repente retirou o véu, as luvas e, virando de costa desabotoou o vestido deixando-o cair suavemente. Virou-se e novamente começou a desfilar com as peças íntimas próprias para uma noite de núpcias.
Foi saindo devagar enquanto outra noiva entrava igualmente linda e com um vestido deslumbrante.
Enquanto observava o novo desfile, viu aproximar-se um homem muito charmoso que a olhava fixamente. Quando chegou perto, o rapaz gentilmente perguntou se ela poderia segui-lo até a loja. Ela foi morta de curiosidade. O que aquele “gato” queria com ela?
Já no interior da loja, convidou-a a ir até o escritório e lá lhe ofereceu uma cadeira. Sem dar-lhe tempo de respirar ou de pensar perguntou se gostaria de participar daquele desfile, pois uma das contratadas havia faltado. Quase desmaiou! A respiração parecia ter paralisado.
O rapaz precisava de uma resposta urgente e em um ato tresloucado e impensado, aceitou.
Agora tudo parecia um sonho. Maquiadores, costureiras se revezavam o seu redor. Sentiu-se uma princesa. Mostraram o vestido e as peças íntimas que deveria usar e ela quase não conseguia fechar a boca tamanho o espanto.
Aquilo era minúsculo, será que caberia nela? A vestiram tão rápido que ela mal percebeu; nem quis olhar no espelho, senão desistiria. O vestido era simplesmente inimaginável.
Foi levada por um corredor, e eis em sua frente a vitrine.  Um rapaz de roupas espalhafatosas disse-lhe que ela deveria seguir os sinais que ele lhe faria.
E lá estava ela desfilando, parecia-lhe de repente, que estava acostumada a fazer aquilo.
Andava de um lado para outro quando o rapaz fez-lhe sinal para começar a retirar as peças. Colocou as flores em cima de uma mesa, retirou o véu, as luvas e virando-se de costa começou a tirar o vestido deixando-o cair levemente ao chão.
Virou-se bem devagar imaginando o que as pessoas pensariam daquelas roupas íntimas tão pequenas.
De repente um barulho insistente a fez sair de seus pensamentos. Que será que estava acontecendo?
Foi quando se deu conta que era o despertador que a avisava da hora de levantar.
Aí que tristeza!  Era tudo apenas um sonho

Rosita Barroso
30/10/2007
Rosinha Barroso
Enviado por Rosinha Barroso em 31/10/2007
Código do texto: T717026

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Sobre a autora
Rosinha Barroso
Salvador - Bahia - Brasil, 63 anos
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Rosinha Barroso