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HAOOLWEEN, EIS A QUESTÃO


HALLOWEEN, EIS A QUESTÃO


Há mais ou menos dois mil anos atrás, os povos irlandeses, iniciaram um costume que virou tradição e existe até hoje, o halloween. Uma festa para recepcionar o ano novo que chegava e acontecia entre 30 de outubro e 02 de novembro. Havia muitas fantasias e magias que marcavam a vida daquele povo. Eles acreditavam que na chegada do verão, as almas vinham fazer uma visita a terra e apossavam de algumas pessoas para deixarem suas mensagens, isso era uma maneira de acreditar que depois da morte uma outra vida nos espera.
E essa retenção das almas ganhou o nome de Halloween, ou seja, dia das bruxas, dia do encontro das almas com os viventes terrestres.
Acreditando que essas almas detinham as pessoas, os irlandeses passaram a celebrar esses momentos do dia 30 de outubro, com apagões das tochas de fogo, que eram muito usadas na época, para esfriar as residências, com isso as bruxas iam embora, pois elas adoravam lugares quentes.
Essa festa, no decorrer dos séculos, as pessoas começaram a desfilar pelos vilarejos vestidas de bruxas e se diziam estarem possuídas por almas do além que estavam se hospedando em seus corpos.
Com a chegada dos Irlandeses aos Estados Unidos da América, fugitivos da fome e da miséria em que a Irlanda passava, chegou também o halloween. E com o tempo, essa tradição espalhou-se por todo território, tornando-se feriado nacional do dia das bruxas em toda jurisdição americana.
Até aqui tudo bem. O que mais me chama a atenção é que em nossas escolas, que são os centros da educação e da cultura de nossa gente, não só celebram o dia das bruxas, mas a semana das bruxas. Murais são enfeitados com personagens, alimentos e animais de forma ridícula e aterrorizadora.
Temos a semana do folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, senão o mais rico, e em todos os sentidos. São várias épocas do ano  em que nossas crianças, jovens e adultos celebram em cada canto do país, seus costumes, contos, lendas, fantasias, músicas, danças... Celebram a cultura indígena e suas tradições, a cultura africana e suas tradições, celebram as festas juninas...quanta coisa!
Será que precisamos ressaltar tanto esse folclore de origem irlandesa e que conhecemos de forma americanizada?
Será que as escolas americanas celebram com suas crianças, o folclore brasileiro, pelo menos um dia da sua grade escolar anual?  Será que as crianças americanas conhecem a lenda do saci pererê?  A origem da Vitória Régia? Avaliam a festa do Garantido e Caprichoso? Apreciam a lenda do negrinho pastoreio e os ventos dos pampas? Apreciam as vaquejadas do interior do Nordeste? Conhecem as festas de junho, as nossas folias de reis e as danças de São Gonçalo? Diante da nossa riqueza cultural, será que precisamos importar a semana das bruxas? Não seria melhor se tivéssemos nesse lugar a semana do boi bumbá, a semana do saci pererê, a semana da Vitória Régia, a semana do Lobisomem, a semana da mula sem cabeça...assim por diante?
Será que a manipulação americana que pesa sobre os ombros de nossa gente não basta?
Realizar festas ou bailes de Halloween em clubes ou praças até aceito, importar isso para dentro da nossa educação é deplorável. É um educar deseducando.
Que deixemos a semana das bruxas para os americanos e coloquemos mais semanas para celebrar o que é nosso. Valorizar as coisas dos outros é importante, mas valorizar as coisas nossas é sumamente mais esplêndido e estupendo.
É isso!



Uma reflexão a partir da pesquisa sobre  Halloween  de Eliene Percília e Eduardo Freitas, equipe Brasil Escola.
Acácio
Acácio Nunes
Enviado por Acácio Nunes em 05/11/2007
Código do texto: T724487
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Sobre o autor
Acácio Nunes
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
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Acácio Nunes