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Dia dos namorados

É engraçado como as datas comemorativas criadas pelo comércio têm dependendo do nosso momento de vida um peso enorme.

A verdade é que essa nossa geração de descasados e solitários vive ao sabor dos momentos. Um dia você pode estar explodindo de felicidade por uma nova paixão que está nascendo e no outro arrasado pela tristeza de alguma decepção sofrida.

Então estava lembrando meus tempos de adolescente, paixões platônicas quantas tive, hoje nem entendo o porque pois todas as vezes que arrisquei consegui namorar até a mais lindas e cobiçada meninas da região. Mas era inseguro tinha medo de levar um não, será que era medo ou orgulho? Sei lá o fato é que acontecia e acabava preferindo o namoro sem que ela soubesse esse namoro platônico.

Lembro-me de uma que fazia parte da seleção de vôlei de um clube da cidade, eu a adorava, sonhava com ela todas as noites e mesmo acordado, ia a todos os treinos e me sentava e ficava olhando suas coxas lisas e firmes. Quanto desejo, quanta vontade de um abraço ou um beijo e depois apenas servir de ouvinte para seus lamentos sobre a paixão que tinha por uma rapaz com mais idade que eu e que era na verdade apenas um fanfarrão briguento sem qualquer atributo maior.

 

Acho que esse aprendizado contribuiu muito para essa minha vida de internauta onde se pode paquerar várias e não se ter na realidade nada com ninguém, o que não deixa de ser muito triste pois paquerar não é namorar, paquerar ser cortejado e cortejar várias não é como ter alguém a quem se deseje sempre e que sabemos também estar continuamente no pensamento e desejo.

Basta ver o que ocorre hoje na Internet com as pessoas cadastradas em diversos site de relacionamento, trocando mensagens muitas vezes enviando a dezenas ou centenas de nomes e amontoando em suas janelas de ICQ, MSN e outros diversos nicks que muitas vezes nem se lembram de quem são, de onde são e chamados para uma conversa se dividam em uma duas três ou mais janelas abertas na esperança de encontrar o que talvez já encontraram e até mesmo desprezaram. E ficam em papos inócuos e muitas vezes lacônicos e sem sentido porque ninguém consegue conversar seriamente com várias pessoa ao mesmo tempo.

É claro que sempre existem aquelas que nos tocam mais, com quem sabemos que se não existissem empecilhos de parte a parte com certeza poderia haver algo maior e duradouro.

Sei que muitas pessoas principalmente no lado feminino resolveram namorar sua profissão, sua estabilidade elegendo essa como a coisa mais importante na vida, mas isso deverá perdurar durante um tempo e depois haverá o questionamento íntimo do porque lutar por isso ou se não se tiver amor de que adianta tudo isso.

Amor não se compra, amor se conquista e não com poder ou dinheiro, essa é uma ilusão do ser humano seja homem ou mulher, de que o dinheiro, os bens e poder podem ajudar na conquista do amor quando apenas ajudam na conquista de corpos, de sexo, mas não do amor.

Acho que eu e todos na verdade desejam é aqueles namoros gostosos, de pegar na mão, de sair passeando por um parque, um campo, uma praia olhando e sorrindo para a cia, parando para ver coisas aparentemente bobas como flores, gaivotas no céu, as ondas do mar, o por de sol nas montanhas e em meio a isso parar, apenas para se fitar nos olhos olhar os lábios, dar um abraço e um beijo gostoso. Onde está tudo isso? Onde está meu amor? Onde está essa namorada? Hoje é 12 de junho, hoje é seu dia.

São José dos Campos - SP 10/06/2002
Renato Zecca
Enviado por Renato Zecca em 06/11/2007
Reeditado em 11/06/2008
Código do texto: T725158

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Sobre o autor
Renato Zecca
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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