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Pausa para um café

          Em meio a tantos papéis e tantas coisas para agilizar, resolvi tirar uma pausa para um café. Na verdade, o café foi só uma desculpa, porque nem café bebo; a pausa foi para refletir e escrever. Em meio a tantas atribulações e angústias, nada como uma pequena pausa para desacelerar o ritmo, para encher o ar de pulmões e então começar tudo de novo.
          A vida passa em um ritmo tão frenético, que nem sequer nos damos conta. Hoje, décadas depois, me vejo mais madura, tão mudada, bem diferente dos anseios de adolescente que um dia alimentei. Como tudo toma rumos tão inesperados, tão surpreendentes. Nada é como se planeja, tudo é a contento do destino; para quem acredita nele, claro! E quando ergo os olhos para o futuro que ainda me resta, sinto um frio no estômago, pois em mais uma década, talvez esteja escrevendo novamente sobre tantas coisas que nem sonhara acontecer...
          Mas se me olho no espelho e encaro a visível passagem do tempo em meu rosto, também vejo um ser humano um pouco mais consciente; com mais discernimento, confiança  e equilíbrio. Esse é o maior presente que o tempo pode nos dar. Se o tempo nos rouba tanto, ele generosamente nos presenteia com o que há de melhor; compensa qualquer marca no rosto, a falta de frescor na pele, as mudanças no corpo, as frustrações dos sonhos não realizados...
          Hoje, vejo que conquistei bem menos do que um dia almejei, porém, alcancei bem mais do que imaginava existir. Um novo horizonte de compreensão descerrou-me a vista e tornou a vida e as relações humanas bem mais claras do que sonhei um dia enxergar. Esse foi o meu maior presente. Muito mais do que ter, conseguir, realizar, alcancei! Alcancei a compreensão de que amigos, família, convívio, são bem mais importantes do que posição social, carreira, objetos que se possa comprar. Essa é a vida real, bordada de tantas ilusões desfeitas,  mas que vista sob o prisma certo, é com certeza, a maior dádiva que se possa ter.  Viver, amar, pertencer (a uma família), estender (a mão a quem precisa  e existem tantos necessitados, material e espiritualmente), confortar, acolher, escutar... Estes são os verbos que precisamos conjugar ao longo da nossa existência para  tirarmos a nota máxima na gramática da vida. Somos, na verdades, estudantes, cada qual  em um grau diferente, cumprindo as diversas etapas da vida, aprendendo a aprender a viver.
 
 
Elizabeth F de Oliveira
Enviado por Elizabeth F de Oliveira em 07/11/2007
Código do texto: T726931

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Sobre a autora
Elizabeth F de Oliveira
São Luís - Maranhão - Brasil
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Elizabeth F de Oliveira