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A Força Que Nos Alerta

Crônica:

A Força Que Nos Alerta


Para o Professor Alexandre Silva, meu amigo-irmão

“A verdade é aquilo
que diz a nossa voz
interior...”

(Mahatma Gandhi)



De onde vem...o que é exatamente... aquela bendita “força” que nos alerta? De que “desmundo” é esse tal lado sentidor tão tácito nosso, de captar, decodificar e, no sensorial nosso, traduzir para nós mesmos, dentro do nosso compreensível imediato um legado importante, quando estamos em risco emergencial, e precisamos mesmo compreender tudo e bem depressa, sim, para nos salvarmos de nós?

A força que nos alerta.

Você está para viajar, tudo prontinho, numa boa, um lugar novo, praia, longe a viagem, conhecida estrada, férias de verão com sol, eis que de repente, um telefonema; uma coisa que cai de algum lugar para lugar nenhum (e sem aparente motivo algum) e, sem querer, sabe-se lá por qual ou algum motivo ulterior, superior que seja, você não sai, não vai; o carro refuga o improvável, o elevador empaca sem motivo, a ração do gato que falta, um telefonema por engano, quando resolve bobamente então pensar melhor, vai ver um filme que já viu, fica sozinha reclamando sem entender, sem saber porque, e então lá bem a bomba depois : todos que foram perderam a vida, houve um desastre, a pista, o sinal, a chuva, e você foi salva nem sabe direito porque.

Quem livrou você? A força além do incompreensível salvou você.

Você está muito a fim de alguém. Aquelas coisas. Um baile de fantasias, um espaço de entretenimento, você saca a pessoa chique, pomposa – pode ser ela a ideal, a para sempre, o amor de sua vida de lutas e sonhos, de erranças e eternos recomeços – então você vê que há outros interessados de passagem, você ali, imaginando coisas, carente, querendo se soltar, chegar, dar telefone, nome, endereço, muito prazer, essas coisas próprias do primeiro encontro. Súbito, uma brecada brusca num não-lugar (que só você ouve e sente), uma estrela cadente as onze da manhã, um psicológico disparo no coração, e você vira para outro lado se distrai, um quadro abstrato, uma música de um tempo, um lugar, e você sai fora do foco, sabe que alguém pipocou por ali, o lance foi com outra pessoa, meses depois você fica sabendo a dor, o trauma, a traição, a contaminação, a morte, e você escapou por pouco – nem sabe bem direito  como e porque – você se safou, você não foi a vitima da vez, não foi predada, só por Deus.

Essas coisas acontecem mais do que você imagina.

Você vai jantar fora, baita apetite, noite alta, céu risonho, você com a corda toda, alto astral, crédito espiritual, alta estima, entra num lugar badalado, pronto pra balada notívaga. Fica ali numa boa, pede um drinque, sacando a hora de pedir o cardápio, o manjar de leite de coco com ameixa. Súbito, dá-se alguma coisa no seu íntimo, no ser de si, você paga e nem consome direito o que foi pago, levanta-se e sai depressinha pela rua assoviando uma balada do Erasmo. Em segundos você então, fora da área de risco, escuta gritaria, um estrondo, o lugar explode, pessoas desesperadas, você escapou por pouco.

Há um Deus!

A força que nos alerta. Que força é essa, quem livra você de você passar por necessidades, de viver momentos traumáticos, de sofrer problemas graves? São tantos os percalços que compõem a ária da vida. Esse é um milagre indizível. Que força provê alguém, quem manda você voltar pra casa, quem dirige sua vida, quem manda você pegar ônibus num outro ponto, quem às vezes livra você de você mesma.

Mistério? Ou todos os dias somos repaginados em nosso endereço epidérmico?

A força que nos alerta, dá uma dica sem dizer, dá um toque sem falar, mas você saca rapidinho, lê o indizível, olha o que não existe, capta, percebe, intuição apurada, faro fino. Que mundo é o mundo? Quem abençoa você, protege você, ama você e tem um plano pra você? Você tem um problema, tropeça na resposta, você fica desempregado, lê num pedaço de jornal a dica do próximo trampo, você tem um difícil trabalho de escola, acha um texto na Internet ou um desconhecido por engano lhe envia sem querer. Sem querer? Quem mandou?

Essas coisas acontecem mais do que você pode imaginar.

Nada é por acaso? Nada acontece de graça. Já tivemos tudo isso, outras vezes, não podemos refugar nosso destino? De um modo ou de outro viveremos sempre o que temos que viver? Já estivemos aqui um dia  e não fizemos a lição de casa, o óbvio ululante? Estamos só reprisando capítulos rotineiros de um trauma para aprendermos melhor um novo rumo, uma nova chance, uma vitória que não queremos e nem sabemos que não fizemos por merecer? O que podemos evitar? Tudo é possível. Cuide-se bem.

Vigie além de orar. E saiba lidar consigo mesmo, ser feliz com o que você é, traduzir-se para compreender melhor o seu interior... Aceite-se. Permita-se assim.Corra riscos se preciso for, ventile essa alma-avelã.

Mas, afinal, isso acontece e, acredite se quiser, alguém lá em cima gosta de nós. Mesmo que não saibamos, ou às vezes não compreendamos inteiros e redondos, estamos de alguma forma direita ou indireta, sujeitos a esta força. Deus? Godot? God? O anjo-da-guarda?

Leia o poema:

“Ouvir não dói/Ouvir não é ceder/Ouça mais(...)/Ouça, pense, compreenda/Reflita/Permita-se na relação profunda do diálogo(...)/Ouvir é pra essas coisas:/Permitir, trocar, evoluir/(Ouvir não é só isso/Tem essência na filosofia do verbo ouvir(...)/Ouça mais/E seja mais/nesse mudar(...)/Talvez só falando você não se encontre/E nem saia do mesmo lugar(...)”

Tudo é possível. Fique esperto, fique alerta, leia os sinais, capte as sugestões implícitas, seja um radar, esteja ligado. O imponderável é bem provável. A ciência não explica a ciência. Se dinossauros não ficaram pra semente, as baratas sobreviverão até a uma guerra nuclear.

Conecte-se. O grande milagre é compreender a informação, sermos receptivos às mensagens!.

Faça por merecer.

A Força esteve com você.



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Silas Corrêa Leite – Poeta, Educador, Sonhador de um Humanismo de Resultados –E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site pessoal:
www.itarare.com.br/silas.htm
E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
www.hotbook.com.br/rom01scl.htm



















Poetinha Silas de Itararé
Enviado por Poetinha Silas de Itararé em 09/11/2007
Código do texto: T730737

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Sobre o autor
Poetinha Silas de Itararé
Itararé - São Paulo - Brasil, 65 anos
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