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Que se dane a dor... Quem se importa com a razão? 

(missão principal)



Outro dia me perguntaram o porque poetas insistem tanto em falar sobre amor. Afinal, nossas vidas cotidianas costumam ser tão... digamos... "normais"... repletas de afazeres, de problemas, de rotinas infindáveis, de compromissos, de "jogos"... e "encenações"... (pois não podemos ser "100% nós mesmos” o tempo todo... pelo menos aprendemos isso desde criança) enfim, tão cheia de coisas com as quais devemos realmente nos preocupar... Certo?

Logicamente que isso é certo, pois do contrário, todos viveríamos no mundo da lua o tempo todo... sonhando... buscando por fantasias... imaginando como seria poder amar alguém de modo incondicional... Ninguém iria mais trabalhar... ganhar dinheiro... comprar coisas... e mais coisas... tantas coisas que muitas vezes nem sabemos bem o que fazer com elas... mas e daí... é gostoso comprar coisas... ter coisas... possuir coisas... isso dá poder!

Mas não é bem assim! Não é pra isso que estamos aqui!

E aí num belo dia... rodeados por tantas "coisas", pelas quais muitas vezes sofremos pra conquistar, sentimos um estranho vazio... um negócio incômodo dentro do peito que não sabemos explicar a razão. E não raro... olhamos para o lado... e notamos que existe outra pessoa lá... alguém que conhecemos um dia... alguém por quem sentimos... no passado... amizade... desejo... admiração... paixão... talvez até amor... mas que, por conta das buscas pelas "tantas coisas" pelas quais a vida nos fez ir atrás, deixamos de cultivar como deveríamos... quando podíamos!

E hoje... menos raro ainda... acabamos vendo nessa pessoa o motivo da nossa solidão... o motivo desse vazio que preenche o nosso peito... e aí percebemos que não existe nada pior do que a solidão ao lado de alguém! E numa tentativa vã de preencher esse vazio que descobrimos dentro de nós, vamos atrás de outras pessoas... vamos atrás de "mais coisas"... vamos buscar um alívio material que, certamente, nos preenche momentaneamente mas, na verdade, acaba apenas aumentando esse buraco dentro de nós!

E não venha me dizer que, tirando o modo poético do jeito que está escrito aí em cima, você já não passou por isso... ou passa... e se ainda não passou... não se iluda... vai passar! Isso não é nenhuma maldição que faço agora... é apenas a constatação de uma lei que não muda, lei cruel que atinge a cada um dos seres deste planeta de modo igual e impiedoso... a Lei do Amor!

E atinge... porque nós não sabemos lidar com ela!

Pois é, parece contraditório... e até é! Mas é assim que as coisas funcionam... gostemos disso ou não! Dentro dos nossos peitos, num lugar fisiologicamente chamado de coração, convencionamos que será o local onde guardaremos um sentimento chamado "amor". E esse sentimento, ao longo de nossas vidas, vai assumir uma inúmera quantidade de formas... amor pelos pais e irmãos... amor pela própria vida... amor pelos amigos... amor por si mesmo... amor pelo que fazemos... amor pelas coisas... e... num belo dia... amor por alguém...

E nesse dia iremos descobrir o quanto não entendemos esse negócio chamado "amor", pois ele nos fará fazer coisas estranhas... coisas meio sem sentidos... irá nos colocar entre extremos, pois sentimos calor e frio ao mesmo tempo quando pensamos nesse alguém... nos fará nos sentir com um pé no inferno e o outro no paraíso... e mesmo assim... muitas vezes doendo fundo... iremos atrás dele feito loucos ensandecidos...

Mas espera aí... você nunca se sentiu assim???

Então, sinto muito lhe dizer: "Você nunca amou de verdade!"

O amor, como diria um grande poeta do passado, é pobre... quando se deixa ser explicado! É vão quando não deixa sua vida de pernas pro ar! É qualquer outro sentimento, menos amor, se não te faz sonhar acordado! É louco... mas é o que te mantém são! Tantas vezes dói... mas é a tua cura! Às vezes te sufoca em dúvidas... mas no final, é a única certeza da tua vida! O amor é definitivamente contraditório e, certamente por isso, é o sentimento mais fascinante que existe.

Por esse motivo, os poetas tentam em vão falar sobre ele... colocar em versos e rimas aquilo que não pode ser definido, posto que é a própria essência da vida!

Mas na verdade, o "amor" só é assim... "bagunceiro"... quando começa e se instala dentro de nós. Depois... com o passar do tempo... e se nós respeitarmos seus dotes selvagens, seus caprichos inexplicáveis... sua fúria incandescente certamente necessários para que nossos corações sejam literalmente "desinfetados" das paixões antigas, aí... esse negócio chamado "amor" se transforma em algo que simplesmente transcende os nossos corpos... e nos une... junto com o ser amado... ao restante do Universo... de onde originalmente viemos...

Essa é a principal missão de cada um de nós!
Amar...
A mais dura de ser conquistada!
E a mais doce... quando plenamente vivida...


05 de agosto de 2007, 20h01
guerinis@uol.com.br
Silvio Guerini
Enviado por Silvio Guerini em 19/11/2007
Reeditado em 19/11/2007
Código do texto: T742789

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Sobre o autor
Silvio Guerini
Santo André - São Paulo - Brasil, 58 anos
37 textos (27368 leituras)
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Silvio Guerini

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