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Etapas

Etapas da vida
Ao acordar sai para ir ao lugar que pessoalmente adoro, o jardim da minha casa, o lugar onde consigo olhar para o único lugar onde verdadeiramente eu existo, dentro do meu eu, onde as fantasias se desenvolvem, o inevitável encontro do passado e do presente se faz acontecer, mais nem sempre as cenas transformam-se na melhor imagem a ser vista, percebi meu rosto cansado, alguns rugas finalmente teriam me vencido, entendi que estou no terceiro e ultimo tempo da vida humana, assim classifiquei este momento.

Na primeira etapa, nascemos e somos agraciados com o amor dos nossos pais, daqueles que existem ou existiram para nos proteger, é neste momento que a vida está em pleno vapor nada consegue deter a enorme vontade de desafiar, de nos encontrar com as mais profundas descobertas.

Na segunda etapa, somos lançados diante dos nossos medos, onde superamos ou simplesmente os camuflamos para se revelarem de uma forma misteriosa, começamos a nos ver com desejos, nosso corpo começa a ficar dependente de outro, a querer se alimentar da sua morte, o sexo, nessa mente fica confusa, e às vezes parece ate que estamos sendo copiados por idéias que vem de terceiros, a confusão de idéias e o mais comum, porem estamos fortes e cheios de vida, nada nem ninguém nos para.

Terceira etapa, já não temos muito mais o que descobrir, nem mesmo querer, somos guiados pela razão, e a razão não tem graça, ela é formada pelo legalismo do correto, raramente desafiamos, estamos buscando uma sustentação emocional e na sociedade, queremos apenas manter o que já conseguimos, mais não temos tantas ambições, as rugas nos faz fazer comparações, onde estabelecemos regras para serem seguidas, sabemos que cada atitude fora do comum tem um preço, ai bate-nos um medo de sermos felizes, de fazer o que o nosso coração pede, não queremos ferir pessoas, tememos que a sociedade nos chame de velhos meninos inconseqüentes, nossa roupa agora e roupa de homem ou mulher que cresceu, mais esquecemos como era bom usar aquele tênis rasgado, e nem mesmo nos importar com o parecer alheio.

Caminhamos a passos lentos em direção da esquina da morte, deixamos a vida para nossos filhos, nossos netos, porem agora só queremos ver a vida acontecer, para nos ela esta passando, deixando saudade, lembranças das nossas atitudes mesmo que irresponsáveis, elas nos levaram a vida, e ao encontro da realização, mesmo que momentânea, lembranças do beijo roubado, do namoro escondido, é ate da raposa e as uvas, das roupas novas que eram novas, e dos costumes velhos, mais que eram na ocasião a maior ousadia, do sexo sem muita técnica, do perfume que só cheirava, não precisava ter marcas, os nossos desejos manifestavam-se como forma de carinho, nunca de desrespeito, mesmo que o resultado fosse um só, terminar em uma bela e fervorosa noite de amor.

A terceira etapa, a etapa do fim, onde nos tornamos bons ou maus, onde estabelecemos definitivamente o que realmente somos, mais agora não importa estou caminhando para a morte da minha pele, ela esta cansada e vai ficar estranha toda enrugada, ate o fim definitivo, alguns me chamarão de velhos, outros de idosos, mais que se torna uma só realidade, o fim da historia, onde as cortinas se fecham para o grande espetáculo.

Os aplausos foram meu ganho, minha moeda, minha recompensa, as criticas meu combustível onde busquei aperfeiçoar minhas atitudes para uma atuação quase perfeita.

Assim escrevo mais um texto, que mostra em que etapa da vida que realmente me encontro, pego uma rosa e saio do jardim porque outros virão com novas idéias, com outros pensamentos que não são os meus, e vivendo etapas diferentes da minha...

  Jorge Avelino Barbosa
jorgenew77@hotmail.com


Jorge Barbosa
Enviado por Jorge Barbosa em 21/11/2007
Código do texto: T746856
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Sobre o autor
Jorge Barbosa
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
5 textos (485 leituras)
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