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COISAS DE MENINA TRAQUINA

                                     
                Toda família interiorana que se preze tem um número considerável de rebentos e na casa da Meirinha não era diferente. Oito irmãos para compartilhar tudo que entrava no lar. O pai, seu Rosalvo tinha que suar muito a camisa para sustentar como podia a todos. A falta de uma tv nos primeiros anos do casório talvez explicasse a próle tão grande. Na verdade era uma reca de meninos e meninas e haja paciência para criar e educar a todos. Meirinha era a caçula da família e também a mais traquina, muito curiosa estava sempre aprontando.
                 Sempre sonhara em comer uma manga inteira nos seus doces desejos de criança pobre, mas seus sonhos findavam quando o pai ou a mãe vinham com uma faca para repartir o bendito fruto. Tinha que escolher com os outros irmãos quem ficava com uma das bandas ou a parte do caroço. Comer um pacote inteiro de recheado nem pensar. Até que um dia depois de juntar a duras penas um dinheirinho, viu a possibilidade de realizar esse seu desejo pueril. Junto com uma das irmãs, após a aula se encaminhou ao mercadinho que ficava em frente ao colégio e pegou o maior pacote de biscoito que suas economias podiam pagar. Antes do pai chegar para apanhá-las sentaram à sombra de um oitizeiro e se deliciaram com a iguaria. Aos sete anos de idade realizara um desejo bem antigo. Chegava a fechar os olhos enquanto mastigava as rosquinhas. O pacote parecia aquele de bolinhos Dona Benta, bem colorido e cheio de desenhos. Quando seu pai chegou mostrou para ele cheia de orgulho o pacote vazio e teve umas de suas primeiras decepções, pois o pai caiu na gargalhada. Meirinha tinha comido um pacote de BONZO. A alegria de ter realizado um de seus maiores desejos fora tão grande, que nem percebera que havia digerido comida de cachorro.
              Seu pai era garçom e suas amizades sempre foram muito boas e por diversas vezes era convidado juntamente com a família para um lanche na casa dos amigos abastados. Era uma de suas aventuras favoritas ir na casa de famílias ricas, pois sempre encontrava um jeitinho de ir no banheiro para encontrar novidades.Fingia que ia fazer xixi e incontinente se dirigia ao armário do sanitário para encontrar creme dental colorido. Em casa só tinha aquela pasta Kolinos, não aguentava mais. Na casa dos bacanas encontrava aquela de listrinhas vermelhas, era uma delícia. Saía de lá quase que alimentada de SIGNAL. Não bastasse isso, em uma de suas andanças encontrou um tubo grande de desodorante. Nunca tinha visto igual. O perfume devia ser muito bom. Não teve dúvidas, levantou os braços da irmã e depois os seus, tascando desodorante. Que cheiro agradável. Ao chegar na sala a dona da casa percebeu o odor e perguntou quem mexera no BOM AR.
              Mas talvez sua maior mancada de menina levada, aconteceu quando foi dormir na casa da Vera, sua vizinha. O marido dela viajava muito, trabalhava de motorista de caminhão numa transportadora. Esperava que a mesma fosse dormir e começava suas incursões pela cozinha. E haja a procurar qualquer coisa interessante nos armários. Bolacha, macarrão cru, leite ninho... huummmm... adorava. Até que um dia deparou-se com um embrulho bem fechado e não se conteve; olhou o que havia dentro. Tomou um baita susto, era um pênis. Largou-se para o quarto e chorou a noite toda achando que a mulher havia cortado a pinta do marido, já que ele viajava e era a maneira que tinha de controlar suas escapulidas. Esperou que seu Antônio retornasse de uma dessas viagens e ficou reparando na sua calça, achando que ele não tinha mais o dito objeto. Tinha pena dele e passou a detestar dona Vera, chamando-a em seus arroubos de ódio, de bruxa malvada.
                                 

José de Aragão
Enviado por José de Aragão em 30/11/2007
Código do texto: T759590

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Sobre o autor
José de Aragão
Fortaleza - Ceará - Brasil, 53 anos
36 textos (2007 leituras)
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