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Um doce de vovó...


            Algum tempo atrás, ficamos sem automóvel devido á um acidente e como o filho era um bebê de colo, as idas e vindas ficaram complicadas, mas o sogro, sempre prestativo, ofereceu   o seu carro enquanto a situação se resolvia. Era um Santana preto impecável, muito bem cuidado pelo dono, quase novo e sem um único arranhão. Uma relíquia... Pois um dia saímos com o tal carro para uma tarefa qualquer e estacionei  cuidadosamente no centro da cidade e enquanto o meu pessoal descia, fiquei sentado escutando uma música qualquer..... Subitamente, uma pequena caminhonete preparou-se para estacionar na minha frente e fiquei em estado de alerta, pronto para buzinar á qualquer sinal de “barbeiragem”. Quando o motorista do furgão deu a ré, o Santana foi levemente tocado. Preocupado por algum dano que pudesse ter acontecido, já que era o carro do sogro, desci para verificar se teria acontecido algum dano, o mesmo acontecendo com o motorista do outro automóvel. O motorista, na verdade uma motorista, era uma senhora bem velhinha,  cabelo bem branquinho,  suavemente perfumada  de alfazema, cheia de rendas e  com ares de vovó, daquelas que a gente quer apertar quando está perto. Não havia qualquer dano ao carro, o que me deixou tranqüilo, pois o tal automóvel era uma preciosidade para o meu sogro. Ficamos ali olhando, eu e a vovó, e aí estabeleceu-se o seguinte diálogo:  - Meu filho, estragou algo no seu carro? Quebrou alguma coisa? Arranhou a pintura? - Não vovó. Não aconteceu nada.  – Então meu filho, vai pra puta que te pariu e não me enche  o saco com esta merda!   E se foi “ligeirito” a  vovó desbocada, indiferente aos curiosos que já tinham se aproximado e entrando  rapidamente em uma residência qualquer, me deixando ali parado sem ação  e com cara de bobo diante do inusitado discurso. Fiquei sabendo mais tarde que a referida senhora, já falecida, era famosa na cidade pela sua “boca grande” e eu fui o “premiado” naquele dia. Tá certo vovó. Só não respondi á altura por medo de ser castigado. Quando  eu era criança, quem fazia má-criação pros mais velhos, ficava de castigo  no canto e não comia a sobremesa...
LCRivera
Enviado por LCRivera em 30/11/2007
Reeditado em 09/07/2014
Código do texto: T759760
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LCRivera
Santana do Livramento - Rio Grande do Sul - Brasil, 64 anos
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