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Medo de quê?

Maria Clara permanecia estática... Nada parecia real... Queria simplesmente acordar... - Mas o que é isso??? Foi exatamente do jeito que vc sempre desejou!!! - dizia a si mesma numa tentativa falha de se consolar.
Achava que seria muito simples passar em um vestibular em outra cidade e ir viver!!! Mas isso se tornara um bicho de sete cabeças poderoso demais para uma mente de 17 anos.
Desde aquele momento em frente ao seu computador quando leu seu nome na lista dos aprovados sua mente não parava de pensar no tão próximo futuro.
Ocorrera uma revolução de 5 segundo nos seus planos, tempo suficiente para assimilar o fato de ter conseguido entrar na melhor faculdade de Direito do país! - Imagine só, vc vai ser livre, vai morar sozinha, vai ser independente... - continuava a dizer. Mas nada conseguia cessar sua confusão interna.
Todo um mundo de colégio, amigos, paqueras, shopping aos sábados e passeios descompromissados pela cidade calma que estava habituada a morar, estava prestes a desmoronar e ficar guardado em forma de flashs em sua memória. Um novo mundo desconhecido estava a chamando, cheio de novidades tentadoras, mas ao mesmo tempo cheio de perigos que muito a assustavam e a preocupavam.

- Minha nequinha tá virando moça... - dizia chorosa sua mãe logo após saber da novidade - Meu Deus, vc vai realizar o meu maior sonho, filhota. Vem cá, me dá um abraço. - E não contém mais o pranto.
Maria Clara simplesmente se deixa abraçar, sem nenhuma reação. Por fora tão quieta, tanto que chegava a assustar, e ao mesmo tempo, por dentro tão agitada, tanto que nem ela a reconhecera.
(Toca ao longe um telefone)
- É o Henrique, Clarinha - disse-lhe o irmão entregando-lhe o telefone.
- Alô? - surpreendeu-se de finalmente conseguir falar algo.
-Claraaaaaaaa!!! Meus parabéns!!! Estou tão orgulhoso de você! To me sentindo tão chique! Minha melhor amiga passou na USP! Hahahahaha!
Henrique falava com um entusiasmo tão contagiante que Maria Clara não pode deixar de sorrir. Ele era a única pessoa que realmente a conhecia. Foram 6 anos de amizade que fizeram com que ele adivinhasse exatamente o que ela estava pensando em um momento desses, e vice-versa. Sentiu uma força inexplicável ao ouvir a voz do amigo. Tinha certeza de que ele falaria exatamente as palavras mágicas capazes de a empurrar pra dentro de um avião e ir direto ao futuro promissor que a aguardava.
Sentiu um frio na coluna e seu peito encheu-se de alegria e dor simultaneamente. Alegria por estar conversando com quem mais queria. Dor por saber que as próximas conversas só seriam como essa, por meio do telefone. Dor por imaginar o quanto seria estranho uma festa sem estar ao seu lado ouvindo suas piadas sem graças e sem ouvir aquela mesma frase "Ainda bem que tenho você aqui para rir delas".
Desta vez foi Clara que não conteve o choro.
- Ah Clarinha, pára de chorar, se não eu também vou chorar vai, é hora de alegria e não de choro, to indo lá pro colégio e quero te ver lá em 10 minutos, vamos festar pra caramba!!! - disse Henrique do outro lado da linha ao ouvir os primeiros gemidos de choro de Maria Clara.
Ela concordou e desligou o telefone.
Várias cenas passaram em sua mente e permaneceu por mais algumas horas agindo apaticamente enquanto pensava em mil coisas. Mas depois tudo voltou ao normal.
E só ficou uma pontinha de medo, medo da mudança ser muito drástica ou de não sentir nada.
Nikinhangel
Enviado por Nikinhangel em 02/12/2007
Código do texto: T761743
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Sobre a autora
Nikinhangel
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
9 textos (326 leituras)
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