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Lampejo.

E esse delirante pensamento rústico, ao claro de minhas inebriantes ideias, cogitam com malícias meus atos insensatos.
Ludibriam-me, embriagando-me á alma. Embriaguei-vos do mais límpido e transparente líquido, e saberdes vós dos teus proêmios, mesmo sem tê-los feitos. E essa culpa ébria, dele então fora feito, e por certo esse lampejo de dor, onde se esconde tua fuga no raso e vítreo copo.
       Afogar-se-á a mente torpe em devaneios, regado a liquidez vazia, meio atordoado, exasperado,  meio ledo, ora essa sóbria culpa. Abstenha-se, cessa o beber, essa dor árdua se renova como novo alvorecer. Ignoto homem dissipa o mal na fartura dos teus beijos, levanta-te busca enrijecer tua carcaça, firma teu passo, endureça a malemolência de outrora e faça profusa sua vontade, erga os olhos lassos ruborizados, siga em frente, mas em passos retos, não descompassados. Infla teu ser, ascende à flama da alma, com o furor dos seus dias, volta ao labor, castiga seus esmaecidos dedos, ao invés da alma no copo que acalma.
     Vá adiante, onde os olhos não alcançam, errante faz salutar tua egrégia qualidade, emerja do nimbo, suba como ave volátil, não se dissipe a vítrea viril, está é assaz impetuosa, te impele de medo e ofusca a alma. Faz esmaecer. Sequestre os versos, assalte os refrãos, mate sem piedade as rimas e as canções. Não ria, não se esqueça da poesia, esquarteje-as. Seja o mais cruel, o tal, o temido, seja como for, mas seja.
    Se ao menos soubessem do que sei, se tentarem o que tentei, saberíeis vós que nada sei, mais perene procurarei, teimoso? Eu sei. Assim encontra-se ereto, como um feto a criar-se, entre descompassado deambular a desvendar o rijo chão. Evolar-se do chão, como pluma a mercê dos zéfiros, sacolejando as aragens do norte o que a mente fingi criar. Os olhos mochos, apaziguados de cintilantes dores, avista uma adornada casa, parece um recanto, lugar de pevides reminiscências.
    Ora teima e insultar o silêncio essa branda ventania, como esboço de bocejo, ou findar do dia, seria um ensejo da alma ou uma dádiva, uma magia.
    Deita-se no relento, sobre o ulular da noite, em companhia de anjos ledos, porém sóbrios, adormece o pensar, sobre gemidos da alma, ao passo que se esvai o pútrido e sobra-se a virilidade de outrora, reveste-se novamente de prepotência, nitente sobre a bulha do mal, tentando alçar novos voos, rindo do nefando destino que sua volúpia o causará, ora espécie essa, dotada de ousadia vã, fadada a viver a mercê da morte para alcançar a vida.
Andre Santana
Enviado por Andre Santana em 06/12/2007
Reeditado em 01/07/2014
Código do texto: T767333
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Andre Santana
Tupassi - Paraná - Brasil, 31 anos
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