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A CULPA VAI PARA...

 Existem frases que ouço, que sinceramente me deixam com a sensação que estou ficando com problema de audição, tamanho o absurdo delas. Costumo nestas ocasiões,me perguntar se ouvi mesmo aquilo. São aquelas frases, por exemplo, que algumas pessoas às vezes dizem, numa tentativa ilógica, para tentarem consertar, ou mesmo justificarem erros que cometeram e que criaram situações absurdas. Muitas delas, até mesmo nunca imaginadas por mim. Não consigo entender o que se passa na cabeça destas pessoas, quando verbalizam certas conclusões. Talvez eu até entenda, mas fico surpresa, diante da falta de sensatez. E nestes casos, o estado de surpresa me deixa confusa.
  Como, no mais recente absurdo que tomamos conhecimento : a prisão daquela adolescente com vinte presos homens no Pará.
 O delegado, chefe da policia civil(ex delegado, após a ¨justificativa¨) disse que a moça parecia ter alguma debilidade mental, tentando justificar. Então, o problema maior não é o fato de uma mulher ficar durante quase um mês presa em uma cela com vinte presos homens? Ela parecia ter alguma debilidade mental, e foi por isso que ela ficou presa com homens? Ou será que, aparentar ter alguma debilidade mental é mais grave do que permitir esta prisão?
 A juíza disse que tinha conhecimento que uma mulher dividia a cela com alguns homens, mas que não sabia que a jovem era menor! É para entender que o único problema neste caso, é o fato da mulher em questão, ser menor de idade? Dá uma confusão na minha cabeça! Eu sempre soube que a presença de mulheres na mesma cela com homens, é proibida por lei. Não interessa a idade da mulher.
 Ana Júlia Carepa, A governadora do Pará, é a responsável pela política de segurança e pelo sistema carcerário do estado. Admitiu que, dos 132 municípios do Pará, 123 não têm espaços apropriados para as mulheres e, por isso, é comum a prisão conjunta de homens e mulheres. É comum? Quer dizer que não tem nada demais nisso? Mas esta não é uma medida proibida por lei? Dá um nó no meu cérebro! Disse que, desde que assumiu o governo, existiam 94 vagas femininas nas cadeias do estado, número que ela afirma ter dobrado sem deixar claro, porém, se na duplicação contam as vagas ocupadas por mulheres em celas com homens. Foi só após a manifestação do delegado, ex chefe da Polícia Civil, dizendo que a moça parecia ter alguma debilidade mental — que a governadora falou grosso e alto, quase aos gritos: "Não tem justificativa. Se alguém tentar justificar, é um absurdo"."
 De acordo com A delegada-corregedora a jovem provocava sexualmente os presos. Ainda tentando amenizar, insinuou que ¨a garota tem algum problema psíquico¨. É para concluir então que não tem nada de errado se colocar numa mesma cela, uma mulher e vários outros presos homens? Que o único problema de uma atitude desta, é a moça provocar sexualmente os presos? Esta mesma delegada-corregedora disse que ¨— Quando ela saía para tomar banho, mexia com os presos, saía andando se exibindo nua. Os presos ficavam irritados com ela e a mandavam vestir uma roupa. Ela não criava jeito — afirmou A delegada-corregedora à "Folha de S.Paulo", completando: — Apenas um abusou sexualmente da menina. Os demais [atos sexuais] foram por livre e espontânea vontade da própria adolescente. Ela se deitava na rede dos presos novatos e mantinha relações com eles. Os 17 presos que estiveram na delegacia dizem o mesmo¨. Qual o problema? A moça não foi abusada sexualmente por vinte homens. Só por um!  A responsabilidade, ou será a culpa, por este absurdo, é da adolescente? Será que entendi direito?
 Mas ninguém explica de maneira sensata e clara, a questão principal, ou seja, mesmo sendo contra a lei, agentes do poder público, responsáveis para fazerem cumprir a lei, infringem a lei, e ainda tentam justificar? Alguém, por favor, pode me esclarecer isso? A delegada, A juíza, A corregedora, A governadora, permitiram este abuso contra uma mulher...
Francisquini
Enviado por Francisquini em 08/12/2007
Código do texto: T769260
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Francisquini
Lavras - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
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