OPERAÇÃO INDIGNUS

 

            A Polícia Federal iniciou meses atrás a Operação Indignus, para resolver problemas ligados ao Hospital Padre Zé, em João Pessoa. O resultado foi a prisão do padre Egídio de Carvalho Neto, presidente do Hospital e de duas diretoras, Amanda Duarte e Jannyne Dantas. Os três tiveram suas prisões preventivas decretadas, estando o padre Egídio no Presídio Especial no bairro de Valentina Figueiredo, Janynne no Presídio Júlia Maranhão e Amanda em prisão domiciliar, por estar amamentando um bebê de quatro meses.

            Durante a Operação Indignus foram descobertos desvios milionários dos ex-diretores do Hospital, que chegam a R$ 140 milhões. O montante em bens do padre Egídio que foram bloqueados alcança os R$ 116 milhões.

         Desvios nas finanças de instituições tem sido comum, mas, tem se estendido a religiosos que dirigem entidades de natureza assistencial e filantrópica, que deixam perplexas as pessoas. A Polícia Federal percebeu bem o alcance dos crimes cometidos por esses dirigentes, em especial pelo padre, que denominou de Indignus a operação policial, demonstrando quão indigno é esse dirigente, que desonra a batina que veste.

            Se há indignação maior entre fieis de uma denominação religiosa, essa é de comportamento indigno no exercício do sacerdócio ou do pastoreio. Sacerdotes católicos e pastores evangélicos já cederam às tentações, caindo no descalabro dos desvios de altos montantes monetários, fazendo num primeiro instante as pessoas desacreditarem nas igrejas que fazem parte.

            Por sua vez, as pessoas querem ver também as ações enérgicas das autoridades religiosas que, geralmente, se destinam a dar amparo aos religiosos delinquentes, sem a demonstração de penalidades que lhes pesem mais fortemente. O que se vê é que, decorrido algum tempo do afastamento de suas funções em decorrência da prática do delito, retornam ao exercício administrativo em outro local e em outra instituição.

          A Polícia Federal deverá investigar a destinação de recursos e bens que foram desviados por esses dirigentes, beneficiando pessoas, quer parentes, amigos e até superiores. As pessoas que receberam quaisquer benefícios ilícitos devem, por questão moral, devolver às instituições fraudadas, tanto bens quanto dinheiro que receberam, mesmo desconhecendo a sua origem.

            No caso do Hospital Padre Zé, que leva o nome desse sacerdote que em sua cadeira de rodas estendia as mãos pedindo esmolas para o instituto, que as pessoas pobres estendiam suas mãos depositando minguadas ajudas, que até os dias atuais recebe esse hospital a ajuda de tantas pessoas e instituições, tudo o que for descoberto e arrecadado como produtos desses desvios, devem ser direcionados ao seu legítimo dono, ou seja, o Hospital Padre Zé.

            Ademais, o Hospital Padre Zé necessita continuar recebendo dinheiro de emendas parlamentares e outras verbas dos poderes públicos, bem como as pessoas devem continuar auxiliando o hospital como sempre fizeram, pois, a obra social e filantrópica da entidade é enorme e não pode sofrer perdas. Urge também um desfecho para o escândalo, com a revelação de toda a verdade e a punição dos culpados nos termos da lei penal. O Hospital Padre Zé é a mais importante instituição de caridade de João Pessoa e não pode prescindir da ajuda de todos.

Ailton Elisiario
Enviado por Ailton Elisiario em 20/12/2023
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