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Passeio interessante

 Por vezes procuro entender o universo infantil, conseguem transformar até mesmo uma ida ao hospital em algo interessante.
 Pois bem, no domingo fomos visitar o tio dos meus sobrinhos, cunhado da minha irmã, que por sua vez é irmão do meu cunhado - pouco confuso, não? - e as crianças quiseram ir.
 A princípio achamos estranha essa vontade imensa de ir a um hospital, mas como me ensinaram em determinada ocasião, a achologia é a ciência dos idiotas e dos imbecis.
 Seguimos todos para o hospital, o rapaz havia sofrido um acidente de moto no qual o motorista de uma lotação jogara propositalmente o veículo de encontro a motocicleta que foi parar embaixo da van juntamente com o pobre rapaz.
 O relato inicial foi narrado pelo meu cunhado, imaginem isso durante um almoço de domingo, até minha avó à mesa, era um almoço legal, strogonoff de frango (lembram do abate?), e o cunhado lá, contando os detalhes do acidente, a forma que a perna do rapaz ficara, a pele que descolara da carne, a carne macerada e os ligamentos e músculos a mostra, seguido do socorro feito pelo resgate que sinceramente, realmente lembra um abate.
 Levaram o acidentado numa ambulância que nem rádio tinha, depois o despejaram num hospital público (poderiam mudar o nome pra açougue), lavaram seu ferimento friamente - literalmente - colocando embaixo da perna uma bacia com água e o enfermeiro (ou ajudante de açougueiro) esfregando-lhe a perna a sangue frio com uma escova.
 Besteira comentar e imaginar a dor que o menino sentia naquela altura, né?
 Até que depois da "limpeza" o largaram pelo corredor.
 No desespero e temor em possivelmente perder a perna, pediu que alguém gentilmente o empurrasse até o orelhão, telefonou para a mãe implorando que o tirasse dali.
 Vale lembrar que se tratava de um hospital, mas enfim, acreditam que os médicos não queriam deixá-lo fazer a remoção?
 Sei que a mãe apenas falava em meio ao sofrimento do filho e a perna em sangue, que aquilo não era uma prisão e que ele poderia sair e ir para um hospital de verdade (não querendo magoar o enfermeiro que fizera uma limpeza tão... Ah deixa pra lá).
 Por fim conseguiu e o removeu para o São Luiz, uau, legal esse hospital.
 Mas enfim, essa foi a narrativa que nos embalou o almoço.
 (Seria corriqueiro relatar que as crianças escutaram?)
 Continuando, seguimos para o hospital, jogo do Corinthians com quem mesmo?
 Ah sim, com a seleção ( Uhuuuu Corinthians perdia, de certa forma eu estava feliz com isso, sabe-se lá o porquê, talvez por ser palmeirense?).
 Chegamos lá, o acidentado estava lá... Na cama, óbvio, dããã, mas passava bem, a médica entrou para ver como ele estava ( olha a diferença de atendimento), dissera que os curativos seriam trocados no dia seguinte, e meu sobrinho gritando e cantando que queria ver ( vejam se pode um trem desses?).
 Mas hospital não é lugar pra crianças e tanto os dois moleques quanto a minha sobrinha, entendiados, queriam ir embora.
 Meus pais tiveram a grande idéia de voltarmos pra casa.
 Isso depois das crianças terem ido fazer um "tour" pelo Hospital, verem árvores de Natal com piscas lindos, até Papai Noel tinha lá, acreditam nisso?
 Minha mãe pediu que meus sobrinhos fossem conosco.
 Como é mesmo aquela frase?
 "Seria cômico se não fosse trágico"?
 Façam as contas, tínhamos ido em dois carros, sendo que no que fui: meu pai, minha mãe, vovó (sim, a vó também quis ver o menino, também depois do relato do cunhado, né?) e eu.
 Normalmente caberia mais "UMA" pessoa e não três.
 Até seria aceitável mais três se eles não tivessem ganho pirulitos gigantes do Papai Noel.
 Que passeio interessante.
 Hospital, perna machucada, árvores de Natal, Papai Noel que distribui doces, carro lotado com três crianças malucas chupando pirulito.
 Cabelos e mãos meladas?
 Imaginem... Quase nada.
 Tudo graças ao Amado Papai Noel.
 (Acho que peguei trauma).
 As crianças?
 Ah se divertiram, só falta um dia desses minha sobrinha enrolar uma toalha na perna...
 Santa imaginação...
 
SP 14/12/2005
 
HM Estork CCoelho
Enviado por HM Estork CCoelho em 14/12/2005
Código do texto: T85694
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Sobre a autora
HM Estork CCoelho
São Sebastião - São Paulo - Brasil, 41 anos
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8 e-livros (486 leituras)
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HM Estork CCoelho