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A MORTE DA ALMA


                É assim que ela morre. A alma. Ao descobrir que aquele momento mágico já foi e nunca mais será, a alma, como o corpo, fecha os olhos para o mundo e nos tira a alegria de viver. Priva-nos de sentir todos os prazeres que já conhecemos e nos golpeia com a cegueira eterna. Primeiro isso: o prazer dos cinco sentidos... Depois a insensibilidade, a apatia total, absoluta! Separa-nos do mundo exterior para nos encerrar dentro de nós mesmos, nas nossas masmorras interiores... A alma,  antes de morrer, faz com que nos tornemos nossos próprios algozes. Aprisionados que estamos em nossas angustias, nada nem ninguém consegue nos libertar... Omitimos as palavras e emitimos sons... Choramos lágrimas que não são vistas e escrevemos frases com "as tintas da melancolia". O ocaso do sol nada mais é do que mero acaso e o amanhecer, apenas mais um dia que temos de suportar. É assim que morre a alma... Aos poucos deixa de ser e nos anula.
Pior do que ignorar o belo é sabe-lo lhe ser indiferente... Pior do que não sentir as emoções não é negá-las, mas delas não se aperceber... Pior, muito pior do que morrer é anestesiar a vida... Assim morre a alma...Porque num determinado momento crucial do nosso caminho, simplesmente cansamos dos embates. E desistimos de nós mesmos...
                       
                             
Miriam Panighel Carvalho
Enviado por Miriam Panighel Carvalho em 30/03/2005
Código do texto: T8693
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Sobre a autora
Miriam Panighel Carvalho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
87 textos (22584 leituras)
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Miriam Panighel Carvalho