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Envelope lacrado

A vida é bela em sua essência. Em alguns aspectos, todos temos a oportunidade de fazer a nossa opção, ou as nossas opções. Ás vezes, dependendo da nossa própria maneira de ser, do nosso temperamento, da nossa personalidade, essas opções podem ficar restritas e condicionadas. Mas, de uma maneira geral, somos nós que optamos pela forma como vivemos e encaramos a vida.
Uma opção que nos é permitida é sermos alguém com maior ou menor abertura quanto a compartilhar com outros, de forma sincera e honesta, das nossas alegrias, das tristezas,
dos nossos pensamentos, dos nossos projetos, das nossas expectativas, dos bons e maus momentos, etc..
Assim, encontramos pessoas que conseguem confiar em outras, fazem confidências, trocam idéias, discutem temas, dão e ouvem conselhos, enfim, permitem que pessoas de sua confiança participem das suas vidas e tenham a devida reciprocidade. Fazem isso de forma natural, sem nenhum receio de que suas vidas possam ser devassadas.
Creio que pessoas desse tipo vivem melhor. Afinal, quem tem uma vida alicerçada nos bons princípios e nas boas práticas não tem nada a temer, caso compartilhe com outros, de forma aberta e franca, daquilo que diga respeito às suas vivências, às suas dúvidas, aos seus desafios ou a seus objetivos. Isso não significa abrir mão da privacidade a que qualquer um tem direito.
Por outro lado, há aquelas pessoas que se trancam em si mesmas. Até para aqueles, em quem deveriam naturalmente confiar, não se abrem, pelo contrário, fecham-se em uma redoma, não permitindo a ninguém tomar conhecimento do que pensam, do que pretendem. Não são capazes de revelar as suas angústias, as suas preocupações, as suas alegrias, os seus sucessos e até mesmo os seus fracassos eventuais.
Não acredito que essas pessoas tenham feito, racionalmente, uma opção por essa forma de ser. Creio que o fazem por uma razão de alguma forma ligada à sua condição psíquica.  Assim, acho que isso lhes é prejudicial, como também é prejudicial àqueles com quem convivem.
Tendo a acreditar que esse comportamento denota algum distúrbio de natureza psicológica. O não confiar em ninguém, agir sempre de forma fugidia, guardando para si todas as situações que lhe digam respeito, me parece ser um comportamento prejudicial a si mesmo.  Por essa razão, devem ter poucos momentos de felicidade e sofrer por não ter com quem compartilhar a sua existência. Parece que suas vidas estão contidas em uma carta, colocada em envelope lacrado, a ser aberto num tempo que poderá ser muito tardio. Acrescente-se que devem viver em um permanente estado de auto- policiamento, para não deixar escapar qualquer pista que permita a outro penetrar no seu mundo "secreto". Muitas vezes, escondem informações relevantes ou determinantes de uma tal situação, sem pensar que tais informações podem ser reveladas por outros meios. Quando isso acontece,
parece que o mundo desabou sobre suas cabeças. Não estou tratando de pessoas ditas reservadas, mas de pessoas trancadas em seu mundo interior, ou simplesmente daquelas que não são capazes de poder confiar em alguém o que se passa com elas.  Essas minhas opiniões não implicam em que eu não respeite a maneira de viver ou de ser de cada um.
Mas gostaria que todos tivéssemos a condição de poder confiar em alguém seu semelhante e, assim, contar sempre com uma voz, um apoio, uma opinião no sentido de exteriorizar e amenizar certas questões, se compartilhadas dentro de um princípio de respeito e solidariedade.
Augusto Canabrava
Enviado por Augusto Canabrava em 02/01/2006
Reeditado em 23/10/2008
Código do texto: T93233
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Augusto Canabrava
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Augusto Canabrava