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"Eu já vi isso antes"

Interessante os finais do ano e os ínicios de outro.
Nessa época não é nada raro surgirem a nossos olhos e ouvidos aspirantes a videntes e sensitivos.
Incrível a sede e a fome por declarar ao mundo o que pensam "ver", "ler" ou "ouvir".
Tais revelações por vezes aparecem na forma de sonhos, leituras em águas (sejam de riachos, bacias, águas de privada ou o raio que o parta), leituras em textos poéticos ou, nesses tempos de globalização, com a evolução humana e a facilidade em se poder enviar emails ou até mesmo conversar em um programa de conversação simultânea com conferência áudio visual e tudo - chiques que estamos, visto a mudança desde a mensagem em fumaça - recursos estes os quais possibilizam o aproximar e também o afastar das pessoas.
Hoje em dia - haja visto, em viradas de ano - recebemos até mesmo inusitados emails com declarações acerca de alguma vidência ou premonição, podem até ser de teor "alarmante", para se abrir os olhos ou até para amedrontar.
Com demasiada, porém não suficiente, experiência que adquiri no decorrer de meus balzaquianos dias, sigo a não abertura de emails com título que demonstrem previsões.
"Eu já vi isso antes".
Este foi o título do último que recebi, coincidentemente (ou não) na virada do ano.
Já vimos tantas cenas e fatos em nossas vidas, que me pergunto (como não abro emails desconhecidos)qual seria seu conteúdo?
Poderia ser algo referente a ver o sucesso de alguém, a felicidade, a prosperidade, o crescimento, sei lá, alguma coisa de muito boa em iminência.
Mas aí, eis que me passa pela mente outras coisas, dificilmente vi nas televisões ou revistas, previsões positivas (salvo nos anos de Copa do Mundo, quando tais previsões sempre são as de que o Brasil ganhará ou ficará pra final), em grande parte de "tais sensações" descritas são de algo negativo, de dor, de palavras e de cenas tristes, que nem sempre se tenha algo proveitoso para se tirar.
Muitas delas podem advir de cenas passadas na realidade, como já diz o próprio título "Eu já vi isso antes", o fato em questão é que com o passar dos anos, neste curto tempo de vida e de aprendizado, o que venho escrever hoje nem é nada de novo ou profético.
Lembro de palavras de Sócrates (o filósofo, não o jogador) quando ele cita as três peneiras, no diálogo um de seus alunos lhe pergunta se devem comentar para uma terceira pessoa um fato, o sábio Sócrates por sua vez, responde a ele com outras perguntas, tais como: " O que você vai perguntar, já passou antes pelas três peneiras?"
" A primeira peneira é a Verdade. O que você quer contar é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer por aí mesmo. Suponhamos, então, que seja verdade. Deve agora passar pela segunda peneira: a Bondade. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a reputação do próximo? Se o que você vai contar é verdade, e coisa boa, deve passar ainda pela terceira peneira: a Necessidade. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta? ".
Já no momento em que fiz a leitura dessas questões, algo começou a mudar dentro de mim, passei, em questão de segundos, a pensar mais no próximo. Foi quando li o arremate:
"Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você e seu irmão iremos  nos beneficiar. Caso contrário esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!"
Da mesma maneira que um vidente ou candidato a tal recebe ou até mesmo leia e veja, sinta a vontade de dizer o que viu e sentiu para outras pessoas, incluindo diretamente passivo e ativo da situação apresentada, cabe a essa pessoa que antes de qualquer palavra, que as passe antes pelas peneiras de Sócrates.
Aprendi que nossos pensamentos são apenas nossos, o que não acontece com as palavras proferidas de nossa boca, elas podem soar tanto como bênçãos como podem também ser maldições, exatamente como diz "Bem são" ou "Mal são".
Fica então, para quem ler, que procuremos caminhar nossos dias através de nós mesmos, levando menos em consideração o que poderá magoar ou afetar alguma outra pessoa, acreditando cada vez mais no próximo, no amigo, sermos felizes e esbanjar essa felicidade compartilhando-a com outras e mais outras, que possamos tornar o "Eu já vi isso antes" em paisagens de beleza, de amor e respeito.
E, quem sabe no findar deste ano e no início do próximo, eu possa voltar aqui e escrever novamente esse "eu já vi isso antes", não como aspirante a vidência, mas como mais uma pessoa que se sente feliz e que, deseja a quem me rodeia, a mesma felicidade.
Paz e luz.
HM Estork CCoelho
Enviado por HM Estork CCoelho em 02/01/2006
Reeditado em 02/01/2006
Código do texto: T93490
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Sobre a autora
HM Estork CCoelho
São Sebastião - São Paulo - Brasil, 41 anos
927 textos (49171 leituras)
8 e-livros (486 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 12:42)
HM Estork CCoelho