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"ANO-NOVO, VIDA NOVA" Será???

"ANO-NOVO, VIDA NOVA" Será???

Há um tabu que circunda o reveillon. É como se tudo de ruim que está acontecendo no mundo desaparecesse só porque um ano está acabando e outro está chegando. Parece até que todos os males que aconteceram se restringem ao “ano-velho” e no “ano-novo” serão apenas maravilhas. Doce Ilusão! Parece que todos ficam dopados, extasiados com o momento(inclusive eu).

Apesar dessas tolices, eu gosto da festa, diferentemente do Natal. O “nascimento do Menino Jesus” pouco me importa. Alguém que vir isso vai até me chamar de herege. Mas o que estou dizendo é o que todos fazem inconscientemente.
Todo ano, no dia 25 de dezembro, quem lembra que ali está se comemorando o “ Nascimento do Filho de Deus”? Assim como eu, POUCO SE IMPORTAM... nem ligam.
O ápice da noite se concentra na troca de presentes que precede a farta ceia. Então...quem fica pensando nas dores do parto de Maria?
Que nada! Ninguém lembra disso por que está extasiado com o belo presente que ganhou ou está procurando um antiácido pra curar aquela sensação de “comi demais”.
Aaaaaahhhh....E ai? A herege ainda sou eu? Posso até estar "pecando"(segundo os católicos), mas não estou pecando sozinha.

SANTA HIPOCRISIA!!!

Voltando ao Ano-Novo, seguia dizendo que gosto da festa apesar das tolices que a circundam. Adoro aquele clima de beijos e abraços, palavras amigas(ou nem tanto), elogios, desejos de felicidade suprema, o sonho com a paz, as sete ondas, os sete desejos, garrafas de Champagne ou Sidra(cada um faz sua feta do jeito que pode, ou melhor, do jeito que seus bolsos suportam, ou melhor ainda, do jeito que o ICMS, o CPMF, o IR, IPTU, IPVA, etc permitem), roupas brancas para os tradicionais que insistem em pedir paz, rosas e vermelhas pra quem anseia amores e paixões no ano que se inicia, verde para os esperançosos, azul para os pretendentes a sábios, amarelo para quem no próximo reveillon quer passar da Sidra ao Pro-seco.

Mas quando tudo acaba percebemos que metade dos abraços eram falso, senão pelo menos eram diplomacia social, educação; os pedidos que apesar da possível veracidade não passavam de frutos da cana (ou seria das uvas ou das maças) e que as cores das roupas realmente influencivam muito...que o diga quem decidiu pedir paz e já entrou no ano novo guerreando contra sujeira que insite em permanecer nas suas vestimentas.

Mas eu ainda gosto da festa. Talvez seja porque passamos um ano inteiro achando que está tudo ruim ou pelo menos rotineiro, monótono e que precisamos renovar. Então, na nossa mania de acomodação, esperamos por um momento propício pra isso. Eis que chega: é o ano-novo! Sim! É ele quem trará tudo novo! Então, mais uma vez nos iludimos, festejamos o momento da renovação, e todo dia primeiro acordamos em um feriado, não trabalhamos, estudamos nem fazemos nada do tipo. Saimos da rotina, é algo novo, mas no dia 2 já estaremos novos pra fazer tudo velho depois da comemoração do novo.
Gaby BPR
Enviado por Gaby BPR em 14/01/2006
Reeditado em 16/05/2006
Código do texto: T98956
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Sobre a autora
Gaby BPR
Gana, 28 anos
10 textos (7097 leituras)
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Gaby BPR