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Discurso Formatura de Direito

"Não há nada como um sonho para criar o futuro".

Senhoras e senhores, Boa Noite!

Gostaria, inicialmente, de agradecer a presença de todos,
indistintamente. E, de forma muito especial saudar o senhor presidente
da Fundação Unoesc e vice-reitor de Campus, professor Genesio Téo,
autoridades que compõe a mesa e a extensão da mesa de honra,
homenageados, convidados, familiares e colegas bacharéis.
Nosso agradecimento especial à Comissão de Formatura, pelo seu incansável trabalho, sem o qual não seria possível a cerimônia que ora se realiza.
É, a um só tempo, uma honra e uma grande responsabilidade a tarefa que me foi outorgada de, em nome dos meus colegas, dirigir-me aos presentes. Honra esta que agradeço e responsabilidade que espero suprir de forma prestimosa.
Há cinco anos e meio, surgia esta turma de Direito. Apenas calouros sem ainda cogitar os encantos e desafios que a faculdade reservara.
Logo nas primeiras aulas, O susto: Livros e mais livros, Xérox, artigos e as mais variadas formas de leituras. O que, para muitos de nós não era um hábito, tornou-se rotina nos semestres que se seguiram. Foram nestes cinco anos e meio em que, certamente, lemos o maior número de livros até hoje. Ainda que, muitas das bibliografias a nós concedidas não tenham sido seguidas à risca... verdade seja dita!
Neste universo de acadêmicos de Direito, quantas vezes não nos flagramos citando um doutrinador como se íntimo nosso fosse: Damásio diz isto... Tourinho aquilo... Ah... Mas é do entendimento do Sílvio que... E assim por diante. É claro que, vez em quando, na angústia da dúvida, talvez recorrêssemos às tais malfadadas sinopses. Com a desculpa clássica: “lá está tudo tão resumido!“
Quem um dia iria pensar, quando das aulas iniciais, que em nossas monografias faríamos alusão a Kelsen, Aristóteles, Bobbio, entre outros tantos que nos atormentaram a faculdade inteira? Pois é, chegamos, com méritos, ao nível de Bacharéis.
Falo com méritos, pois que, foram noites em claro estudando para uma prova, ou terminando trabalhos, sem contar os feriados e o pouco tempo livre gasto com a busca pela resposta de algumas questões de direito, ou mesmo na confecção de peças fictícias. Claro que o resultado compensou o esforço, mas foi preciso um jogo de cintura quase performático para conciliar tudo – família, emprego, faculdade, atividades extras, diversão.
Mas valeu a pena. Parafraseando o pensador Gerhard Erich Boehme:
“Quando você tem uma meta, o que era um obstáculo passa a ser uma das etapas do seu plano.” Etapas estas que, por mais árduas, nos moldaram para nossa futura carreira seja ela direta ou indiretamente ligada com o Direito. Confio sim, que dentre nós, teremos notícias de grandes profissionais, justos e éticos.
Alguns dos responsáveis para que estes obstáculos fossem mais leves foram nossos familiares, nossos pais, companheiros e irmãos que, em mais do que uma situação, tiveram que lidar com mau-humor repentino, estresse pré e pós avaliações ou mesmo serviram de socorro na hora de ensaiar alguma apresentação. Este elo familiar foi o que nos deu forças para seguir em muitas das ocasiões em que o tentar resultava em nada e a desistência iminente. Vocês, familiares, foram o impulso e a energia de nossos passos. Sem a sua fé incondicional em nosso potencial não seríamos capazes de nos manter sãos, ou quase, nesta jornada. Um muito obrigada é pouco demais para o que a sua presença representou para esta vitória que alcançamos agora.
Além dos familiares, outros dos que contribuíram para nosso crescimento durante o curso foi o corpo docente desta faculdade. Estas pessoas que nos aturaram aula após aula, cada qual com seu estilo e qualidades - alguns mais entusiastas, outros instigadores, ou mais enérgicos, ou ainda, com um coração do tamanho do mundo. Sempre repassando seus conhecimentos jurídicos a estes acadêmicos aflitos pelo saber, ou, dependendo do dia, nem tanto, seja contando “causos”, através de trabalhos, ou de provas que, muitas das vezes, sabíamos com antecedência que “Jesus ia chamar”.
Simon Bolivar possui um pensamento que assim expressa: "O educador deve ser não um sábio, mas sim um homem diferenciado para sua educação, pela força de seus costumes, pela maturidade de seus modos, jovial, dócil, acessível, franco, enfim, em quem se encontre muito que imitar e pouco que corrigir." E foi exatamente isto que vocês mestres nos forneceram, exemplos, não apenas teóricos, mas de postura perante a vida. Só nos resta agradecer a toda dedicação, amizade e zelo a nós despendidas. Pensem numa turma grata, mas pensem...
Esta Turma, bem, não há como passar em branco neste discurso. E ressalto que de todo o tempo que passamos juntos é o que sentiremos mais falta. Daquelas trocas de idéias nos intervalos, antes, depois e durante as aulas que variavam das mais tolas besteiras até as mais sérias das discussões de direito. Do apoio que nos demos durante os instantes mais complicados de nossas vidas, quando somente uma boa conversa, ou mesmo um silêncio em companhia daquele amigo era capaz de acalmar a balbúrdia interna.
A saudade pesa mais quando nos voltamos às risadas após o comentário despretensioso do colega, que perde o amigo, mas não a piada. Ou quando nos lembramos das manias de cada um, da forma como criamos laços com estes estranhos, tão importantes agora.
Dói pensar que não iremos mais compartilhar do dia a dia deles. Afinal, tivemos surpresas tão agradáveis nesta turma, romance, bagunça, casamentos, filhos, colegas passageiros, companheiros de trajeto e profissão e, o maior dos presentes, amigos para uma vida inteira.
Sabemos que não é um adeus, ou algo mais definitivo, só que ainda incomoda pensar que a faculdade passou de algo presente para “na época da faculdade”. Incômodo este que se transforma em suposições do que deveríamos ter feito de modo diverso. É ao final que divagamos: como só fui conhecer melhor aquela pessoa agora? Deveríamos ter feito mais festas da turma, mais jantas, mais tantas coisas, e agora não há tempo. Como não nos demos conta que o tempo pode ser cruel, acelerar tanto quando dele precisamos?
Digo, no entanto, que apesar dos pesares, não haveria como passarmos por esta experiência da mesma forma sem a presença de cada um de nossos colegas. Pois cada um, com seu encanto singular, contribuíram para a pessoa que hoje nos tornamos. Não há maior benção do que fazer parte da evolução de uma pessoa. Passamos por esta juntos, e por isto seremos eternamente gratos.
As experiências vividas nesta Universidade foram os degraus para alcançar o que nos propomos para o futuro. E do que mais poderia ser feito o futuro senão de um passado de sonhos? Como dito ao início: “Não há nada como um sonho para criar o futuro”.
Quanto às dificuldades que iremos encontrar pela frente? Provavelmente, serão muitas. Mas, e daí? Deste processo elas serão apenas mais algumas etapas. Sonhar já ousamos, iniciar a conquista também. Agora, é só seguir. Continuar com a mesma garra e coragem a perseguir este sonho.
Pois hoje temos a certeza que finais e inícios coincidem. Aqui, neste momento há um paradoxo nos sentimentos de cada formando. Pois, permanece uma saudade pesada, sentida, das lembranças, dos amigos, do próprio cheiro da faculdade. E esta saudade, misto de tristeza e alegria, grita em nossas almas. Enquanto, ao fundo, existe uma voz suave clamando pelo novo; Que nos avisa: “Hei! Agora é a hora. A ocasião pela qual tanto batalhou, o princípio da carreira almejada.”
Sim, estamos terminado uma fase maravilhosa de nossas vidas. Foi graças ao tempo despendido nela que conquistamos o direito de prosseguir. E de prosseguir com uma bagagem de conhecimentos, de pessoas e de vivências essenciais para nosso futuro.
Ao final desta jornada acadêmica, quero expressar aos meus colegas o sincero desejo de que cada adversidade torne-se um estímulo; cada insucesso, uma lição; cada novo dia de trabalho, a recompensa divina aos seus esforços; cada vitória, não uma glória efêmera, mas uma página de uma longa história de dedicação à causa da Justiça. Sejam felizes na atividade que irão exercer e lutem diuturnamente por aquilo em que acreditam.

Muito Obrigada!
Karla Hack dos Santos
Enviado por Karla Hack dos Santos em 18/08/2008
Reeditado em 16/12/2008
Código do texto: T1133969
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Karla Hack dos Santos
Xanxeré - Santa Catarina - Brasil, 29 anos
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Karla Hack dos Santos



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