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a verdade não tem tradução

Sabes, sou muito parecido comigo o que, como deves calcular, não me leva a grandes conclusões. Hoje resolvi fazer em público este discurso e até cheguei a ter o título para o mesmo "a cena da meia centena", discurso que até escrevi...
Agora também tenho um nome "a verdade não tem tradução", uma ideia. Também é importante ter uma linha a traçar um rumo, uma orientação apontada ao horizonte, uma direcção. Resolvi falar de mim, como se, de algum modo, isso fosse falar de tudo o que escrevo, explicando em abstracto o concreto: deixar-me figurar assim...
Falo mudo para dentro do mundo, sou a realidade que resulta das palavras. Conheço-as como as minhas mãos, toco-as antes de segurar nas coisas. Há na minha personalidade um dramatismo inato, oiço o eco oco do silêncio a projectar a fala: mesmo sem som oiço-me a falar!
Quanto à tua pessoa, tanto ou mais importante que a minha, invento-a como a descubro em cada diálogo de algo que acontece ou aconteceu, és tu, sou eu, somos todos... É um pouco a explicação das sombras nos corpos, nunca sobram, têm a sua própria autonomia, apenas dependem da luz.
Gosto de dizer o que não tem tradução, deste modo digo tudo e não me obrigo a dizer nada, basta falar a verdade: sou uma espécie de oráculo. Como fiquei de falar sobre o que escrevo, vou escrever o que já hoje escrevi:

S_almo...
"Elevo os meus olhos para  os  montes;
de  onde  me  vem  o socorro?" (Salmos 121:1)
 
elevo os meus olhos para os montes
antes de começar o poema
e acompanho a sua inclinação
até ao mar
 
a luz do Sol
espelha-se nas águas
com reflexos brilhantes
prontos para serem coloridos
 
vêm aí o crepúsculo
já o dia prepara o anoitecer
quando este acontecer
memorizo...
 
até ao mar...
vêm as palavras como ondas
onde ando agora
vindo de ler - uma frase dos Salmos!

Resta-me agradecer a quem me ler, redobrar agradecimento a quem me escreve, não esquecer quem vota e desse modo inscreve uma opinião.
Quando o dia chegar, desejo um Bom Dia, enquanto a noite durar, uma Boa Noite, durante a manhã, uma Boa Manhã, há tarde vou desejar, uma Boa Tarde, até chegarmos ao momento: um Bom Momento!...
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 16/05/2005
Reeditado em 21/05/2005
Código do texto: T17368
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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