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O SETE DE SETEMBRO NOS DIAS ATUAIS

O SETE DE SETEMBRO NOS DIAS ATUAIS

LUIZ EDUARDO CORRÊA LIMA
                   
                   Nós brasileiros, de um modo geral, ainda não nos apercebemos do fato de que: “para melhorar nosso país, precisamos abrasileirar o Brasil” e que, para tanto, um pouco de civismo e de brasilidade serão ferramentas necessárias e fundamentais. Lamentavelmente, nossa postura moderna como povo, imita os americanos em quase tudo, infelizmente apenas no alto grau de patriotismo e de civismo que os americanos possuem é que nós não os imitamos. Quer dizer, deixamos de copiar os americanos naquilo que eles fazem de melhor, ou seja, na sua visão nacionalista das coisas, no seu patriotismo e na importância que eles reputam ao seu país e, curiosamente, copiamos somente o que não é bom para nós.
No feriado americano de 4 de julho, Independência dos Estados Unidos, os americanos fazem festas fantásticas, pois eles sabem o verdadeiro valor da independência de seu país. Independência que, lá foi conseguida com muita luta, ao contrário daqui, onde foi decretada pelo próprio imperador. Entretanto, isso não a torna menos importante. Aqui, infelizmente, o dia 7 de setembro é apenas mais um feriado e, pior ainda, quando cai numa segunda ou sexta-feira, como é o caso desta feita, pois a grande maioria das pessoas aproveita o “feriadão”, mas ninguém se lembra e nem discute a importância da data que concede direito ao feriado.
No passado recente, principalmente, mas não exclusivamente, na época dos governos militares, as coisas não eram bem assim, pois as comemorações cívicas aconteciam de maneira mais efetiva e efusiva. Parece que, apesar das dificuldades políticas, as pessoas demonstravam mais orgulho em ser brasileiro. Na verdade, naquelas épocas, havia efetivamente mais motivos para se orgulhar do que hoje. Entretanto, essa é outra história que não cabe ser discutida no momento.
Alguns dirão, mas no governo militar, na época da ditadura, as coisas eram impostas e os militares tinham, por obrigação, que marcar as datas cívicas e quem não cumprisse as regras seria considerado “comunista” e sabe-se lá o que poderia acontecer. Cabe lembrar, mais uma vez, considerando a analogia com os americanos, que nos Estados Unidos não há e nem houve governo militar e muito menos os “terríveis comunistas”. Ainda assim, há ao contrário daqui, muito senso de nacionalismo e muito prazer em comemorar as datas cívicas, em falar das coisas e dos feitos do país e destacar os seus grandes personagens históricos.
Lembro-me que quando eu era menino, cantar o Hino Nacional nas escolas e hastear a Bandeira Nacional, não eram atividades exclusivas do dia 7 de setembro, pois isso ocorria todos os dias, antes das entradas dos alunos às salas de aulas. Cabe ressaltar, que todos os alunos cantavam o hino e havia até uma competição, para ver quem iria hastear a bandeira. Só os melhores alunos conseguiam atingir tal façanha. Hoje, no entanto, é possível e até bem provável, que muitos alunos saiam da escola sem saber a letra do Hino Nacional Brasileiro e, o que é pior, sem nunca terem visto e muito menos participado do hasteamento da Bandeira Nacional.
Outros hinos e canções cívicas, que guardam e que identificam determinadas datas ou símbolos nacionais,estaduais ou municipais se quer, são ouvidos nos dias de hoje. Isto é, a maioria das pessoas, principalmente os jovens, nem sabe que eles existem. Aliás, tenho um misto de dúvida e de medo da resposta que um aluno de hoje daria se lhe fosse perguntado, por exemplo: o que é um símbolo nacional?
Aqui em Caçapava, quando fui Vereador, tentei minimizar um pouco essa falha e tive o prazer de propor e aprovar um Projeto de Lei que passou a obrigar a execução do Hino de Caçapava, após o Hino Nacional Brasileiro, em toda Solenidade Oficial do Município (Lei Municipal 3973/2002). Mas isso ainda é muito pouco, precisamos nos preocupar mais com nossos símbolos em todas as esferas do poder.
O desfile cívico do dia 7 de setembro, que antigamente era obrigatório às escolas, hoje, infelizmente, não existe ou, quando muito, é facultativo. Em consequência disso, pouca gente vê ou participa do mesmo. Não há mais aquela efusão das pessoas.
 A Independência do Brasil é o marco maior da História Brasileira, ela foi o sonho dos inconfidentes, foi o desafio pátrio de Dom Pedro, que, mesmo sendo português, houve por bem tirar o Brasil do domínio de Portugal. Que acontecimentos o teriam levado a proclamar a Independência? Os motivos que culminaram com a Independência, hoje são meros relatos nos livros de História, que os alunos ouvem e esquecem logo depois. Parece até que esses motivos não têm nenhuma relação efetiva com a vivência dos dias atuais, o que é um erro lamentável, pois a História é um eterno continuar e é somente conhecendo o passado que se pode fazer o presente e projetar o futuro.
Um país que quer ser grande tem que comemorar suas datas cívicas. Talvez a situação problemática do país esteja relacionada, de alguma forma com a falta de civismo. Se fôssemos, efetivamente, levados a conhecer e a amar os símbolos nacionais, provavelmente certos problemas não fossem tão sérios, ou melhor, talvez até nem existissem esses problemas. Por outro lado, até a escolha dos políticos seria feita dentro de padrões mais coerentes, se também fosse considerado o grau de civilidade do candidato. Com certeza, agindo assim, possivelmente não teríamos elegido muitos candidatos de má índole, como infelizmente temos feito.
Pois é, enquanto continuarmos a achar que o dia 7 de setembro é só mais um feriado, estaremos adiando a nossa verdadeira independência, que está acima das questões econômicas, políticas e sociais. Refiro-me a independência moral, aquela que nos coloca à frente das questões que nos afligem de uma forma explícita e que só conseguiremos alcançar se tivermos uma postura ética e determinada, em relação aos problemas brasileiros. Abraham Lincoln disse: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país?” Pois é, essa é a idéia de um americano que deveríamos copiar. Sugiro que comecemos valorizando e festejando, de fato, a nossa principal data cívica, o dia 7 de setembro, porque assim já estaremos pelo menos propensos a fazer algo pelo Brasil.
Não quero com isso, sugerir o impedimento das pessoas de realizarem suas atividades e aproveitarem o feriado de 7 de setembro. Quero sim, que elas parem e pensem no significado desta data e no porquê da data ser Feriado Nacional. Os americanos fazem festas no dia 4 de julho, pelo simples fato de ser dia 4 de julho e nós, quantas festas realizamos pelo fato de ser dia 7 de setembro? Se quisermos chegar lá, no nível em que eles estão, é preciso começar por aqui, pela demonstração de nosso patriotismo. O primeiro passo é sempre o mais importante e o mais difícil.
Um país que não comemora suas datas cívicas possui uma nação que não tem sentido e que não se identifica com a terra onde nasceu. Somos brasileiros, nascemos no Brasil. Então, vivamos toda a brasilidade possível, pois só assim seremos um país forte, independente de quem esteja no governo. Só assim poderemos abrasileirar o Brasil e atingir finalmente a nossa Independência.
Meus amigos creiam em mim. O sonho brasileiro de felicidade passa por viver necessária e efetivamente suas datas cívicas. Feliz 7 de setembro Brasil.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (53) é Biólogo, Professor, Escritor e Ambientalista;
 Membro da Academia Caçapavense de Letras, foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava.
(Discurso proferido na Sessão Solene da Câmara Municipal de Caçapava do dia 7 de setembro de 2001 e atualmente modificado para esta publicação).

Prof Luiz Eduardo
Enviado por Prof Luiz Eduardo em 06/09/2009
Código do texto: T1795264
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Sobre o autor
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Caçapava - São Paulo - Brasil, 58 anos
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