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A saudade realmente dói?

Uma bolha de sanque no dedo mindinho da mão esquerda é algo desesperadamente doloroso e terrível para alguém cujo trabalho, cuja carreira se concentra nas mãos... "E sem o seu trabalho/Um homem não tem honra/E pela sua honra/Se morre, se mata(...)" Porém, existe algo bem mais indesejável para esse mesmo homem: sair da vida de alguém sem deixar lágrimas, saudades. Isso sim é um castigo avassalador.
Há quem diga que deitar lágrimas por alguém que não temos por perto é supérfluo, um desperdício de dor e melancolia. Eu, por minha vez, encaro como uma atitude única quanto à sua nobreza, coragem e sinceridade. Lágrimas nunca são covardes; elas não mentem. Nelas diluímos nossas culpas, medos, saudades, alegrias e tristezas. Da alma para os olhos, e a gravidade encarrega-se do resto, deitando no chão gotas agridoces, mas regando o solo para que nasçam flores alegres e coloridas, verdadeiros prenúncios de dias melhores que, certamente, virão.
Deus... Não permita que eu transite pelo mundo sem tocar a alma das pessoas... Não permita que eu delas me afaste sem que o coração se encha de compunção, lacerando-se... Faça-me acreditar que não vim ao mundo apenas para fazer número... Faça-me crer que não hei de esperar até minha morte para que sintam a minha falta...
Minhas lembranças tornam-se cada vez mais distantes e apagadas... Como uma foto preto-e-branca desbotada, cujos personagens vão sendo apagados pela ação do tempo... Já não posso sentir muitos cheiros, não posso lembrar de muitos sorrisos... Os sorrisos... que sei que foram dados para mim, como um anel de turquesa, para que os raptasse e escondesse em minha alma, qual um ladrão furtivo e ambicioso... E eu... falhei. Minhas lembranças, verdadeiras pedras preciosas,jóias raras que jurei proteger e guardar, foram roubadas... e a mim só me restam vultos e incertezas.
Deus... Perdoe-me pelos beijos que não dei, pelas palavras de amor que o orgulho engoliu, pelos abraços que negligenciei, pelo pôr-do-sol que subestimei, pelas dores que causei.
Dizem que os grandes homens só são reconhecidos quando morrem... O que me deixa feliz.
Afinal, não sou um grande homem.
Thiago Salinas
Enviado por Thiago Salinas em 02/07/2005
Código do texto: T30432
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Sobre o autor
Thiago Salinas
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
40 textos (15564 leituras)
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Thiago Salinas