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Anta Nordestina

"Câmara impenha-se (sic) no combate à exploração sexual". O autor desse discurso, que já em seu título se mostra um atentado ao idioma pátrio, é ninguém menos que o Presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti.

A maturidade tem-me ensinado a ser mais cauteloso com minhas críticas, a considerar sempre os dois lados da questão. Mas, em se tratando de Cavalcanti, não há meio-termo. Não há desculpa. Trata-se de um imbecil, um oportunista, nepotista descabido, que fala o que não deve, age em seu próprio interesse, e parece ter o intuito de desestabilizar a República. O que não é nada interessante para nós, visto se tratar do terceiro cargo mais importante do país.

Como chegou lá? Nada muito difícil. Prometeu aumentar o subsídio dos deputados, inclusive equiparando-os com o dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Como o bolso do chamado "baixo clero", do qual Severino é líder, parece falar sempre mais alto que os reais interesses da nação, ele foi eleito com folga, derrotando, inclusive, o candidato da base governista.

De lá para cá, só fez besteira. Conseguiu, em pouco mais de dois meses, contrair o repúdio da opinião pública, ocupando cargos com seus parentes e afetos, (e dizendo estar certo, como se ainda fizesse um favor para todos), ameaçando o rompimento com a base e o trancamento de pautas, caso seu partido não fosse favorecido com ministérios. Acessando a mídia apenas para saber se estão falando mal dele. Embargando as leis que tratam de questões polêmicas, e emitindo sua opinião sempre como se fossem as mais claras e definitivas possíveis, quando, na verdade, são pensamentos velhacos, obsoletos, e sem um mínimo de abertura e adequação aos dias atuais, e à corrida tecnológica e científica da qual o Brasil capitalista deve fazer parte, sob pena de escravizar-se ainda mais.

E, num exemplo de aritmética, aumentou em quase duzentos milhões de reais o gasto da máquina pública com os funcionários da Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que rejeitava o aumento de impostos dos prestadores de serviço. Gastar mais, e arrecadar menos. Que raciocínio brilhante! Claro que ele só fez isso porque estava certo de que o dinheiro não sairia do ânus dele.

Não se pode, nesse ponto, negar que trata-se de um homem de personalidade. Ao contrário dos outros políticos, que fazem o que querem e se mostram cordeiros indefesos, ele esfrega as suas ambições em nossos rostos suados do trabalho diário. E não faz questão nenhuma de esconder que é um canalha.

A direita ainda tenta reverter a situação, comparando Lula e Severino, "quanto ao seu passado, sua origem pernambucana, sua pouca instrução..." Quanto a isso, basta lembrar que Lula é um líder de intelectuais, professores universitários, e pessoas de extrema capacidade que integram o Partido dos Trabalhadores. Enquanto que Cavalcanti, pano de fundo na conjuntura política do país (mesmo estando há quarenta anos no Poder Legislativo!), resumiu-se a ser depositário de idéias conservadoras, e, quando muito, absolutamente ridículas e improdutivas.

Isso porque ainda faltam vinte e dois meses para o fim de seu biênio. É bom que o Estatuto do Desarmamento seja aprovado até lá, pois eu não duvido nada que um cidadão mais esquentado, indignado com tantos absurdos, descarregue um trinta-e-oito no peito do Presidente da Câmara. Tem louco pra tudo. Se houve trezentos loucos que elegeram essa Anta para tão alto cargo... E enquanto o mandato não acaba, ele promete continuar se "impenhando" no combate à nossa paciência e indignação.
Thiago Salinas
Enviado por Thiago Salinas em 02/07/2005
Código do texto: T30467
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Sobre o autor
Thiago Salinas
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
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Thiago Salinas