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DISCURSO DE ENCERRAMENTO DO ANO LETIVO DE 1989 NA ESCOLA “MATER ET MAGISTRA”

DISCURSO DE ENCERRAMENTO DO ANO LETIVO DE 1989 NA ESCOLA “MATER ET MAGISTRA”


São Paulo, 10 de dezembro de 1989.

Senhoras e Senhores

Agradeço a todos a oportunidade que me concederam de aqui estar, e, como a ocasião propicia momentos de reflexão, gostaria de, com o consentimento de todos vocês, levá-los a comigo pensar, à guisa de devaneios e sem a pretensão de ser o dono de toda a verdade.

Acredito e às vezes manifesto minha forma de pensar às pessoas, de que a solução de todos os problemas pelos quais atravessa o país, passa necessariamente por uma generosa aplicação de recursos na educação, por parte dos governantes, e quiçá após algumas gerações, possam os nossos descendentes colher melhores frutos.

Soa um pouco pessimista, talvez, tal forma de pensar, mas sem querer parecer erudito (ou coisa que o valha), encontro em pensadores, como Montesquieu, por exemplo, raízes que alicerçam esse raciocínio.

A grandeza de uma nação começa na formação do seu povo, através de uma boa educação, só assim poder-se-á, escolher sua forma ou regime de governo, e dependendo de qual seja, a educação terá determinada sua linha de conduta.

“As leis da educação são as primeiras que recebemos. E, como elas nos preparam para sermos cidadãos, cada família particular deve ser governada de acordo com o plano da grande família que abrange a todas.

Se um povo em geral possui um princípio, as partes que o compõem, isto é as famílias, também o terão. Portanto, em cada tipo de governo as leis da educação serão diferentes.

Nas monarquias terão por objeto a honra; nas repúblicas democráticas a virtude; no despotismo o medo.

Nas monarquias, não é nas escolas públicas que se instrui a infância, que se recebe a principal educação: a educação começa de alguma maneira quando se participa da vida. E aqui está a escola do que chamamos honra, esta preceptora universal que deve, em toda parte, nos orientar.

Como na monarquia a educação não se aplica senão em enobrecer os sentimentos, nos estados despóticos (hoje as ditaduras) ela procura apenas aviltá-los.

Cumpre nesses estados que a educação seja servil.
Será uma vantagem ter tido semelhante educação, mesmo no comando, pois aí ninguém será tirano sem ser ao mesmo tempo escravo.
A extrema obediência supõe ignorância em quem obedece e mesmo em quem comanda.

Nos estados despóticos, cada casa é um império separado. A educação, que consiste basicamente em viver com outros, é, portanto muito limitada: reduz-se a introduzir o medo no coração e a conferir ao espírito alguns princípios muito simples de religião”.

E, porque se esmeraria o estado em dar uma boa educação, e após, ter no cidadão alguém que viesse a ameaçar o próprio governo?

Portanto, a educação nessa forma de governo, é de alguma maneira nula. Precisa tirar tudo a fim de dar algo, e para formar um bom escravo, começa por formar um mau súdito.

É no governo democrático e republicano que se tem necessidade de toda a força da educação.

O temor dos governos despóticos nasce de si mesmo, entre as ameaças e castigos; a honra das monarquias é favorecida pelas paixões e favorece-as por sua vez. Mas a virtude política é uma renúncia a si próprio, o que é sempre algo muito penoso.

Podemos definir essa virtude como o amor às leis e à pátria. Esse amor exigindo sempre a supremacia do interesse público sobre o interesse particular produz todas as virtudes individuais.

Esse amor (às leis e à pátria) é característico das democracias. Somente nelas o governo é confiado a cada cidadão.

Ora? O governo é como todas as coisas do mundo: para conservá-lo é preciso que gostemos dele.

Tudo depende, portanto, de implantarmos na república democrática esse amor, e é para inspirá-lo que a educação deve estar atenta. Mas para que as crianças possam tê-lo há um meio seguro: é que os próprios pais a possuam.

Somos geralmente senhores em incutir em nossos filhos nossos conhecimentos, e ainda mais para incutir neles nossas paixões.

Não é a nova geração que se degenera, isso só acontece quando os homens maduros já estão corrompidos.

Recebemos três tipos de educação diferentes ou complementares: a de nossos pais, a de nossos mestres e a da sociedade. O que nos é dito na última destrói todas as idéias das primeiras, caso não estejam elas bem sedimentadas.

Cumpre, portanto, senhores que sejamos também responsáveis, participando ativamente da educação de nossos filhos, que coloquemos a família no mais alto pedestal, porque é dela que emana o esteio da sociedade e da pátria.

Temos hoje no nosso país uma geração inteira comprometida, onde a deficiente educação fez com que agora tenhamos ineficiência nas pessoas de que o país ora tanto precisa. E como podemos prever o futuro, se a formação começa a se deteriorar já com sucumbir da família, que é seu principal alicerce, diante dos mais simples obstáculos, denotando, portanto, a fragilidade do caráter, da honra e demais valores que tornam possível a vida em sociedade e de forma co-responsável?

Caros amigos, eu não pretendia me alongar tanto, mas creio que deveria fazê-lo nessa oportunidade de final de ano letivo, quando também ares de política encontrando o seu caminho se pode perceber no país, mesclando-se à estonteante situação econômica que vivemos e desnudando todas as contradições de nossa sociedade.

Agradecemos em nome de todos os pais, à escola Mater et Magistra, que, através de sua diretoria, corpos docente e discente, cuja nossa confiança depositada em suas responsabilidades de educadores, para que, com nosso esforço conjunto, pudéssemos dar a continuidade da formação deles fora do nosso lar e preparação para a vida em sociedade, e, Deus queira deles possamos sempre nos orgulhar, e dizer do privilégio de tê-los tido como também preparados com a contribuição dessa casa.

Essa é a mensagem que eu, na qualidade de Presidente da Associação de Pais e Mestres, queria trazer a vocês.

Se me permitem, gostaria também de dedicar esse discurso à minha dedicada esposa Sônia, formadora comigo também da linha de frente da missão de nossa família, e aos meus filhos Thiago Gaspar e Juliana Regina, que no futuro, tenho certeza, conseguirão daqui deduzir princípios e lições que também lhes auxiliarão nas suas caminhadas.

Muito Obrigado,
Marco Antonio Pereira
Marco Antonio Pereira
Enviado por Marco Antonio Pereira em 06/05/2012
Reeditado em 18/01/2013
Código do texto: T3652638
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Antonio Pereira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 61 anos
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Marco Antonio Pereira



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