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Ser diferente é normal?

“Ser diferente é normal”,  essa é a frase da moda. Também pudera, depois de tantas manifestações culturais, tantas ideologias e estilos diferentes que vimos e que deixam alguns resquícios até hoje, ser diferente realmente é normal. Não nos espanta ver um hippie do lado de um skin head ou um gordo do lado de um magro. Muito menos um miserável do lado de um milhonário. Aliás, espanta sim. Alguém pode pensar que o miserável tentará roubar o milhonário. Roubar o que lhe foi roubado muito antes de ele ter nascido.

A frase citada está em uma propaganda onde mostra um velho, um negro e uma menina com Síndrome de Down. Deve ser uma tentativa de acabar ou amenizar discriminações. Mas é incrível, eles conseguem acentuar essa condição de “diferente” ainda mais. É como se falassem “Olha, eles são diferentes de nós, brancos, jovens e saudáveis, portanto sejamos bonzinhos com essas pobres criaturas que tiveram a infelicidade de nascer diferente de nós.” Explicitam essa discriminação travestindo-se de nobres samaritanos.

Sim, todos somos diferentes. E iguais em nossa diferença. Um garfo é tão diferente quanto uma faca. Um negro é tão diferente quanto um branco. Mas mesmo com essas diferenças, os primeiros não deixam de ser talheres e os segundos não deixam de ser pessoas. Não se pode querer igualar tudo, pois nada é igual a não ser o nível de diferença. E pra que querer igualar? As coisas são boas diferentes. Não é possível comer um pedaço de carne apenas com um garfo e desprezando a faca. Que monotonia seria se tudo fosse igual. Nada evoluiria. Ninguém pensaria de jeito diferente e não haveriam discussões nem melhorias. As diferenças, que muitos vêem como mal, vêm para bem.

Tratar as pessoas igualmente também não é algo bom. Se uma pessoa é sensível e gosta de ser tratada com palavras dóceis não irá gostar de ser tratada como uma pessoa que não se importa com palavras rudes. Do mesmo jeito, um velho não irá gostar de ser tratado como um garoto. Um homem ele nunca deixou de ser, mas com certeza é muito mais que simplismente um rapazote que se considera um homem apenas porque completou 18 anos; Um negro não gostará de ser tratado como um branco, pois ele não o é. O negro, com seus atributos físicos, culturais e espirituais tão diferentes de um branco, é o que é, com todo seu suingue, gingado e capacidade de adaptação que um branco normalmente não tem. NORMALMENTE. O que é válido também para os outros casos, pois não se pode generalizar nada.

Se os contrários são válidos, observamos também que com tudo tão diverso, a juventude se esforça para tornar-se diferente entre si. Dentro da moda é claro, pois ser diferente é normal. E o normal é estar na moda. Estar na moda é ser normal, quem não está é estranho, e não diferente. Com todo esse joguete de pré-aceitação da sociedade, o jovem escolhe um grupo (ou o que é mais comum: um grupo o aceita) e com isso ele se diferencia dos demais grupos. E quanto mais ele se diferencia, mais ele se iguala ao “seu” grupo. Com isso, temos uma massa de grupos adolescentes iguais tentando se diferenciar. Mas mesmo aparentemente diferentes, as chamadas “panelinhas” também são iguais. Com o mesmo tipo de restrições e critérios, sempre mascarados por um estilo de roupa que normalmente é definido pelo “estilo musical” que os membros se acostumaram a ouvir para obter a aceitação dos seus semelhantes.

Apesar de toda essa igualdade juvenil e diversidade cultural, as pessoas não conseguem perceber que elas são diferentes mas não melhores que os outros. E que problemas como a discriminação só serão resolvidos quando a mentalidade mudar, pois não é possível mudar uma situação sem antes mudar a mentalidade de quem a cria.
maisa ribeiro
Enviado por maisa ribeiro em 25/07/2005
Reeditado em 10/08/2005
Código do texto: T37607
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Sobre a autora
maisa ribeiro
Curitiba - Paraná - Brasil
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