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DESABAFO DE UM DETENTO

      Este texto foi escrito após uma conversa com um detento.  Escrevi em terceira pessoa, como se eu fosse um deles.
      Por conviver com pessoas desta classe, aprendi muito sobre eles  e acredito que muitos podem ser inseridos na sociedade. Pois, existe em todos um espaço inexplorado que às vezes nem chegamos a reconhecer.

                             DESABAFO DE UM DETENTO
 
      A sociedade discrimina o preso. Somos vítimas de um mundo irreal.
Nossas mentes rebeldes lutam contra o império das desigualdades sociais. Somos o retrato incongruente da vontade dos detentores do poder. Somos o que restou, a massa falida de uma sociedade desprovida de oportunidades. Somos crias desta mesma sociedade, que se diz cristã, mas de valores heterodoxos. Porém a mesma urbe que nos gerou, também nos marginalizou.
     Neste emaranhado de  noções e valores surge as questões: Por que o mundo é assim? Não somos todos filhos do mesmo Criador? Por que o ser humano se infimizou tanto a ponto de subjugar o seu irmão? Por que o ser pleno, espiritual, dotado de uma concepção univérsica deu lugar ao inseto rastejante, ao qual, enchemos a boca para chamarmos de "homem"? Quem, na face da terra, pode se dizer melhor do que o próximo, com quem divide as mesmas mágoas, angústias e sofrimentos da vida humana? Temos, então,  que aceitar a sina de sermos rotulados de escória do mundo, por causa de erros que cometemos e que a sociedade nunca esquecerá? Será que iremos carregar até o túmulo a marca de marginal, atentadora dos "costumes vigentes"? Clamamos à sociedade que dipense um pouco do seu tempo com os seus filhos órfãos, que se multiplicam pelos estabelecimentos carcerários de todo o mundo! Somos os criminosos presos, mas os maiores crimes contra a sociedade são cometidos todos os dias e os autores impunes perambulam alegremente pelas ruas.
     Por que antes de sermos criminosos, somos, também, seres humanos, carentes de um ombro amigo, seres que massacram os sentimentos benignos e dão vazão aos deletérios. Mas, que podem acreditar, no fundo do coração repleto de atrocidades cometidas existe um espaço inexplorado, de onde pode jorrar sentimento puro, como qualquer outro ser humano.


Leandro Ferbatty
Enviado por Leandro Ferbatty em 15/10/2007
Código do texto: T694835

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Sobre o autor
Leandro Ferbatty
Bom Despacho - Minas Gerais - Brasil, 33 anos
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Leandro Ferbatty