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CLIMA


Quadros, quadros. Pequenos mundos que não se prendem a dimensões físicas mas a própria vida do artista. Leonardo e sua Mona Lisa com seus cabelos e sorrisos inacabados, Degas e suas bailarinas com os músculos tesos, o esforço de congelar o equilíbrio de movimentos em poses impossíveis. Braque e seu jogo de sobreposições com elementos dispostos aleatoriamente para olhos desavisados mas longos estudos para olhos mais cuidadosos. Mondrian com a condensação da geometria. Não é um acaso que Mondrian começou com árvores, árvores frondosas, árvores em agonia, árvores sem folhas, árvores em grupo e terminou em quadros essencialmente geométricos. Picasso e seu exemplo clássico do touro que sai da sua forma original e se transforma em essência: Três linhas. Escher e suas figuras absurdas, o moto-perpetuo da água. Dali e seus relógios passados, amassados, dobrados, dependurados. O tempo ‚ um objeto totalmente manipulável. Calder e seus estudos arquitetônicos. Os impressionistas franceses, os expressionistas alemãs, os clássicos gregos.
Como não poderia deixar de admirar a arte?
As pinceladas são movimentos do artista congelada no tempo. As cores são as idéias, é o estado de espírito, a briga com a mulher, o gato que derrubou a tinta amarela na palheta azul. O mundo é lido por todos os olhos mas apenas o do artista o devolve. A cor tem sentimento, cada um a interpreta como deseja.
Amarelo. Um dia de sol bem forte sobre uma duna de búzios. A luz de muitos quadros, a tranqüilidade em seu tom mais ocre até o desespero no seu tom febril e vibrante.
Azul. A cor sem sal nem açúcar. O azul é toda a vida mas ao mesmo tempo é insípido. Azul anda nos mares, nos céus, na mente de quase todas as pessoas que desejam paz.
Vermelho. A força da briga, o elemento de contraste, a pulsação da vida. Sempre aparece muito pouco e deve ser usado com parcimônia. É no vermelho que o artista mostra o seu verdadeiro ser, a verdadeira face.
Tudo na vida ‚ uma combinação de amarelo + azul +/- vermelho. A arte é isso. A maneira de dispor as cores no espaço. Existe tela mais dinâmica que o próprio céu? Qual é a cor que não se vê no céu?
A cor tem brilho, contraste, clima. Elas fluem em ventos rodopiantes, espiralantes até se solidificarem em obras de arte. A cor não para. Como pequenos grãos ou minúsculas partículas nos bombardeiam e vibram nos quadros que são seu sustento. Não é atoa que as pupilas são pretas, são obrigadas a absorver todas as cores. Um olho verde vê o mesmo que um olho castanho? Por que de todos os elementos no nosso corpo os olhos são os únicos com a gama tão diversa de cor? Como se pode deixar de admirar os olhos de alguém? É sua própria identidade visual.
Por isso tudo amo a arte, o reflexo da íris de alguém em espelho para o mundo.
Lorenzo Giuliano Ferrari
Enviado por Lorenzo Giuliano Ferrari em 17/10/2007
Código do texto: T698282
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Sobre o autor
Lorenzo Giuliano Ferrari
São Paulo - São Paulo - Brasil, 54 anos
1817 textos (50958 leituras)
1 áudios (2457 audições)
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Lorenzo Giuliano Ferrari