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Escolhi como tema a alegria ( Discurso feito na inauguração do Laércio Fernandes)


Escolhi como tema a alegria (Discurso feito na inauguração do Laércio Fernandes)
Excelentíssimo Prefeito da cidade do Natal Sr. Carlos Eduardo Alves, Digníssima Secretaria de Educação Profª Justina Iva, Caríssima colega diretora Sene Xavier em nome de quem saúdo aos demais membros da mesa. Srs. pais, professores, funcionários e queridos alunos.

                              Boa tarde

               Começo citando Pe. Antonio Vieira: “Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras”.  Obras como esta que hoje nos acolhe: Escola Laércio Fernandes Monteiro. E não estou falando somente da belíssima estrutura física, mas da ação de todos que nela trabalham e com muita garra elevou o nome da instituição, contribuindo para tornar este sonho possível.  E é com o coração transbordando de alegria que vos falo e falo para o coração de cada um de vocês, porque um verdadeiro educador não joga palavras ao vento, mas as sopra ao coração dos seus educandos, através do exemplo e das suas ações, através da alegria e do prazer em saber que está a cada dia contribuindo para o engrandecimento e a formação de verdadeiros cidadãos.
             Para este dia tão especial escolhi uma palavra que reflete o sentimento de cada um que está aqui vivenciando esse momento. Nenhuma outra tão propícia quanto a alegria. Alegria de estarmos juntos; alegria de receber esse prédio tão lindo o qual oportunizará um trabalho que, devido à inadequação das instalações onde nos encontrávamos, ficava prejudicado, mas que agora poderá se tornar excelente, com certeza será excelente; alegria de ver estampada no rosto das crianças a esperança e o desejo de estudar numa escola de qualidade; alegria de ser um educador e de entender que a tristeza não poderá fazer parte da educação das crianças porque elas precisam do riso, da cor, do sonho. Precisam vivenciar esse sentimento em casa, na sociedade e na escola. Não deixemos, pois a tristeza invadir a alma desses meninos e meninas e, ainda alegria de ser professor, porque a alegria impreterivelmente tem que fazer parte da vida do verdadeiro mestre, apesar das adversidades o professor precisa ser alegre. Lanço mão então das palavras de Artur da Távola que com muita propriedade citou: “De que adiantará um discurso sobre a alegria se o professor for um triste?”. Triste pela desvalorização, pela incompreensão, pela carga de trabalho muitas vezes árdua? São tantos motivos para sermos tristes, mas por outro lado existem tantos motivos para a alegria. Somos pilares do saber, temos nas mãos nossos sonhos e muitas vezes dos nossos alunos, pois somos pais, psicólogos, juízes, amigos. Quem não se sentiu gratificado com um beijo de um aluno, com uma flor recebida na entrada da sala, com aquele: TIA EU TE AMO? Somos pra eles muito além do que a nossa imaginação nos permite pensar. Somos professores no mais puro sentido da palavra. Temos um ideal e acreditamos no nosso potencial. Estávamos numa péssima estrutura física, hoje estamos nessa escola imensa, linda, digna não de primeiro mundo, mas digna do nosso trabalho e da nossa comunidade escolar. Vislumbramos mil possibilidades e oportunidades, a concretude do meu sonho, do seu, do nosso sonho. Agora mais do que nunca precisamos pensar em resultados positivos, é preciso vontade, compromisso, responsabilidade e competência. Temos tudo isso, quantos não têm menos que nós? William Shakespeare muito sabiamente escreveu: Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.  Alegremo-nos então pelo que somos e pelo que podemos realizar. A escola precisa da alegria de vocês professores, funcionários, diretores, pais e alunos. A aprendizagem precisa disso. Uma escola de qualidade é aquela que apesar das adversidades a sua equipe desenvolve a capacidade de rir, de inventar, de buscar estratégias para driblar a tristeza e que, acima de tudo não permite que suas crianças se tornem apáticas e desacreditadas na sua capacidade de ser. É preciso cultivar a arte de rir, a ação escolar para ser válida não precisa ser sisuda, rígida, morta. É necessário brincar com as idéias, com a fantasia e com a imaginação. Esses elementos fazem não somente a alegria acontecer, mas a aprendizagem também.
                 Por fim quero agradecer a todos aqueles que acreditaram no meu trabalho, às pessoas da SME (Secretaria Municipal de Educação) que me indicaram para o cargo em 2003 quando a escola foi criada, à comunidade escolar que me apoiou nas decisões e nas ações durante cinco anos, ao prefeito e à secretária de educação por tornarem esse sonho possível. O resultado do nosso trabalho está aí, nas paredes, na presença de vocês, nos gestos, nas atitudes. Não houve alarde, mas é concreto, como foi possível conferir agora na IX JENAT.   Agradeço em especial à minha companheira de trabalho e amiga Sene Mesquita que aqui está para dar continuidade ao trabalho, e agora com melhores condições, mais oportunidades e muita competência. Desejo muito sucesso mesmo não fazendo mais parte desse convívio, pelo menos não fisicamente, pois o Laércio sempre estará no meu coração. E por fim citar um dos poetas que mais admiro e que reflete um momento muito particular da minha vida, Fernando Pessoa:
 “Há um tempo em que é preciso
 abandonar as roupas usadas
 que já têm a forma do nosso corpo
e esquecer os nossos caminhos
 que nos levam sempre aos mesmos lugares
 É o tempo da travessia
 E se não ousamos fazê-la
teremos ficado para sempre
 à margem de nós mesmos.

                   Obrigada e um beijo no coração de cada um
FATIMA MOTA
Enviado por FATIMA MOTA em 05/03/2008
Reeditado em 26/12/2009
Código do texto: T887625

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Sobre a autora
FATIMA MOTA
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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