PONTE

Há pontes que trespassam vales

e braços que acolhem vidas enclausuradas.

Um lago onde flutuam pensamentos

e um vácuo onde habitam desejos d’almas.

Há escuridão nas entrelinhas das palavras

e clareza nas faces que desfilam nuas em passarelas.

Um tom em semitom da voz presa na garganta

e u’a lágrima que banha lembranças q’escapam pelas frestas.

Há um tolo riso tolo em meio lábio

e um canto de rouxinol suspenso no ocaso.

Sutileza na disposição dos astros no espaço

e sapiência nos ventos que impulsionam os passos.

Há um ritmo nos ritos das memórias de aço

e asas que acenam um adeus em atalho.

Há a mão do tempo batendo nas janelas do tempo

e a esperança despertando sonhos que esperam enevoados.

Há um todo que se fragmenta em mil pedaços

e um fragmento sendo o todo de todos os lados.

Uma vela acesa onde a chama esperança dança a solidão

e um vulto que liberta as correntes do porão da ilusão.

Há a pressa que circula em circuitos fechados

e um olhar que enlaça languidamente o destino apresado.

Um encontro que encontra o ponto dos pontos facultados

e o caminho indicando os mistérios que serão ainda desvendados.

JP02022013

Aglaure Martins
Enviado por Aglaure Martins em 07/02/2013
Código do texto: T4128738
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