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          Esta publicação é uma homenagem comovida ao meu amado amigo NEWTON DE BONIS ARO, que tão precocemente nos deixou, aos 46 anos, em 12/06/05.
       Era um guerreiro, um ser iluminado, vestido de serenidade e amor.
       Saudades, amigo poeta!
       Kathleen 



Dueto improvisado e despretensioso entre New e eu.
Fizemos alguns.
O título deste surgiu-me quando resolvi publicá-lo aqui.


SÓ PORQUE HOJE É SÁBADO...


Kathleen querida

Só porque hoje é sábado
Fico baixando músicas antigas na Internet.
Talvez escreva um poema e, como já entrado nos anos,
Não mais me dou ao luxo de rasgá-los
E atirá-los às dríades ou aos sátiros
Guardo o pouco que escrevo em vários lugares
A idade traz o apego à cautela ...
 
Agora aprendo lentamente com o mundo
E penso que se há mais informação
Também há de haver mais lixo
Na proporção inversa do quadrado da mediocridade...
 
Talvez não haja muito mais a dizer
A não ser que toda mesquinharia
Foi, é e será tolice
E de tolices transborda o planeta.
 
E mais: num laivo de destemido improviso
Dizer às pessoas amigas
Que as amo, sem ego insuflado
Talvez porque hoje é sábado...
(E, com todos os incontáveis vícios,
perdoe-me Mestre Vinícius...)

Newton Debonis__SP 17/04/2004

* * * * *

Newton querido
 
E só porque hoje é sábado
Fico ouvindo músicas francesas,
Ou Roy Orbison em rock plangente,
Ou John Willians enfeitando cenas de filmes,
Nos ecos da madrugada, na hora dos bruxos e feitiços....
Na hora da Lua-Mestra e das Estrelas-Rainhas...
E leio versos e escrevo versos e cantarolo e danço,
Qual feiticeira das matas em dias de luar,
Transloucada e solta....pés descalços...cabelos em desalinho...
E me permito vagar por lembranças,
Alisar minha nostalgia,
Sorrir para as coisas que vivi,
Sorrir para os amigos que encontro,
Vivos e mortos,
Sorrir para as coisas que leio,
Às vezes de alegria, outras de ironia,
Às vezes por complacência e ternura,
Às vezes por prazer.
Quantas faces o sorriso!
Quantas faces temos quando estamos conosco mesmos...

E porque hoje é sábado
Deixo-me ficar ao acaso e ao nada,
Sem lenço, sem documento, mas com mil identidades,
Nos braços do amor,
Da saudade,
Da amizade,
Varrendo o comum,
A mediocridade,
O ato mecânico de se dizer "como vai?","oi"...

Brindemo-nos, New, com vinho tinto!

E porque hoje é sábado
(e sempre será sábado para você)
Vinícius gargalha e bebe seu uísque on-the-rocks
Sob o vento de uma Itapuã Celeste,
Braços abertos, mãos de acesso,
A te saudar, Newton querido,
Porque és poeta,
Porque és meu amigo,
Porque estamos passeando
De braços dados com a poesia!

Kathleen Lessa___São Paulo 17/04/2004




Fotos e montagem: kml
 

KATHLEEN LESSA
Enviado por KATHLEEN LESSA em 13/07/2006
Reeditado em 16/06/2010
Código do texto: T193508
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
KATHLEEN LESSA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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