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Caixa de Ferro

(dueto com Caótica)

Hoje eu vou dormir ao lado de uma caixa. Uma caixa de ferro. Uma caixa de cristal.
A iriei guardar como valor superior ao sono, superior a mim.
 
Porque quando medo chega perto e respira pesado ao pescoço, teu sussurro ainda ouço. Teus passos marcados, tua sombra na esquina. Tua presença atrás da minha cortina: Silhueta em claro-escuro, da cor dos meus olhos inseguros. Da cor dos meus sonhos ingênuos, dos meus pesadelos taciturnos.

Do suor das minhas mãos pingam gotas do seu perfume
Amargo...
É o gosto dos teus lábios ausentes, do teu não-ser, da tua presença em cada poro da minha pele, em cada gota de sangue que flutua, imaginaria.

No ar, eu te respiro como alma solitária. Na cama, me deito como amante do nada. Tenho nos lençóis tua inspiração. E no espelho, marcas de batom deixadas lá por boca secreta, por magia estranha de querer. De desejar distante... Tão perto... E tão longe.

Dorme aqui, sob meus brancos lençóis, apureza da tua libido e a luxúria doce da tua pele fina e suave. Dorme aqui, colado ao meu corpo, o fervor da tua inconstância, e o vital perfume dos teus segundos de contração.
Guardados...
Seriamente guardados em caixa de ferro.
Mesmo que de leve cristal.
Diogo Nunes
Enviado por Diogo Nunes em 15/11/2007
Reeditado em 01/11/2008
Código do texto: T738127

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Sobre o autor
Diogo Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 32 anos
48 textos (2576 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/08/17 16:34)
Diogo Nunes