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Os outros

Você espera se divertir muito lendo este texto, não é? Pois penso que vai se arrepender de tê-lo iniciado. Simplesmente porque você é o âmago dessa história. Surpreso? Está rindo? Acha que não te conheço? Que estou blefando? Ora, sei bem quem é você. Sim, você que está lendo neste exato momento. Não estou me dirigindo para qualquer um, como está pensando. Não para qualquer leitor. Estou falando com você mesmo. Ah, seu nome? Isso pouco importa. Seu nome não o torna especial ou único. O que determina a singularidade de sua identidade é o que está sentindo. Sei o que está sentindo. Você é o que sente e não o que pensa. Engana-se ao imaginar o inverso. O que está sentido agora o coloca no mesmo par de igualdade das bilhões de pessoas que também sentem a mesma coisa. O que pensa não interessa a ninguém, por isso sua genialidade não vale o que você come. Somente o que sente o posiciona nesse mundo, o único, pois não conheço mais nenhum outro. Você conhece? Apenas imagina que sim. Ah, você lembrou agora de Descarte: “Penso, logo existo”, não é? Essa frase é uma bobagem. Devem existir milhares de psicóticos ou esquizofrênicos que provariam facilmente a mentira dessa frase. Você deve ter feito a si mesmo centenas de vezes a pergunta: "quem sou eu?" E tenho certeza, jamais conseguiu respondê-la convincentemente. Isso porque você não é ninguém. Você é como um inseto pisado e esmagado, não fará diferença alguma pra ninguém, logo aparecerá outro para substituí-lo. Não se preocupe, você não é um inseto. Os insetos têm papel importante no ecossistema, você não. Você é menos que um inseto, menos que nada. Voltemos ao início, sim... ia dizendo... você é só o que sente e, se não sente nada, então... Está ofendido e indignado, não é? Não perca tempo, ninguém tá nem aí para estes sentimentos. Quer que o ache um coitado? Sim, acho-o um coitado. Se sente melhor? Ah, ah, ah!!! Você tem capacidade para sentir mais que isso. Chega a sentir raiva deste interlocutor? Já babando? Qualé?!! Deve sentir muito mais para existir. Você existe? Tem certeza? Quem disse isso? Eu??? Ah, ah, ah!! Como sabe? não sou apenas um eco de seu ego egocêntrico? Seu próprio pensamento inútil? Você não tem certeza de nada, não é? É porque você não existe, se existisse saberia. Como? Enxergando, ouvindo. O quê? Os outros. Ah, você não precisa dos outros? Que se danem eles? Ah, ah. Você depende dos outros para existir. Você é o que os outros sentem o que você sente, nada mais. Sou louco? Ah, ah!!!! Cadê você? Onde está? Não te vejo nem te ouço, você sente? você existe?
Marcelo Melero
Enviado por Marcelo Melero em 31/01/2006
Reeditado em 08/10/2008
Código do texto: T106458
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Sobre o autor
Marcelo Melero
Curitiba - Paraná - Brasil, 49 anos
38 textos (5705 leituras)
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Marcelo Melero