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NOSSA REDE DE ALIADOS

NOSSA REDE DE ALIADOS
Por J.B.Xavier

Todos nós, quase que indistintamente, cometemos o erro de atribuir nossas vitórias  apenas a nós mesmos. Acreditamos que somos apenas nós os responsáveis por elas. Já os fracassos costumamos dividir com alguém. São muito raros aqueles dentre nós que humildemente reconhecem o erro. Muito mais comum é atribuí-lo a outros, ou, no mínimo,  a fatores externos imprevisíveis. Quase nunca admitimos que nos enganamos em nossas análises  ou cálculos. Entretanto somos o resultado do esforço – ou da falta dele – de algumas pessoas, que, cada qual a seu modo, nos ajudam em nossa jornada pela vida. Esses aliados  são a base de nossas realizações. Sem eles não seríamos capazes de realizar nada.

Se observarmos com atenção, veremos que as pessoas felizes, bem sucedidas, que chegaram aonde pretendiam, têm ao seu redor uma vasta rede de aliados invisíveis que trabalha por elas as 24 horas do dia. São as pessoas que gostam delas, e que se lembram delas sempre que detectam uma oportunidade de lhes fazer o bem.

A extensão dessa rede invisível está diretamente relacionada com a facilidade que temos para tocar nossas vidas. O contrário também é verdadeiro. Pessoas reclusas, enclausuradas dentro de si mesmas, que não conseguem estabelecer facilmente essa rede, encontram muito mais dificuldades para se desvencilhar de problemas, e são, o mais das vezes, pessoas que perdem grandes oportunidades que nem chegaram a conhecer, porque nunca sequer foram a elas apresentadas.

Comecei a observar esse fenômeno já em minha juventude. Naquela época eu ficava intrigado com as coincidências que aconteciam com alguns amigos meus. Eles desejavam algo, e logo esse algo acontecia, milagrosamente. A impressão que eu tinha é de que o céu realmente conspirava a favor de certas pessoas e abandonava outras. E havia ainda Tim Maia, dizendo que “na vida a gente tem que entender que uns nascem para sofrer enquanto o outro ri.” Por todos os critérios de julgamento que eu dispunha há época me era completamente injusta essa situação. Por que alguns prosperavam, aparentemente sem esforço, e outros mourejavam de sol a sol num esforço baldado para colocarem de pé seus sonhos?

Meu espírito foi se desenvolvendo em meio a essa dúvida: Por que isso acontecia?  Por que algumas pessoas tinham tanta facilidade para ser felizes e outras não conseguiam seu intento, por mais que se aplicassem em seu objetivo?

Analisei todo tipo de explicações: metafísicas, esotéricas, exotéricas, científicas, filosóficas, éticas, e nunca pude concluir definitivamente sobre a questão. Se for verdade que Deus ajuda quem cedo madruga, então - pensava eu - as pessoas que se esforçavam mais, tinham que, necessariamente, se sair melhor no jogo da vida! Mas não era isso que eu via acontecer. Ao contrário, parecia que os valores estavam todos invertidos, e que quem se esforçava menos era justamente os que, via de regra, se saíam melhor na arte de viver. A maioria das pessoas sofridas queixam-se dessa ‘ inversão de valores’ .

Certamente, um dos meus erros de análise da questão prendeu-se ao fato de confundir esforço com realização. Esforçar-se não significa necessariamente gostar do que se está fazendo. Por outro lado, quem gosta do que faz, por mais que trabalhe, nunca acha que está se esforçando. Essa diferença é crucial para o entendimento da questão. Quem se esforça conscientemente, tem a mente fixada numa meta à frente, no tempo ou no espaço. Com vistas a essa meta, o esforçado abre mão de certos prazeres que são justamente o combustível necessário à travessia.  Já quem faz o que gosta, delicia-se enquanto executa, diverte-se enquanto caminha.

Estes estados de espírito são o perfume de que dispomos para atrair nossos aliados. Quanto mais positivismo exalarmos, mais aliados traremos para nossa causa. Quanto mais nos concentrarmos no objetivo, tanto menos atenção daremos às pessoas ao nosso redor e menor será nossa rede de aliados.

Algumas pessoas me fazem lembrar um piloto de Rally.  Nesse esporte, os pilotos comandam um carro poderoso, apoiado por um navegador que está ao seu lado, orientando sobre a direção a tomar, e uma equipe de profissionais pronta para o que der e vier. O único objetivo é chegar à meta final. Não importa quantas e quão lindas sejam as paisagens por onde passam, elas não serão vistas., tal a velocidade e a concentração em que todos estão mergulhados.

Como no rally, essas pessoas seguem tensas pela vida, em direção a um objetivo instável como uma miragem. Não há nenhuma garantia de que chegarão a salvo. Alguns, de fato, chegam ao final da corrida, mas com os músculos doloridos e a mente sob uma pressão quase insuportável. Chegam desgastadas, alquebradas e sem ânimo.

A diferença entre as pessoas que agem como se estivessem em um rally, e a competição de fato,  está em que, num rally  verdadeiro, o ganhador reúne a equipe e diz:”Nós ganhamos!”. Ele valoriza a equipe mais do que a si próprio, porque sabe que sem ela, ele não teria conseguido. Mas, ao fim do “rally” da vida, as pessoas dizem: “Eu ganhei”, esquecendo-se quase sempre, daqueles que o ajudaram a chegar onde está. Ora! Ninguém quer fazer parte de uma equipe que nunca é lembrada, e assim, o piloto do bólido “existência”  vai aos poucos ficando só, sem os preciosos aliados.

Outras pessoas seguem pela vida como se estivessem saindo de férias. Elas levam na bagagem as coisas de que mais gostam. Levam barracas, porque talvez acampem no caminho, levam raquetes, porque talvez encontrem um gramado onde jogar, levam livros para as horas de descanso...Ao contrário das viagens do “piloto de rally”  nem tudo é  útil nessa bagagem, mas cada coisa satisfaz um determinado prazer.  Pessoas assim, em férias, não se preocupam muito com a chegada, mas sim com a viagem. Elas “curtem o trecho“, como costumam dizer. A chegada é uma conseqüência, e quando acontece, todos chegam a ela alegres e bem humorados.

Principalmente, chegam a ela com disposição e ânimo para continuarem saboreando o doce gosto da vitória.

* * *
JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 25/03/2006
Reeditado em 25/03/2006
Código do texto: T128280
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
JB Xavier
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