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Remetentes...

Cartas ao vento esquecidas em algum lugar.
 
Papéis manchados de tinta verde flutuam nas águas,
Se perdem no solo, no lar.
 
De onde vêm tantas cartas?

Fotos, fatos e mentiras estampadas em algum rosto, nas páginas...

A violência nas ruas, à fome na esquina, na casa de alguém, a porta sem fechadura e a sombra do medo e sentimento.
 
Quarto escuro,janela fechada,grades no portão.
 
O homem se prende em sua própria casa, o medo apavora a liberdade.
 
No mesmo quarto fechado, crianças entram em um novo mundo;
mundo dos aparatos eletrônicos, e a identidade se transforma em msn, orkut, comunidade virtual...

Aonde estão os brinquedos?Onde os esconderam?

De quem será a culpa?
 
Da modernidade?
 
Da tecnologia?

Da facilidade?

Ou nossa?

Na sala, a TV anuncia fatos de violência, uma rotina que se repete quase todos os dias.
 
Na tela da TV, imagens da inocência perdida, maltratada, sofrida, assassinada.
 
Morte nas páginas, na TV, nas ruas, nas casas...
 
Quem pode impedir?
 
Quem pode?
 
Cartas, palavras soltas, cartas ao chão... Quem poderá recebe-las?
 
Quem irá responder pelos nossos medos?

Pela violência?

Ao nosso redor escutamos murmúrios e o gigante da natureza chora em seu próprio berço, reclama e pede socorro, o povo já não é tão heróico e a pátria amada já não é tão idolatrada.
 
Salve, Salve nossos filhos! grita o gigante.
Diante de tamanha grandeza, o sonho intenso ostentado de amor e de esperança se transforma em pesadelo. Os filhos destroem o próprio solo, o próprio povo, a natureza reclama e se revolta.
 
Gritos de fome, a seca que transforma o corpo,
A mata verde desmatada pelo homem que desafia a pátria a própria morte.
 
Salve!Salve! Grita a mãe gentil.
 
Cartas no solo pedem por paz, e alguém tenta ser atendida.
Salve!Salve! Clama a Pátria.
 
Lágrimas no solo, no seio da mãe, no rosto desfigurado pela miséria, Lagrimas de dor e desamparo, de abandono, de violência;
 
Cartas soltas, levadas pelo vento, sem destino, sem remetente, sem selo...
 
Onde está a Pátria de amor eterno e berço esplêndido, de justiça e igualdade?

Nos livros?
 
Nas histórias?

Nos sonhos?
 
Cartas na mesa, nas casas, no palácio...
 
São apenas cartas marcadas de verde e paz;
 
Apenas rascunhos de esperança,

Cartas minhas, suas, do beco, do morro, de alguém que pede e clama:
 
Salve-nos !
 

Ana Clea Bezerra de Abreu
Enviado por Ana Clea Bezerra de Abreu em 30/03/2006
Código do texto: T130885
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Sobre a autora
Ana Clea Bezerra de Abreu
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
49 textos (3783 leituras)
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Ana Clea Bezerra de Abreu