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Aluno de fisica

A vida não nos oferece respostas prontas , por isso atualmente um dos maiores desafios que existem na educação é ensinar os alunos a pensarem e não apenas a decorarem para passarem nos exames e vestibulares , do mesmo modo nas empresas devemos propiciar um ambiente para pensamento , para não incorrermos no erro de repetirmos  formulas velhas para problemas novos.
  Observando e conversando com as pessoas percebo como os profissionais vêm se tornado cada vez mais medíocres , a maioria dos recém-formados está abaixo do padrão aceitável para exercerem a sua função. Vide por exemplo os resultados dos exames da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil , onde o índice de reprovação no estado de São Paulo foi de 93% em 2005 sendo que a maioria dos candidatos necessita refazer o exame diversas vezes , alguns estão á anos tentando , o volume de erros médicos e odontológicos nunca foi tão alto , existem profissionais que não dominam regras simples de gramática.
   Se consultarmos os últimos dados sobre educação perceberemos um nítido avanço , os índices de analfabetismo clássicos têm diminuído consideravelmente e nunca na historia tantas pessoas tiveram acesso ao ensino de 1o , 2o e  3o   graus ,   mas por outro lado à evolução do mundo moderno têm criado outros tipos de analfabetos como  o digital, o funcional e o psicológico.

      O primeiro é aquele indivíduo que desconhece a informática, com isso sendo excluído da leitura digital e ao acesso às informações veiculadas nesse poderoso veículo de comunicação e informação, que é a Internet , com disso esse individuo começa a ficar a margem do sistema. O leitor digital não é só consumidor de informações, mas produtor, ele interfere, deixa suas opiniões, compartilha o conhecimento. "A tecnologia criou o paraíso do autodidata", sustenta o jornalista Paul Güster, autor do  livro "Alfabetização Digital"
  Já o segundo, o analfabeto funcional, refere-se àqueles que apesar de terem passado pela fase da alfabetização ,  ou seja dominam o código alfabético e a possuem capacidade de ler e escrever corretamente uma palavra ou uma frase  , mas são incapazes de estabelecer relações de sentido , resumindo , não compreendem o que lêem . No Brasil estima-se que 74% da população teoricamente alfabetizada sejam analfabetos funcionais , mas é importante lembrar que, ao contrário do que muitos supõem, o analfabeto funcional não é exclusividade apenas do Brasil ou paises do terceiro ele também está presente na Europa e nos Estados Unidos.
  Segundo Eunice Homem de Mello jornalista, psicopedagoga, Mestre em Língua Portuguesa e professora universitária na FMA , o analfabeto psicológico , talvez seja o mais grave , ele é apontado por C. Wright Mills em “A sociedade de massas” como o homem-massa, originário da cultura de massa, voltada às leis do mercado, ou seja, ao lucro imediato. Uma sociedade que vende cultura e para isso precisa agradar o consumidor, seduzi-lo, poupando-lhe o esforço de pensar. Apresenta-lhe tudo pronto para ser consumido, sem exigir-lhe nenhum esforço físico e muito menos intelectual. Cuidando apenas do espectador médio, do ouvinte médio, do leitor médio, oferece-lhe produtos culturais médios... Não há estímulo à sensibilidade, à imaginação, à reflexão e à crítica. Não há descoberta, criatividade, liberdade... apenas alienação!
   Por isso devemos privilegiar , incentivar e estimular na escola, no trabalho e em casa  em todo o local possível o ato de pensar , para isso assista menos televisão , leia mais , discuta assuntos polêmicos , questione mais suas próprias verdades , saia desta letargia mental.
   

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto" Albert Einstein



ALUNO DE FÍSICA


  Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.
  Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro." A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barômetro ao alto do edifício amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício." Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado.
  Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio.
 
Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

  No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico,incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo (t) de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt2 , onde (g) é a gravidade , calcule a (h) altura do edifício."

  Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo. Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas. "Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."

  Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações: "Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício. "Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença"

  "Finalmente", - concluiu: - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer, diz-se: 'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"

  A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.




Existem divergências quanto à autoria do texto nas pesquisas surgiu um dado de que essa história já teria  uns 30 anos, e o autor seria R.Feinman. e o texto fora reformatado por Valdemar W.Setzer
Mas também existe uma versão em francês atribuído essa história a Niels Bohr como o estudante e Rutherford como o árbitro.



Roberto Recinella
Enviado por Roberto Recinella em 05/04/2006
Código do texto: T134016

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Sobre o autor
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Campo Mourão - Paraná - Brasil, 50 anos
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