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crédito imagem:www.halljw.demon.co.uk


Existe pessoa que o tempo passa, ela envelhece, mas seu coração permanece menino.

Todos nós conhecemos alguém assim.

Eu conheço Mauro. Um eterno sonhador que corre a léguas de qualquer coisa que possa lhe causar sofrimento. Seu compromisso é com a alegria, com o bem viver, com o estar junto das pessoas e aproveitar a vida. Mauro não faz planos para sua vida, apenas caminha sobre o seu destino. Casou-se tantas vezes, que perdeu a conta. Filhos? Oito, com três mulheres diferentes. Apesar de tantos casamentos, nunca deixou de ser amigo de todas as parceiras e de amar os seus filhos. Pai presente é amado por todos. Seu carisma é um dom dado por Deus.

Outro dia, já era tarde da noite, Mauro resolveu sair para encontrar alguns amigos e não importava fosse quem fosse, apenas qualquer amigo que lhe fizesse companhia.

Uma chuva fina e repentina começou a cair. Para Mauro, aquela noite, seria como tantas outras, sentar numa roda de amigos em qualquer bar, falar um monte de bobagens, olhar para as mulheres e depois voltar para casa, feliz com que a noite lhe proporcionou, caso o destino não tivesse decidido que aquela noite de Mauro não seria uma noite qualquer e na a espreita, decidiu lhe fazer uma surpresa.

Mauro estava embaixo de uma marquise, na porta de uma farmácia quando apareceu-lhe Inês. Jovem, bonita, corpo perfeito e toda molhada por ter tentado atravessar a rua, debaixo da chuva, tremia de frio. Encolhida, Inês olhou para Mauro e perguntou-lhe as horas.

O coração de Mauro, naquele instante, não batia no peito, palpitava na cabeça. Seus olhos brilharam. A voz de Inês soou como uma música em seus ouvidos. Ele não conseguia se desvencilhar da sonoridade das intenções de seus desejos que inundaram os seus pensamentos.

Não perdeu tempo para desenrolar uma conversa.

- Você mora longe daqui? Perguntou-lhe Mauro.

- Moro. Estou preocupada porque minha mãe está me esperando. Ela toma conta das crianças pra eu trabalhar. Sou viúva e a batalha é dura, meu amigo. Não dá pra fugir da responsa.

- Não fique preocupada. Vou dar um jeito de você chegar em casa mais rápido do que você pensa, se você aceitar minha carona.

- Precisa não. É longe. Você vai gastar muita gasolina e eu nem lhe conheço.

- Por causa disso você não vai dispensar este favor que faço questão de lhe fazer. Meu nome é Mauro. Moro na rua Passa Quatro, numero 1515, apartamento 308. Sou separado, tenho um monte de filhos. Moro com minha irmã Bené. Meu telefone? Depois eu lhe dou.

Inês ficou fascinada com a honestidade de Mauro. Pelo ao menos, no seu coração não havia  denuncia de nenhuma má intenção. Apenas, boa vontade de um recém conhecido.

- Eu aceito. Vou chegar mais cedo e minha mãe vai poder descansar. Obrigada, amigo.

- Deixa disso, menina. A vida é uma troca. Uma via de mão dupla. Um dia eu ajudo, no outro sou ajudado. Vai ser um prazer.

A chuva diminuiu. Mauro e Inês andaram quatro quarteirões para pegar o carro - um velho fusca, branco, mas todo arrumado.

E lá foi Mauro, feliz da vida, levar Inês até a sua casa. Afinal, estava ajudando alguém a resolver um probleminha diário.

O tempo passou rápido, a boa conversa não deixou nenhum vazio para a distância do lugar onde Inês morava. Quando perceberam, já estavam na porta da casa de Inês.

Educadamente, Inês convidou Mauro para entrar e tomar um café. O que ele de pronto aceitou.

Ao abrir a porta da casa, Inês percebeu que não havia ninguém em casa. Sua mãe, como em outras vezes, levou as crianças com ela para sua casa, já imaginando que Inês iria chegar tarde e cansada.

Assim mesmo, Inês insistiu no convite.

- Entre Mauro. Faço um café rapidinho. 

Mauro, a essa altura, já era um menino cheio de sonhos, cheio de intenções.

A casa de Inês era pequena. Muito arrumadinha, tudo no lugar certo. Apesar de simples, a casa era aconchegante.

Enquanto Inês na cozinha, preparava o café, Mauro vasculhava a estante onde livros e cds se misturavam.

Enquanto isso, a chuva voltou a cair forte. A energia acabou.

Inês não tinha velas em casa e aí o destino começou a fazer a sua parte.

Mauro foi para cozinha, sentou-se à mesa e começou conversar com Inês, sob a luz do fogo do fogão. Os fantasmas do desejo aproveitaram a oportunidade para invadirem o coração e a alma de Mauro e de Inês.

Inês estava carente e sua resistência estava por um fio.

Mauro percebeu isso e perguntou-lhe:

- Você tem um vinho aí?

Inês sentiu uma agradável sensação de ser desejada e, então, foi procurar uma garrafa que havia sobrado do Natal passado.

- Achei. Vamos brindar a este nosso encontro. Estou feliz porque você é muito gentil e gente boa.

Inês trouxe a garrafa para ser aberta por Mauro. As mãos de Mauro não perderam tempo. Por cima da garrafa, alisaram carinhosamente as mãos de Inês. O beijo, então, foi inevitável.

Inês fugiu porque seu coração estava acelerado. Seus desejos e suas vontades estavam comandados por uma taquicardia que lhe tirava a voz, seu corpo incendiado por um calor inexplicável.

Inês abriu o armário da cozinha, pegou duas taças onde Mauro derramou o vinho tinto, meio amargo, cujo paladar acordou as forças dionísiacas nos corpos de Inês e Mauro, provocando um intenso movimento da paixão. E naquela noite, Mauro e Inês envolvidos pela essência do prazer, comungaram seus corpos desfrutando de um encontro que o destino determinou às suas revelias.




Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 07/05/2006
Reeditado em 07/05/2006
Código do texto: T151882

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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