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EM BUSCA DA PERMANÊNCIA

EM BUSCA DA PERMANÊNCIA
J.B.Xavier

“Só a mudança permanece”
Heráclito

Mas, afinal, qual a vantagem da consciência da impermanência? É que talvez possamos parar de sofrer na busca do inexistente: a segurança do eterno.
Talvez venhamos a concluir que mudando evoluímos, que morrendo, renascemos do mesmo vácuo de onde, talvez, tenhamos vindo. Talvez a permanência que buscamos seja, afinal, o próprio vazio que permanece gerando vida. Esse Nada Absoluto, talvez seja o poder absoluto que rege todas as coisas.

Quanto mais respostas temos para as questões que nos assaltam, mais surgem novos questionamentos.
Para compreender melhor a nós mesmos, ao mundo em que vivemos e ao Universo ao qual pertencemos, teremos, que, a partir de agora, abandonar todos os processos mentais inúteis que insistimos em manter vivos como forma de darmos sentido à nossa existência.
Tudo no Universo, nasce, cresce, decai e morre. Contudo, nós continuamos na busca da permanência, mesmo sabendo que ela é contrária a todas as leis da natureza que conhecemos.
"Só a mudança permanece" - dizia Heráclito na antiga Grécia. Ele falava da Terra, porque neste planeta tudo envelhece, murcha, degenera e morre. e mesmo que haja um novo crescimento e uma nova vida, isto também é mudança, e o que surge, de novo irá igualmente envelhecer, decair, morrer e apodrecer. Exemplos estão por toda parte.

O UNIVERSO EXTERIOR – MUTÁVEL E IMPERMANENTE
Erguendo-se com lenta majestade, desgastando-se por uma erosão ainda mais lenta, grão após grão, cume após cume, as montanhas nascem e morrem. A crosta terrestre está em movimento, quase imperceptível, mas constante. Uma compacta placa de terra afasta-se da outra para formar um novo oceano, e nesse trânsito colide com outra ainda, enrugando-se na forma de novas cadeias de montanhas. Os continentes unem-se em uma enorme massa de terra, que por sua vez divide-se novamente, acompanhando as pulsações de um ritmo de centenas de milhões de anos.
Sob a crosta terrestre há correntes incrivelmente lentas que fazem com que as placas continentais se afastem ou se aproximem umas das outras. Mais abaixo, no próprio núcleo líquido, há redemoinhos que formam o campo magnético da terra, o qual cresce de intensidade e morre novamente, mudando sua polaridade a cada morte e a cada novo nascimento.
Essa visão pode configurar um cenário inseguro e pouco confortável para nós, seres humanos, que buscamos a permanência e a segurança sob as asas do eterno e do imutável. Para compensar, alguns de nós encontram conforto em uma divindade onipresente, da qual não exigimos fundamentos mais profundos do que os emanados da autoridade e da tradição. Contentamo-nos com isso, suspiramos gratos e suprimimos nossas dúvidas.
Outros procuram demonstrações de imutabilidade em algo que possam medir cientificamente.
Para Aristóteles, em 350 A . C. , os corpos celestes eram permanentes, estáveis, incorruptíveis e eternos. É certo que mudavam de posição, mas de um modo regular e previsível.
Contudo, mesmo essa noção de permanência não resistiu sequer à primeira demonstração, feita por Galileu em seu telescópio, de que a Lua era um mundo parecido com a Terra, com montanhas, crateras e “mares”.
A moderna astronomia definiu os contornos de uma ordem universal onde vigora a impermanência. Assim, o nosso sistema solar, por exemplo, que nasceu a um bilhão de anos, traz sobre cada superfície sólida que o compõe, as cicatrizes das colisões que marcaram seu nascimento.
A impermanência está em toda parte na natureza, e é incompreensível que o homem, sendo parte dela, não compreenda os processos de mutação, e lute contra eles.
Algumas das montanhas de Marte e Vênus já foram vulcões ativos, e ainda há vulcões em erupção em Io, um satélite sem ar de Júpiter. Expelindo poeira e fumaça no vácuo que os rodeiam, esses vulcões de Io cobrem o satélite com uma camada alaranjada de enxofre. Como para provar que tudo é movimento e mudança, belas e colossais tempestades assolam Júpiter, e sua superfície é varrida por um furacão rodopiante tão violento e extenso que poderia engolir três Terras!
O sol, símbolo da permanência por excelência, morrerá daqui há cinco ou seis bilhões de anos. Após expandir-se até tornar-se uma gigante vermelha, ele sofrerá um colapso que o transformará numa anã branca, num processo que talvez destrua a Terra.
É verdade que centenas de bilhões de novas estrelas nascem continuamente das ruínas e dos restos das estrelas mortas, mas essas novas também morrerão um dia. À media que velhas estrelas desmoronam sobre si mesmas, elas podem formar buracos negros, que engolem matéria sem dar nada em troca, e ficam incrivelmente maiores, até que, eventualmente, devoram todo o núcleo de uma galáxia. Mas até mesmo os buracos negros se evaporam, transformando-se muito lentamente em gás rarefeito.
O Universo, que teve origem em uma titânica explosão, segundo a teoria mais aceita, e tem estado em constante expansão desde então, poderá algum dia, contrair-se novamente para dentro de um gigantesco buraco negro, somente para provocar outra explosão e o reinício de todo o ciclo. Neste sentido, o Universo pode ser visto como um imenso órgão respiratório que leva centenas de bilhões de anos para inspirar e outros tantos para expirar.

O UNIVERSO INTERIOR – INFINITAS MUTAÇÕES
Talvez possamos encontrar mais permanência no mundo do infinitamente pequeno do que no mundo do infinitamente grande. É bom lembrar que algumas partículas subatômicas, uma vez formadas, têm uma vida espantosamente curta - se entendidas pelo padrão de medida do tempo humano – antes de se fracionarem de novo. Um tempo de vida de alguns trilionésimos de um trilionésimo de segundo.
Entre as partículas subatômicas estáveis, há os fótons, que são continuamente absorvidos e de novo emitidos. Prótons e elétrons se aceleram e desaceleram sob a influência de campos magnéticos, e combinam-se para formar átomos, ou podem colidir para esmigalhá-los. As partículas estáveis prótons, elétrons, fótons e neutrinos, poderiam certamente durar para sempre, se fossem deixadas em paz.Contudo, elas jamais são deixadas em paz. Estão sempre atuando umas sobre as outras.
O próton, que já se acreditou ser completamente estável, pode afinal não ser. Em vez disso, ao longo de trilhões de trilhões de anos, a metade de todos os prótons existentes pode decompor-se em partículas ainda menores.
Será então que deveríamos buscar a permanência, não nos objetos materiais, e sim nas relações abstratas? Que tal as leis da conservação? Essas deveriam ser imutáveis: tome dois corpos celestiais quaisquer, multiplique a intensidade da força de interação gravitacional entre eles pelo quadrado da distância existente entre seus centros. Depois divida o resultado pelo produto de suas massas.O que você terá será sempre um número repetido – a Constante Gravitacional.
Outras quantidades nunca mudam, não importa como ou onde as meçamos: A Constante de Planck, a velocidade da luz no vácuo, a carga dos elétrons etc. Essas são quantidades permanentes, certo? Nem tanto! Einstein preconizou que ao redor dos corpos siderais o espaço é curvo, e que, em função disso, a luz faz uma curva, retardando sua velocidade. E isso já foi provado cientificamente!
Então, fica a dúvida: As outras constantes serão realmente permanentes? Nós as temos medido em condições relativamente suaves. Na verdade ninguém sabe o que acontece a essas constantes em condições de instabilidade, como explosões de super novas, que geram temperaturas inacreditavelmente altas. O que estará acontecendo agora a elas no centro dos buracos negros? Lá as densidades, e por conseqüência, as intensidades gravitacionais chegam aos limites do infinito! Não sabemos. Talvez essas relações “permanentes” pareçam sê-lo somente porque não estivemos observando o Universo por tempo suficiente. Alguns cientistas afirmam que até mesmo as constantes gravitacionais e outras, mudam, debilitando-se lentamente à medida que o universo se expande.
Outro exemplo: a energia. Disse Lavoisier que “nada se cria nem nada se perde, tudo se transforma”. Ele se referia ao fato de que tudo o que existe, se transforma, de uma forma ou de outra em energia, e que esta volta a estar presente em todo o mundo animado e inanimado.
Assim, segundo ele, por mais mudanças que ocorram na Terra, ou em qualquer outro lugar, a quantidade total de energia do Universo não pode mudar. Ela pode ser transferida de um local para o outro, pode ter sua forma alterada, mas não pode ser destruída nem criada a partir do nada. Lavoisier ficaria estupefato com o que já se sabe a respeito de energia.

UM UNIVERSO CHEIO DE “NADA”
Novas descobertas estão lançando o homem na busca de novos conceitos até agora totalmente absurdos ao entendimento. O nada absoluto, de onde nada poder ser criado – o vácuo – é uma dessas novas fronteiras do conhecimento. Seria mesmo o vácuo um lugar onde nada acontece, e assim, nada muda?
O telescópio espacial Hubble, que órbita sobre a atmosfera da Terra, possui uma resolução 10 vezes superior à de um telescópio convencional. Por estar livre da névoa e da turbulência atmosféricas, pode observar corpos celestes difusos com uma claridade sem precedentes.
Com este telescópio se pode, enfim, esclarecer a estranha descoberta que fez o astrofísico David Latham e sua equipe, composta por outros nomes peso-pesado no assunto, como John Uchra e John Tonry, no alvorecer da década de 80.
Esses homens, munidos do que era à época uma maravilha da microeletrônica – a “Máquina Z” – construída por eles mesmos, olharam pela primeira vez para as áreas mais distantes no espaço sideral a que olhos humanos já haviam chegado. Com sua máquina acoplada ao telescópio de 1,52m do Monte Hopkins, ao sul do Arizona, nos Estados Unidos, eles mediram, noite após noite, durante dois anos, a radiação emitida por galáxias localizadas a centenas de milhões de anos-luz, para determinar sua distância e aprofundar o entendimento estrutural do Universo.
Mas o que acabaram encontrando deixou Davis estupefato: “Encontramos uma imensa quantidade de nada” – disse ele.
Surpreendentemente esse brilhante cientista e seus colaboradores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, ficaram bastante satisfeitos por terem encontrado nada, porque eles sabiam que o nada absoluto não pode ser produzido nem nos mais modernos laboratórios. O que eles descobriram foi longas cadeias de galáxias espalhadas no cosmo, e, entre elas, regiões com milhões de anos-luz de extensão que contém absolutamente nada! Nem estrelas, nem planetas, nem nuvens de gazes. Nada!
Como explicar essa imensa concentração de nada? Teria o Universo, com seus quinze bilhões de anos, tido tempo suficiente para criar abismos com tais dimensões?
Davis ofereceu algumas explicações, à luz do que já se conhece de astrofísica: Neutrinos fantasmagoricamente sólidos, buracos negros absurdamente imensos, ou gases super aquecidos. Nada, no entanto, parece explicar a existência desses imensos vazios.
A própria natureza da Terra não é muito amiga do vácuo. Para obtê-lo é necessário produzi-lo e conservá-lo artificialmente. No entanto boa parte do Universo é constituída de vácuo, criado naturalmente pela ação de forças gravitacionais que atraem partículas em direção a corpos maciços como a Terra, estrelas e galáxias, deixando o espaço entre esses corpos celestes quase vazios.
Quase vazios! Aí reside a importância da descoberta de Davis. No vácuo cósmico há sempre alguma coisa. A algumas centenas de quilômetros da Terra, encontramos um vácuo natural milhares de vezes mais vazio que os maiores vácuos produzidos em nossos laboratórios. No espaço interplanetário, há regiões bilhões de vezes mais vazios que nossos vácuos artificiais, e ainda mais distante, no espaço entre as estrelas, é possível encontrar vácuos trilhões de vezes mais vazios que nossos pobres vácuos terrestres.
No entanto, se formos além da galáxia de Andrômeda e de cerca das vinte galáxias mais distante que conhecemos, chegaremos finalmente à descoberta de Davis: os espaços mais vazios conhecidos pelo homem. O mais profundo dos vácuos.Lá não há, definitivamente nada!
Essas concentrações de vazio são tão imensas, que não devem ter sido criadas do mesmo modo que os outros vácuos do espaço, ou seja, sugados de toda a matéria pelo puxão gravitacional das galáxias. Desde o início do Universo simplesmente não houve tempo bastante para drenar toda a matéria de regiões com milhões de anos-luz de extensão.
Teremos finalmente encontrado algo imutável, perene, eterno? Terão esses imensos vazios estado lá desde antes do início do Universo, e estariam ainda sendo preenchidos? Ou terá o Universo se originado neles, gerando energia a partir do nada!
Nesse ponto a física moderna, cognitiva por excelência, esbarra em enormes dificuldades de expressão oral para verbalizar os fenômenos observados nas interações subatômicas, porque faz constatações quase inaceitáveis ao senso comum de entendimento. Em seu livro O Tao da Física, Fritjof kapra fala a respeito dessas pesquisas de vanguarda:
“A diferença entre matéria e espaço vazio teve finalmente de ser abandonada quando se tornou evidente e óbvio que as partículas virtuais podem passar a existir espontaneamente a partir do vácuo e desaparecer novamente nele, sem que esteja presente qualquer núcleon ou outra partícula que interaja fortemente.
(...) um próton, um antipróton ou um píon, podem ser formar a partir do nada, e desaparecer novamente nele. De acordo com a Teoria de Campo, eventos desse tipo ocorrem a todo instante. O vácuo está longe de ser vazio. Ao contrário, contém um número ilimitado de partículas que passam a existir e morrer ininterruptamente, vindo do nada e retornado a ele.”
Os físicos, portanto, reconhecem que o vácuo não é um estado de simples nada, mas contém potencialidade para a criação, destruição e recriação de todas as formas do mundo das partículas.
Essa potencialidade, porém não deve ser confundida com energia, bem como as formas não devem ser confundidas com entidades físicas. Potencialidade, aqui, significa “predisposição” ou “intenção” do vácuo de gerar matéria, e as for-mas, como manifestações transitórias do vácuo subjacente.
Mas, pode o nada ter “intenção” de alguma coisa? Podem as formas ser apenas manifestações transitórias do vazio? As pesquisas dizem que sim e, nesse caso, nada seria mais instável que o vácuo!

NO LIMIAR DO ENTENDIMENTO HUMANO
Nesse ponto, encontramo-nos no limiar do entendimento humano explicado pela lógica, e o aprofundamento desse raciocínio depende inteiramente de nossa capacidade de análise do paradoxal, porque as perguntas que tais pesquisas suscitam, deságuam inexoravelmente no pensamento metafísico. Kapra, um físico ocidental, talvez possua a mente mais avançada na análise dessa questão:
“A relação entre as partículas virtuais e o vácuo, é uma relação essencialmente dinâmica. Na verdade o vácuo é um ‘vácuo vivo’ e que pulsa num ritmo sem fim de criação e destruição. A descoberta de qualidades dinâmicas do vácuo, é vista como uma das mais importantes descobertas da física moderna. De um papel de recipiente vazio dos fenômenos físicos, o vácuo emergiu como uma quantidade dinâmica da maior importância.”

MISTICISMO OU CIÊNCIA?
Para os místicos orientais, no entanto, a física moderna está atrasada centenas de anos. Eles há muito pregam que “Forma é Vazio e Vazio é Forma”. O grande sábio chinês Chang Tsai disse uma vez:

“Quando se sabe que o Grande Vácuo está cheio de Ch’i, compreende-se que não existe coisa alguma que seja o nada”
– disse uma vez Shakespeare –

“Assim como a ilusória realidade se desvaneceu
hão, do mesmo modo, de esvair-se
as torres que se elevam às nuvens,
os palácios soberbos, os templos,
e até a própria Terra com tudo quanto nela existe.
Somos feitos do mesmo estofo dos sonhos.
Nossa própria vida está envolta num sonho.”

Emerson, em suas palavras imortais acrescentou:

“As coisas que hoje consideramos fixas e imutáveis se desprenderão, uma a uma, de nossas existências, e, quais frutas maduras, tombarão.”

Instigados pela procura do eterno, os homens, em todas as épocas, buscaram-no, e ainda o procuram, apenas para chegaram à conclusão de Heráclito: “Só a mudança permanece”.
Whitman transpôs essa ansiedade humana para seu imortal poema, e com palavras doces, escreveu:

“Quanto a ti Morte, e tu Abraço da Mortalidade,
é inútil tentarem me alarmar.
E quanto a ti, Cadáver, eu te considero bom adubo,
E isso não me choca.
Pois sinto a fragrância das rosas brancas crescendo,
E toco seus lábios de pétalas,
E acaricio os seios polidos dos melões.
E quanto a ti Vida,
Acho que és remanescente de muitas mortes.
Eu vos ouço sussurrar,
Oh estrelas dos céus,
Oh sóis, oh grama das sepulturas,
Oh perpétuas transmutações e promoções.
(...)
Eu me lego ao pó para crescer da grama que eu amo.
(...)
Se não me achares aqui, procura-me ali;
Em algum lugar estarei esperando por ti.

Por compreender que tudo está em constante transformação, o apóstolo João escreveu na Bíblia Católica:

“Não julgueis segundo as aparências” (João 7:24).

Nelson Motta, percebeu esse estado constante de mudanças, e, pela voz de Lulu santos foi claro em sua música: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.Tudo passa, tudo sempre passará.”

Raul Seixas disse: ”prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”

Mas, afinal, qual a vantagem da consciência da impermanência? É que talvez possamos parar de sofrer na busca do inexistente: a segurança do eterno.
Talvez venhamos a concluir que mudando evoluímos, que morrendo, renascemos do mesmo vácuo de onde, talvez, tenhamos vindo. Talvez a permanência que buscamos seja, afinal, o próprio vazio que permanece gerando vida. Esse Nada Absoluto, talvez seja o poder absoluto que rege todas as coisas.
A consciência desse Nada Criador – seja ele o que for - nos torna aptos, de qualquer forma, a interpretar, sem nos corrompermos, nosso papel nesse inverossímil palco do Universo, onde se desenvolve uma peça fantástica a que chamamos Vida!
Talvez então, aprendamos a interpretar melhor a nós mesmos.

FIM
JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 25/06/2006
Reeditado em 25/06/2006
Código do texto: T182073
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Sobre o autor
JB Xavier
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