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Estatutos do Poeta

Angélica T. Almstadter
 
Ao poetas deveria ser dado somente o direito de sonhar, sem ter que se preocupar com responsabilidades, sem ter que se guiar pelo relógios dessa terra...os poetas tem as estrelas e os astros como parâmetros...
Aos poetas não deveria ser dado nenhuma obrigação, não para fazê-los vagabundos, mas para deixá-los livres...para o mundo...
Aos poetas não se deveria impor o sacrifício de ganhar o seu sustento, o poeta precisa menos do alimento para o corpo que o linimento para a su´alma.
Aos poetas, jamais deveriam ser solicitadas prestação de contas...hora marcada...noção de dia e mês...nem se é de tarde ou madrugada...
Os poetas são seres sem amarras, sem censuras e sem travas...não sabem viver algemados, não suportam bater o ponto...não são felizes....com asas, cortadas...
Os poetas deveriam ser perdoados dos esquecimentos...dos seus devaneios fora de estação...
Os poetas deveriam ser poupados da razão...deveriam ter o direito de interromper o que quer que fosse, para rabiscar um pensamento....rascunhar um poema, em qualquer lugar que estivesse ...em qualquer hora que a inspiração chegasse...para jamais correrem o risco de se perderem de sua alma, nos momentos de vôos...que só aos dois pertence...
O silêncio, é o combustível do poeta...e deveria ser respeitado...tanto quanto sua tristeza, que não poderia nunca ser investigada...
O poeta gosta da solidão...convive muito bem consigo mesmo, ainda que exploda em versos, prosas e muitas palavras soltas...em tantos pensamentos, até sem cabimentos...o poeta só precisa de um ouvinte, um leitor atento...de carinho, afagos e um, colo sossegado ...para vaguear os seus desvarios...
O poeta é um amável insensato, que dorme quando deveria estar acordado...e tem insônia quando o mundo todo dorme sossegado...
Ao poeta, se deveria perdoar a loucura...a pouca compostura...o cabelo despenteado, o olhar esgazeado...pois a insanidade do poeta é eterna...além da saudade...pois sem saudade, o poeta não hiberna...
Os poetas são sonhos personificados...e só por isso deveriam ser cortejados, respeitados e poupados das mágoas desse mundo...pois já tem as suas próprias...poupados deveriam ser das dores...pois já sangram, sensivelmente pelas dores do ser amado...
Aos poetas, a anistia da razão...a euforia da emoção e o beijo delicado...
Ah! Os poetas, esses gentis amantes...com suas paixões intermitentes e eternos amores...são deliciosamente ousados...e infinitamente atraentes...
Que se lavrem o estatuto...que se reconheçam esse tratado...
Que se abram as portas e que seus vôos beijem, o azul da imensidão...sem regras, sem rótulos e sem grilhões...enquanto ainda vivem os poetas nesse mundo de ilusões....
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 24/05/2005
Código do texto: T19388

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (247 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 18:15)
Angélica Teresa Almstadter