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Sobre o amor e o Perdão

Confesso que ainda não sou uma boa pessoa...que tenho muito ainda a aprender...
Eu achava que era uma boa pessoa, até observar melhor o meu filho...que as vezes boto pra correr de perto de mim, porque estou sem paciência...e ele me olha e diz: Mamãe eu te amo!...Me desarma...e eu fico me sentindo uma bruxa...
Por ele ser uma pessoa uma tanto complicada, as vezes me falta paciência para suportar suas brincadeiras; ele é uma criança grande, e eu também, mas as vezes  fico rabugenta...
Outro dia, eu o questionei porque dele ficar toda hora à minha volta, argumentando me cansar demais...ele me respondeu: Não sei porque, sei é que gosto de ficar perto de você, gosto da sua companhia, mesmo quando a aborreço...não sei explicar, sei que gosto, só isso.
E quando me recolhi esses dias, meditando, percebi o quanto tem de bondade esse menino com quem ralho, com quem tenho papos muito interessantes sobre cultura, sobre a vida, sobre política e muito também sobre filosofias de cada um de nós. Uma pessoa sem maldades, sem também experiências e por isso mesmo com medo do mundo, e que acaba buscando em mim proteção...um menino doce, incapaz de fazer uma maldade, e que sempre me diz, quando estou brava com alguém ou por alguma coisa: Nunca deixe de ser essa pessoa boa que você é, mesmo que o mundo seja de pessoas ruins, você não pode perder a sua bondade.
Aí fico pensando...Pra ele ainda sou uma pessoa boa, e ele confia nessa bondade que vê em mim...
Mas não sou uma pessoa boa, ainda que seja cristã e que procure seguir os ensinamentos do evangelho, sou humana e passível portanto, de erros...
Mesmo tentando de todas as formas, não magoar e não ferir o meu semelhante,  eu o faço, mesmo se depois disso peça desculpas...
Entretanto, reconheço em mim, uma imensa dificuldade para perdoar algumas pessoas, ou algumas coisas...De uma forma mais abrangente passo por cima de uma porção de coisas, costumo esquecer a maioria das coisas ruins que me são feitas ou ditas, e em alguns casos, não me lembro nunca mais...mas... e essas tem sido motivos das minhas maiores preocupações, algumas coisas ficam em mim marcadas como se tivessem sido feitas com ferro em brasa...não consigo apagá-las...e cada vez que me lembro delas...me doem como no dia que foram feitas...
Mágoas, mágoas das quais não consigo me livrar, embora saiba que elas não são sadias e que adoecem o corpo e a alma...
Perdão é a palavra, só se consegue livrar das mágoas quando se perdoa, verdadeiramente, porque uma coisa é desculpar, outra é perdoar, quando se perdoa, o coração fica limpo e não sobram mágoas...
E como é difícil perdoar...como é difícil, meu Pai! De que vale todos os nossos bons gestos, nossas boas palavras, nossos abraços, se ainda não aprendemos a perdoar, aquela fala atravessada, aquele gesto mal educado, aquela ofensa...
...muito ainda é preciso que nos conheçamos e muito há que se aprender realmente sobre amar.
Só quando o amor em nós, for totalmente incondicional, é que saberemos a perdoar incondicionalmente também...e não só falar da boca pra fora...
Há muito que se aprender...há muito que se amar...
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 27/05/2005
Código do texto: T20068

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter