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O Laboratório da Prosa

O mundo da minha prosa vai além das palavras. O que parece um
 quebra-cabeças  bem montado, ou um intrincado bem organizado de palavras escolhidas com cuidado é também um registro de emoções e sensações variadas. Jamais uma prosa é simplesmente um conjunto de palavras, dentro desse contexto de sentimentos explicitados há uma dose considerável de fantasias, que se misturam a cheiros imagináveis, delírios e devaneios.
Algumas pessoas nem tem a sensibilidade para perceber que dentro de uma prosa, as vezes desconexas ou desprovidas de razão, salta aos olhos sentimentos tão vivos e tão palpitantes, muitos até desconhecidos por uma porção de pessoas, por que incluem vivência, experimentação. Dizer que o poeta é um fingidor e que finge tão bem, que acredita no que vive,
 O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
como disse Pessoa, é uma verdade de que não se pode fugir, entretanto a alma do poeta é por si só um grande laborátorio para sua escrita, assim ele só será verdadeiro se viver o que escreve, ainda que seja solitário nessa vivência.
Ou se seja, é preciso experimentar todas as sensações e emoções, mesmo empíricamente, para se poder traduzí-las em palavras. Ninguém domina na escrita o que não conhece profundamente, ou antes ninguém finge tão bem se não conhecer na própria carne a dor do corte. Parece fácil falar de sentimentos e coisas íntimas quando se tem as palavras à mão, mas palavras ditas sem sentimentos são vazias e sem o menor valor, eu não saberia dispor em linhas ou entrelinhas palavras simplesmentes ocas, penso em cada verbete que uso como um veículo para carregar sentido para o conjunto que componho. O meu mundo é pleno de sentidos, sensações provadas ou à serem experimentadas, emoções, e uma carga enorme de paixão. Minhas mãos podem eventualmente estarem vazias, o meu espaço físico pode ser solitário, mas o meu mundo interno é complexo e extremamente povoado.
Há quem diga que expor as sensações todas de forma tão nua, é uma forma narcisista de se colocar no mundo ou um apelo de carência, eu não diria que concordo ou discordo , mas que tenho sim uma outra visão; penso e acredito na troca de energia entre pessoas que comungam de ideais e idéias, e partindo dessa premissa, essa exposição vira um grande balão de ensaio, onde todos os envolvidos doam e recebem, crescem todos emocionalmente, espiritualmente e enriquecem todos intelectualmente.
Por pensar dessa forma e por pensar num mundo onde a harmonia das palavras e de  sentimentos é fundamental para a união das pessoas e para o auto conhecimento, é que decidi, soltar a minha voz, sem me perturbar com o ruído que ela possa causar. Enquanto cá dentro de mim, há uma revolução interminável, e uma imensa vontade de experimentar a vida em toda a sua essência, eu me permito ouvir os meus barulhos; esses demonstram a vida aprisionada cá dentro querendo explodir em muitas lavras...
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 31/05/2005
Código do texto: T21014

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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25 áudios (3274 audições)
1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter