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Tão divino esse meu demônio...

Tão divino esse meu demônio...

Lívia: _ Sonhos... Minha doce ilusão! Como não me fiz de rogada a você? Me perdi durante tanto tempo e agora não sei onde fui parar... acho que morri... Sim, eu morri! Me perdi tentando te encontrar. Não, não pense que sou egoísta, eu amo te ver cantar, chorar, dançar, sorrir, amar... Mesmo que não seja por mim, mais uma vez não é por mim. Cantando a lua, muitas noites se passaram, muitas lágrimas correram pela minha face e então sorri, gargalhei de puro ódio, ódio de mim (Ela se levanta). Meu amor se fez em prantos, quantas vezes chorarei mais? Cantarei a lua? Me responda você? Hein... O que foi feito da minha vida? Destruída pelo pior dos sentimentos, digo então, agora para que todos escutem (Ela se dirige até o cara), que de forma obsoleta, pura e sem qualquer tipo de ambição, meio ultrapassada até, mais posso dizer que... (ela alisa o rosto dele) amo-te, profundamente... Sinceramente e infelizmente... Amo-te! (Ela se dirige até o público.) Queria apenas ser feliz, de nada adiantou as minhas promessas, de nada fez efeito, então me enganaram e novamente estou preste a cair no precipício. Quantas foram às vezes que te vi as escondidas? Sozinho? Abracei-te, acalentei seus sonhos, fiz dissipar todos os seus medos e covardia, te fiz homem... e quantas vezes me segurei para não chorar? (Ela dá um sorriso sem graça.) Esta é a minha vida!

Entra uma música de fundo, ela se senta no banco e se indaga.
 ( So far away _ Staind)

_ Cadê os amigos? Se foram ou nunca os tive?

Respirou fundo, entra uma mulher toda de branco que senta ao seu lado.

MB diz bem serena: _ Tens um Dom minha menina. Por que vai contra as forças de Deus? Não vê que é inútil? Ele sabe o que tem que ser feito. Ele faz sempre tudo certo, porque Ele é perfeito.
Lívia fala como se debochasse e não acreditasse: _ Dom? Poupe-me, não vê que tenho o direito de escolha, Ele me negou isso. Tenho que ser o que não sou! Hipócrita... Ele é perfeito ou será que nós O fazemos ser?
MB diz ainda de forma serena: _ O que estão fazendo com você? Ele quer apenas o seu bem, não se rebele, tens o direito de escolha, és livre!
Lívia diz irritada: _Não, não sou livre.
MB: _ Choras por isso ou será que teme pela perda de alguém?

A mulher de branco olha para o menino que Lívia ama e a olha.

Lívia diz triste: _ Antes fosse, mas não se pode perder algo que nunca se teve. Ele vai se matar aos poucos, está muito doente e nada mais do que eu faça o ajudará.
MB: _ Amor?
Lívia chorosa: _ Não posso amar, não fui feita para amar apenas proteger e cuidar... Não entende?
MB: _ Todos nós fomos feitos com amor então logo possuímos este. Minha menina, você ama... Nós nunca sabemos quem pode estar se apaixonando pelo nosso sorriso. Sorria! A angústia causa mais dor. Não O culpe. É só mais uma dura prova, ela é precisa. Quem sabe este não te ama também?
Lívia diz irritada: _ Como pode? Sabe que não há como, jamais este me amaria, é inviável. Blasfema de mim, ria de meus problemas!  Vá, ria! Porque Deus me faz sentir isso? (Olhando para o céu) Deus, liberte-me deste sofrimento! Meu coração está preso a ele, mas meu corpo ainda pode seguir adiante.
MB: _ Minha menina, Deus está a ouvir os apelos dos homens que querem se livrar do ódio no coração, mas ele está surdo aos que querem fugir do amor. Vá dizer a ele o que sente teu coração, mostre suas asas, voe até ele e cante seu amor...

Ela toma coragem, vai até ele, vira seu rosto para que ele possa olhar para ela sem tocá-lo, põe sua mão abaixo de seu queixo mas não o toca e vira em sua direção. Ela sorri e depois uma forte onda de ódio a invade, fica séria, leva-o até o meio do palco sem tocá-lo, com a mão embaixo de seu queixo. Ele é uma estátua então se mexerá apenas o necessário.

Lívia diz irritada: _ Te odeio, amaldiçôo  sua vida e sua morte(a luz cai). Te digo mais então, amaldiçôo as nossas duras e fétidas vidas, cantarei um lindo cântico de dor ao seu enterro, esperarei por este ansiosamente e assim seremos finalmente felizes. Por que tem que ser assim? Uns vivem enquanto querem morrer, e outros que morrem querem apenas ficar... Não estou viva nem morta, só queria ficar ao seu lado e poder cantar, sorrir e até mesmo chorar... Mas me tiraram o poder de escolha e então você virá comigo, não posso ir até você. Me proibiram de amá-lo, fui então banida do paraíso e vivo meus dias de tormento e dor. Conto os dias que passam, espero você para finalmente vivermos e sermos felizes, eternamente.

A mulher de branco pede clemência com apenas um olhar, piedade para aquela perdida alma, ela então se afasta ao soltar um grito, após a maldição que Lívia rogara naquele homem ela se via proibida de poder ajudar e, é aí que entra o lado mal, a destruição na vida de uma pessoa, a mulher de vermelho chega com ar triunfante.

MV: _ Creio que estejas se sentindo melhor agora, ouvi o que falastes, faz bem. Afinal, Ele é culpado, não se importa com seus filhos. Espere-o na morte, pode fazer este chegar a qualquer momento é apenas preciso se curvar a mim. Se curve a mim e o terá eternamente... se o ama tanto, curve-se e o veja desfalecer.
Lívia: _ O que diz?
MV: _ Já fez a sua escolha, não há tempo mais de arrependimento. Mesmo que Este te perdoasse não haveria volta, pois estou aqui. Você o amaldiçoou eternamente, não só ele como você também. Curve-se, não peço que acredite, apenas tem que se curvar, é tão simples.

Lívia a olha como se pedisse piedade e a outra ria da inocência daquela menina.

Lívia diz arrependida: _ Deus o que eu fiz? Como pude agir desta maneira? Fiz do amor uma maldição, não há volta então? Deus... (levanta suas mãos ao céu), perdoe-me!

A mulher de vermelho começa a rir.

MV: _ Ele já se foi... Tarde demais, você O expulsou.
Lívia: _ Por mais que eu tenha cometido estas brutais insanidades, Ele não me deixaria...
MV: _ Hipócrita, acabastes de dizer que Ele era o culpado de toda a sua dor, e agora pede piedade, perdão, clemência...
Lívia: _ Peço perdão, eu não sabia o que fazia. Sou culpada, eu sei que sou culpada pela minha própria dor. Deus (ela grita), perdoe-me. Imploro pelo Seu perdão.
MV: _ O que faz?  Está louca? Não faça isso! (Diz com medo.)
Lívia: _ Deus...
MV: _ Não... (as mãos vão a cabeça)
Lívia: _ Pai, não me deixe!

A mulher de vermelho some e então a luz volta mais forte. Os meninos voltam a se mexer, a música de agora é da banda My Chemical Romance _ Helena, Lívia começa a dançar de forma leve e suave, um balé contemporâneo, ele não a olha, no final da dança ela termina abaixada e levanta a cabeça devagar com os olhos tristes.

Lívia: _ Não pode me sentir, nem me tocar, isso será para sempre, pois então devo me mudar, devo ir e deixá-lo em outra companhia, será difícil no começo mais será preciso, afinal para todo o crescimento é necessário à dor, isto é para que eu não me deteriore. Não me sente, você não me toca... Então não vivo!

A mulher de branco entra logo dizendo:

MB: _ Ele nos permitiu uma saída, há um único jeito... Renuncie a sua imortalidade e se torne como ele...
Lívia: _ Como ele...? Mortal...? Não verei mais Deus?
MB: _ Não, não verás, se tornará pecadora e omissa, mas se o ama realmente, fará este sacrifício, vale a pena, creio eu!
Lívia: _ Vale...
MB: _ Deixe que todos a vejam. Deixe me ajudar, tomada a decisão não tem mais poder sobre elas.

A mulher então abre as asas dela. A luz fica focada nela.

Lívia: _ De fato não sinto as minhas asas. O que faço agora?

A mulher de branco traz consigo um punhal dourado, e antes de cortar, Lívia sente uma dor muito forte no peito e ao mesmo tempo em que ela sente Júlio cai, ela vai até ele com as suas asas expostas e ele caído no chão à olha e se apaixonam. Ela levanta a cabeça dele, e encosta em seu peito.

Júlio: _ Então acabo de morrer?
Lívia: _ Não, você está nascendo... O que você fez com a sua vida? Porque não paraste de fumar quando ainda era tempo? Tanto que eu intercedi por você... Sou Lívia.
Júlio: _ Então, estou morto... Vejo um anjo!
Lívia: _ Não..., Entenda vou tirar você daqui...
Julio: _ Preciso de um médico.

Lívia se levanta e começa a pedir por socorro, o lugar está deserto, não há ninguém por perto.

Lívia: _ Não há ninguém... _ dizia Lívia desesperada.

Julio então fica a olhando admirado.

Julio: _ Você é muito bonita! Realmente um anjo, que pena que vou ter que ir agora...
Lívia: _ Estarei com você como sempre estive... Em qualquer lugar, a qualquer hora.
Julio: _ Isso é permitido? Se for ficaremos junto... Para sempre! Se eu morrer vamos ficar juntos, por que você é um anjo, vive no céu _ dizia ele ficando muito empolgado. _ ...E vou para o céu, nunca matei, roubei... Teremos nosso lugar guardado por Deus, pois agora acredito Nele.
Lívia: _ Não... Não é permitido! _ dizia Lívia com lágrimas nos olhos._ Você se matou durante todo esse tempo em que usou o tabaco como saída. Enquanto se entorpecia de remédios e álcool eu intercedia por você. Eu orava por você. Para que isso nunca acontecesse, mas você não me escutava... Você só estava interessado nos desejos carnais. Agora você vai passar por um longo processo de dor e limpeza, evolução do seu espírito, para que você não cometa os mesmos erros numa outra vida, seremos então, separados... Vivera de forma insana, arrependa-se, aceite isso, para que não se torne uma coisa mais dolorosa... É o nosso destino!
Julio: _ Quem faz o nosso destino? Somos nós... Então agora vou ter que perde-la, por que não fui tão querido, respeitado como deveria, não é justo.
Lívia: _ O que você sabe sobre justiça? Nada, justo só há Um. Não vê que é muito só podermos nos olhar... Isso é maravilhoso! Aceite...
Julio: _ Eu vou morrer, e não a verei mais... Como quer que eu aceite? É duro demais... Não pode, é injusto...
Lívia: _ Posso fazer uma coisa. Abdico o paraíso, para poder ficar com você até sua morte, lutaremos juntos contra esta doença, quem sabe Deus não nos permite a cura? Quem sabe não podemos ficar juntos até o fim de nossas vidas, daqui a muito tempo?
Julio: _ Não ficarei aqui por muito tempo, não é justo com você! Não largue o seu mundo, sofreria muito aqui...
Lívia: _ Sofro em te ver assim, aqui, sozinho... Sei o que quero, o que tiver de ser, será.
Julio: _ Não faça isso, não vale a pena se tornar humana, pecadora por minha causa. Me sentirei um covarde deixando você fazer isso...
Lívia: _ E eu me sentirei uma covarde, se eu ficar... Não posso ficar! Vou com você! Ficarei com você! Não me importo se sentirei dor, medo, frio... Não me importo, tanto faz se tiver que passar fome, sede, já não faz diferença, pois estarei com você, nos alimentaremos de sonhos, desejos um do outro, sorriremos e cantaremos no inverno. Seremos um em dois corpos. Não demoro, meu amor. Serei breve, volto em poucos instantes, me espere.

Ela o beijou, e diz ela se levantando.

Lívia: _ Te amarei, mais que ontem menos que amanhã.
Julio: _ Te esperarei aqui, prometo não partir enquanto você não chegar. Se não estiver aqui, meu amor te guiará.
Lívia: _ Nos amaremos eternamente.

Lívia corre até a mulher de branco.

Lívia: _ Corte logo essas asas, ficaremos finalmente juntos...
MB: _ Tem certeza disso, minha menina?
Lívia: _ Mais do que nunca.

         A mulher de branco cortou as asas de Lívia, quando estas caíram no chão, Júlio sente uma forte dor no peito e suspira fundo.  Lívia cai. Júlio então morre, e Lívia fica ao chão, a MB sai. Quando eles caem toca a música do Iron Maiden_ After the Dark (ao vivo_ Rock in Rio III) e as luzes começam a piscar. Pensei em luzes verdes. Julio se levantará, e se olhará estranho, afinal agora ele é apenas luz. Lívia começa a tossir por sentir o ar entrar em seus pulmões. Enquanto a música está no Ooooooh, eles darão um grito de dor e susto juntos... E Júlio cairá no chão. Nisso ao palco estarão perto de Lívia alguns mendigos e enquanto Júlio estiver contracenando ela se juntará a eles se arrastando. Entra uma menina que ajudará Júlio, ele está agora no Limbo.

Júlio: _ Onde está o meu anjo? Cadê Lívia?
Menina: _ Você desencarnou... É preciso que você tenha consciência,  aceite.
Júlio  diz se alterando: _Onde está Lívia?
Menina: _ Ela é humana agora...
Júlio diz sério: _ Eu quero Lívia!
Menina: _ Sinto muito!
Júlio sem conseguir se controlar, em desespero: _ Eu quero Lívia... Me traga Lívia! (Ele grita)
Menina: _ É melhor ir se deitar... Precisa descansar!

         Ele a princípio se nega, mais aceita.

Cena de Lívia:
Mendigo 1: _ Quem é você?
Lívia: _  Eu não sei....
Mendigo 2: _ Como não sabe?
Lívia: _ Eu não lembro...
Mendigo 1: _ Ela não se lembra... _ solta um riso.
 Mendigo 2 : _ Nem de onde vem?
Lívia: _ Nem de onde venho.
Mendigo 1: _ Tem dinheiro?
Lívia: _ Não.
Mendigo 1: _ Tem vicio?
Lívia: _Não.
Mendigo 2: _ Então pode ficar com a gente.


         Entra no palco outras pessoas mal vestidas, sujas e que ‘infernizarão’ a vida de Júlio, debochando, gritando, rindo, implicando e maltratando... Serão como loucos, não o deixando dormir... Sonoplastia de gritos, choros e risos. Para que passe a idéia de anos, pode umas três vezes, alternar as luzes: branca_ dia; escuridão_ noite. Nisso Lívia estará a beber, dormir, rir e a fumar.

Júlio: _ Há muito tempo que estou aqui e nada sei do meu anjo... Tantos anos. E o meu anjo?
Menina: _ Seus dias de súplicas acabaram, e por ter conseguido vencer seus vícios poderá sair daqui... E Deus, o Todo-Poderoso, lhe dá a oportunidade de escolha: Ou se torna um anjo e passas a ficar  a ajudar  ou tens o direito de reencarnar, nascerá novamente ...
Júlio: _ Poderia viver de novo?
Menina: _ Sim, poderia!
Júlio: _ Pois então eu fico, não por medo... Mais para que eu possa ajudar a se levantar quem caiu por mim... Quero então não me tornar um anjo, mais apenas ser aquele com quem ela possa contar, porque a amo e a retirarei das trevas...
 
         Ele desce e fica perto dela, ela então junto com outros mendigos bebe. Ele de longe continua a dizer...

Júlio: _ Continuo então a interceder por você, pois agora é você que se mata... E sou eu aquele que sinto o tormento sentido um dia por você! Meu amor, de nada passará nossas vidas a não ser um sonho... Um triste, mais um belo sonho... Do qual não acordarei, e esperarei até que um dia nossos destinos se cruzem para que possamos finalmente desfrutar dos nossos sonhos, desejos e façamos planos... Aqueles que não pudemos fazer, que nos foram impedidos... Te amo, e estou aqui por você esperando um momento, almejando um único momento que nos seja permitido de nos olharmos pela segunda vez e novamente nos apaixonarmos... Para sempre, será você, meu anjo...

fim
Tatiana Marques (Tath)
Enviado por Tatiana Marques (Tath) em 01/09/2006
Código do texto: T230567
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Sobre a autora
Tatiana Marques (Tath)
São Gonçalo - Rio de Janeiro - Brasil, 28 anos
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