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Falando de amor

     É muito bonito falar do amor! Todo mundo adora. Acham lindo as pessoas sofrerem uns pelos outros, agüentarem a dor do sentimento, chorar por ele, e, por que não dizer, se matarem pelo dito cujo. Ninguém nunca parou pra pensar na injustiça que é cometida em tamanha assossiação. Quem trata o amor dessa forma com certeza nunca amou. Quem acha que amor é sofrimento, tristeza, dificuldades e desejos mal resolvidos só pode ser leigo do assunto.
     
     Eu já escrevi muito sobre amor, muito antes de conhecê-lo. Por várias vezes achei que um coração batendo mais rápido, um olhar que nos deixa sem graça, uma pessoa que tira nosso fôlego à primeira vista fosse uma manifestação desse sentimento tão completo e complexo que é o amor. Dizer que isso é amor pode ser poético, mágico, romântico e muitas outras coisas, mas verdade, nunca!

     Amor nasce quando cultivado, e não sem querer, numa troca de olhares. O amor pede empenho e vontade de duas pessoas. Precisa de tempo, de convívio, regado de muito carinho e compreensão. Tem seus altos e baixos? É claro, como qualquer sentimento por qualquer pessoa tem. Mas ele não aparece e muito menos vai embora por acaso. Amor faz bem pra pele, pra saúde, pra auto-estima, enfim, só faz bem! Ninguém morre de amor! Talvez morra por falta dele.

     Quem já sentiu amor dentro de si sabe do que estou falando. O amor muda nossa percepção das coisas, nos evolui. Entende-se melhor o ser humano quando se ama. Seu estado de espírito muda, a alma sorri. Ele nos torna praticamente auto-suficientes, nos torna completos. É um alicerce que não se abala, algo que só te joga pra cima, só traz alegria. É tão perfeito e bem-feito, que até quando ele tem que ir embora te explica tão bem que fica fácil aceitar. Dá uma saudade gostosa que dura até ele voltar.

     Por isso eu peço que, ao escreverem do amor, por favor, vejam bem se não estão cometendo uma injustiça. Muitos aproveitam a rima mais de mão beijada da língua portuguesa (amor - dor) para caluniar um sentimento que veio ao mundo só pra fazer o bem. Mas se realmente acreditar que amor é tudo isso, essa mistura de sofrimento, tesão e angústia que faz bem e faz mal, aguarde. Você ainda vai ver como se enganou, como eu já me enganei. E quem é que nunca se enganou?
Henrique Fogli
Enviado por Henrique Fogli em 23/06/2005
Reeditado em 09/08/2006
Código do texto: T26988
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Sobre o autor
Henrique Fogli
Santo André - São Paulo - Brasil, 35 anos
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Henrique Fogli