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Índios Krahô-Kanela: uma história de luta

     Os Krahô-Kanela tem uma extensa e árdua história em busca de seu reconhecimento como etnia indígena e pelo direito às suas terras.
     A origem desse grupo indígena encontra-se perdida no tempo. Apenas se sabe que uma família Krahô uniu-se a uma outra da etnia Kanela e juntas formaram os atuais Krahô-Kanela, que apresentam um misto de tradições e costumes desses dois povos.
     Os índios Krahô e os Kanela pertencem ao grupo dos Timbira, que falam a língua Timbira (da família lingüística Jê), e têm em comum inúmeros aspectos, dentre os quais: (1) ocupam desde tempos remotos a região central do Brasil e hoje estão presentes nos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins; (2) apresentam aldeias circulares; (3) praticam a corrida de toras de buriti, que em geral ocorre com a aldeia competindo em duas partes, chamadas de metades; (4) têm vários mitos e lendas comuns e (5) partilham inúmeros pratos e receitas típicas.
     Existem pouquíssimos registros da história dos Krahô-Kanela. Até onde se sabe eles habitavam a região de entorno da Ilha do Bananal, mais precisamente na terra conhecida como “Mata Alagada”, localizada no município de Lagoa da Confusão, sul do Estado do Tocantins.
     No ano de 1977, depois de um longo conflito com fazendeiros daquela região, eles foram expulsos dessas terras e passaram a habitar as cercanias da Ilha do Bananal. Desde que saíram de suas terras, há quase 30 anos, eles tentam retornar para aquele lugar no qual estabeleceram uma relação simbólica de afetividade e um elo histórico ancestral.
     Os fazendeiros que os expulsaram, obtiveram ilegalmente as ações de título daquelas terras com a ajuda de autoridades do extinto IDAGO (Instituto de Desenvolvimento Agrário de Goiás).
     Em 1987, os Krahô-Kanela foram conduzidos pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), para o Parque Indígena do Araguaia, no interior da Ilha do Bananal, área onde atualmente habitam os índios Karajá, Javaé e Avá-Canoeiro.
     Em junho de 1999, eles foram novamente retirados de sua morada e conduzidos pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), ao município de Araguacema, às margens do rio Araguaia, numa região ao norte da Ilha. Naquele lugar, o governo destinou-lhes uma porção de terra pobre e sem condições de subsistência.
     Em 2001, novamente foram removidos para outra localidade. Agora, dessa vez foram levados para o “Projeto de Assentamento Loroti”, localizado no município de Dueré. Ali permaneceram por cerca de 2 anos, juntamente com integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
     Os Krahô-Kanela em 1984, ainda na Ilha do Bananal, iniciaram junto à FUNAI, o processo de reconhecimento ao direito às suas terras, mas esse processo nunca foi levado a diante. Na verdade, eles até foram declarados como um grupo indígena extinto, o que dificultou muito a sua luta. Desde essa época, eles permaneceram sem apoio e reconhecimento por parte da FUNAI. Somente em 2001, eles novamente passaram a receber assistência e apoio do governo federal.
     Em novembro de 2003, eles são transferidos do “Assentamento Loroti” para a “Casa do Índio” em Gurupi, e ali permanecem até hoje.
     Até recentemente o processo de luta por suas terras esteve andando a passos de tartaruga e só a pouco tomou notoriedade pública de âmbito estadual e nacional. O desenrolar dessa história passou a caminhar mais rapidamente quando diversas instituições da comunidade civil organizada criaram o “Comitê pela Demarcação da Terra Indígena Mata Alagada”, que passou então a pressionar os órgãos públicos e a mobilizar a sociedade na busca pelos direitos desse grupo. Outro importante avanço foi o apoio que os Krahô-Kanela receberam das outras etnias do Estado, através da Organização Indígena do Tocantins (OIT).
      Atualmente eles são 114 pessoas residindo na “Casa do Índio” em Gurupi, mas, segundo estimam, existem pelo menos outras 300 pessoas que se autodenominam Krahô-Kanela e moram nos municípios de Gurupi, Cristalândia, Dueré, Lagoa da Confusão e Formoso do Araguaia.
     Todas essas pessoas têm algo em comum: querem ocupar suas terras tradicionais; desejam ser tratadas com dignidade e respeito; e almejam ser reconhecidas como etnia – direitos que estão expressos na nossa Constituição Federal.

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Publicado no Jornal Chico, edição n. 13, p. 05, de 01/05/2006. Gurupi – Estado do Tocantins.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 01/11/2006
Reeditado em 30/12/2011
Código do texto: T279250
Classificaçăo de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
Palmas - Tocantins - Brasil
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