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No Trino dos Trilhos

No trino dos trilhos da tolice,
vi-me dúplice a vaguear rente ao desespero.
Evocando os incandescentes adornos da imortalidade,
flertando com a súplice sagacidade;
Ao ser mumificado após o duplo-homicídio do ego desvairado.

Ao ser comparado com o futuro imediato,
começa a saga das antigas…
Traças trinetas que Tilintam tremuras trêmulas de traços torpes;
Saturadas à soberba do tecido padrão,
a rede que apanha os sonhos à deriva.

No oportuno caminho em direção ao nada
acumulo poderes e sabedoria que
usarei em meu mundo abstrato,
e ao ser transpassado por meu trem fantasma, vindo do passado,
sou saqueado por mim mesmo, esfacelado pelo medo.

Na fina azáfama de minha retórica
prossigo natimorto ao sucesso do meu lúdico “eu”;
Contudo, confuso e contrito caminho e convalesço.
E, ao predicado de minha lápide, honro o seu criador e desço.

Se o caos é a minha tela e se me faço a tinta óleo,
nauseado pela flor púrpura que vive a me inspirar,
espirro e segrego ao tema que me fiz pintar.
Se a clave previu os sustenidos,
bemóis e bequadros de minha irônica sinfonia,
descontento-me com o soneto que criei
cego e surdo aos sintomas da hemorragia.

Se na estação me vejo de pé a esperar,
espero o momento de no trem novamente entrar?
Entro e admiro o livre-arbítrio de um pássaro com medo de voar.
Vôo em direção de horizontes inexplorados pelo comum,
corro e tento alcançar o momento em que me tornei só mais um.

Corro, sôo e me sinto a expelir juventude.
Percebo o ar quente e insatisfeito se esvaecendo em minhas narinas.
Prolifero palavras prolixas e impopulares, impróprias a mentes medianas;
Mastigo e cuspo uma poesia eficaz a médio e longo prazo,
mas com vertigem no meio do abstrato.

Desdenho deformes doutrinas d’além desta data;
Empolo embalo em espíritos empíricos;
Fascino o facínora fulminando sua fé;
Ganho gorjetas grunhindo à grinaldas grotescas;
Hipnotizo o hominúculo oriundo de meu oráculo.
E mato sua vontade de beber água, mas,
não mato sua necessidade real, a sede.

E assim…

No trino dos trilhos da tolice,
vejo-me cético a adentrar o que jaz saturado.
Escovando as cerdas da barba humana,
rompendo com a oportunidade de ser oportuno,
sendo deíficado após o terceiro dia da ausência de ar.
Opcionalmente?
Marcelo Maia
Enviado por Marcelo Maia em 03/11/2006
Reeditado em 08/09/2011
Código do texto: T280781
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil
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