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DA LÁGRIMA

DA LÁGRIMA – ah! Parto dolorido, difícil! O partejar a alma em lágrimas é como criar uma poesia ou construir um castelo de sonhos! Não! Não há lágrima fácil, mesmo quando aparentemente ‘solta’! A lágrima é a onda do mais profundo de nós que nos chega às faces e se mostra ao mundo! Não há lágrima que não tenha sido gestada ao longo da eternidade das dores ...e até mesmo da alegria! A lágrima é o grito da alma liberta, do divino explodindo em água e sal; é o expurgo das entranhas que não conhecemos e que a anatomia não nos ensina!

O caminho da lágrima é o longo do sentir, é o extenso do tomar-se do que se sente, é a profundeza do que possuímos de humano, de divino e de eterno! É caminho de vais e vens, de angústia e incerteza, de querer e dar-se e de se nos dar ou a outrem, ou a nada!

A lágrima tem o gosto do tudo, do belo e do nada! Tem o ritmo do pas-de-deux que fazemos com a vida. Lágrima é cheiro de brisa e fúria de tornado. É símbolo do embriagamento da paixão ou do enternecimento do amor. Lágrima é fogo ou mel. Também fel ou pura bile, resto metabólico do que nem a análise mais longa ou profunda nos permite conhecer de nós!

A lágrima abre trilha de sentir em nossa pele, fá-la resfolegar no vale que abre em nossas faces e traz-nos inteiro – coração, pulmões, cérebro e mente – à superfície dos que a vêem e, mais, dos que permitimos que a saboreiem! Toma-nos lábios e inunda-nos como maré montante de sangue aquoso que nos queima célula a célula, sistema a sistema, incendeando corpo e alma de quem se pensa seu dono!

A minha lágrima, em realidade, torna-se a dona de mim no seu fluir e arremete ao mundo o meu sentir! Atinge a tudo, até quem apenas a soube!

Lágrima é força, ou melhor: sua bela expressão! Ela liberta! Sai-nos junto e nela, liquefeito, soluto do pó inicial e final que somos! Lembra-nos, aos lúcidos da finitude da vida, que nascemos, crescemos, fluímos e secamos!

Bendita seja a lágrima que me permite a mim, que me dá a mim, que me devolve a mim e me faz consciente da minha capacidade de entristecer-se, de sentir dor, de alegrar-se, de emocionar-se!

De ser poeta!

[Sexta feira, 21/04/2006 – 22:26h]



CLAUDIO BAHIA
Enviado por CLAUDIO BAHIA em 06/11/2006
Código do texto: T283342

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Sobre o autor
CLAUDIO BAHIA
Lauro de Freitas - Bahia - Brasil
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CLAUDIO BAHIA