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Diário de uma mulher livre

DIARIO DE UMA MULHER LIVRE
                   
Olá meu querido!
Como o prometido é devido, e como eu costumo cumprir as minhas promessas, aqui estou a escrever os acontecimentos do meu dia.
Depois que te foste embora, e como sempre, entrei nas catacumbas da incerteza e da dúvida.  Sou assim, que posso fazer?!
É que tu és para mim  uma espécie de manjar dos deuses,
mas como eles são maus e desconfiados, depois do doce ,dão-me, sempre algo amargo.
Tu por exemplo, és um doce muito amargo.
Enfim, eles decidiram assim, ou seria eu quem decidiu? Não sei, e isso é que me incomoda bastante. Seja como for, o certo é, que tenho de aceitar as decisões, sejam elas minhas ou deles ,tenho de viver com elas.
Depois da tempestade vem a bonança, não é assim?
Assim aconteceu!
Dormi profundamente, mas poucas horas. Acordei como de costume às 6h e 30m, meia ensonada, ainda fiquei a preguiçar durante uma hora, depois fui trabalhar.
Mas muito chateada, porque tinha comprado uma tarte de frango,e,quando fui por ela, para a levar para o meu almoço, já a Mané a tinha comido!!! Assim não vale! Porque eu não mexo em nada dela. Enfim não vale a pena dizer nada. Mas fiquei aborrecida lá isso fiquei.
Comecei mal o dia. Tive até, uma certa tendência para o acidente.
Primeiro , o carro não queria pegar. Depois tive de dar a volta por cima da relva, porque puseram um camião a impedir-me a passagem. Como a relva estava molhada e a terra fofa, o carro atascou um pouco. Por fim lá consegui sair e chegar á escola já atrasada. Como era de esperar, levei uma rocatela da chefe, mas nada de grave já se vê.
Mais tarde, quando ia a entrar no meu “parvalhão”, por artes de magia, a porta salta das dobradiças, isso mesmos literal e exactamente, sic, elevou-se no ar, e caiu com um estrondo tal, que toda gente que estava na escola, acorreu, a ver o que tinha acontecido. O vidro da dita, ficou reduzido a pedaços, ou antes pedacinhos, o maior dos quais, teria por aí 5cm. Mas não ficou por aqui, o aspirador, quando lhe peguei, partiu-se em dois, já é preciso ter azar!..
Não me terias rogado alguma praga...?
Tudo isto aconteceu, entre as 8.30h e as 14h. Hora a que estou a escrever. O resto do dia descrevê-lo hei logo á noite se lá chegar, a bem dizer, não é?
Esqueci-me de contar, que como já vem sendo costume, lá vesti o hábito de freira, para ouvir as confissões do Duarte. A penitência que lhe recomendei, foi que jogasse na lotaria ou no totoloto; pois, para a sorte ser completa, só lhe falta um filho preto, de resto tudo lhe acontece.
E pensava eu que não tinha sorte...?!  Livra!!!
Do resto do dia, por estranho que pareça, perdi o rascunho,
Mas sei que não foi nada de especial.
Até amanhã, meu amor, beijinhos, beijocas, beijufas,
Da tua LUISA DAS CATACUMBAS.




6ª feira, 14 de Abril de 2000

Boa noite meu amor...!
Hoje foi mais um dia que passou.
Um dia igual a todos os dias.  Pouco há para contar.
São nesta altura 3h. da manhã de Sábado.
Achas muito tarde?  Pois é muito cedo!
Esteve a chover, quase todo o dia.  Quando cheguei a casa a Rita veio ter comigo. Conversámos, como é nosso costume.
Falámos de ti, e da nossa atribulada relação.  Ela acha graça, e pensa que tudo se resolvia entre nós se não houvessem  tantos preconceitos, e se tivesse-mos umas mentalidades menos arcaicas. Enfim opiniões dos jovens..
Entretanto, eu fiquei terrivelmente indisposta, não sei se terá sido, por causa de um pastel de nata que comi. Fomos para a minha cama, como é costume, e eu adormeci.
Como a Rita ia para o Algarve, com a madrinha, despediu-se e foi-se embora, seriam umas 7h da tarde.
As 21.30h. telefona-me a Joana.  Disse-me que lhe apetecia sair, porque era 6ªfeira, no Sábado não se trabalhava, enfim deu-me uma boa mão cheia de razões, para irmos sair.  Resolvemos ir aos fados.
Fui ter com ela. Continuava terrivelmente mal disposta.  Ao chegar a casa dela, e depois de beber uma garrafa de água, acabei por vomitar, e lá melhorei um pouco.
Fomos para a farra. Passamos um serão agradável, naquele ambiente bom que tu conheces.  Acabou ás 2.
A Lucinda, esteve connosco, e no final como ela mora no Olival, trouxe-a, lá arranjei mais uma amiga.
Cheguei a casa, tomei banho, vim conversar um pouco contigo, através  deste meu diário, meio maluco, mas de mim nem outra coisa era de esperar. Dorme bem meu querido. Milhões de beijinhos doces e fofinhos, da tua agoniada LUISA


                Sábado, 15 de Abril de 2ooo

My love, my sweet love,

Cá  estou eu de novo.
Hoje é o 3ª dia do resto das nossas vidas e é Sábado. Ou antes, ontem foi  Sábado. E digo ontem porque são 4h. da manhã. Como vês é bem mais tarde do que ontem.  Pois é. Deitei-me eram 6h. da manhã. Grande vida! Não é?
Não. Não é. Cheguei  a casa ás 2.30.  Mas estive a falar contigo, por isso me deitei tarde. Que é que essa cabecinha tonta estava a pensar?
Acordei com o telefone, [ás 10h. era o Ribeiro. Conversei um pouco com ele. Depois foi a Joana, a dizer-me que tinha combinado com o Teixeira, encontrarmo-nos com ele no  Feira Nova de Telheiras, a fim de ele nos dar os nossos cheques.
Bem, lá fomos. Eu continuava indisposta. Afinal não foi no Feira Nova, mas sim no Continente, a Joana preferiu assim, porque estava lá a colega dos copos,(brindes)  Aqueles que ela nos mostrou, lembras-te?
Como eram horas de almoçar, comemos por lá. Viemos embora, e eu vim para casa sempre mal disposta, acabei por vomitar outra vez. Deitei-me e dormi um pouco. Melhorei.
 Eram 21h, lá estava a Joana a telefonar, a convidar-me para sairmos.
Sair? Onde?  Aos fados claro. Onde haveria de ser?
Lá fomos, e lá conquistei mais um amigo e admirador, o Vilaça.
Parece boa praça. Mas é um pinga amor... Sei lá os rapapés que me fez.
Convidou-nos para irmos ás 6ªs feiras aos fados, ao Leão das Furnas, não sabes onde é? Nem eu.! Parece que é perto do Jardim zoológico, só pode ser, se é leão...
Mas ele disse-me que telefonava na 6ª feira e iríamos com ele. Logo se verá.
Disse-me ainda, que havia de me ensinar a cantar. Bonito! Agora depois de velha, vou virar Prima Dona.
A noite acabou ás 2h.. Vê bem, a parva da Joana, queria que eu fosse levar o Vilaça a Sacavem, é maluca!
Outra coisa. Achei piada. O Vilaça ofereceu-se para sair connosco,  mas foi logo adiantando, que seriam sempre contas á moda do Porto e esta?
E bem. Viemos embora, trouxe novamente a Lucinda. E depois do meu banho, vim conversar contigo, para ver se me dá o sono. Mas tu tiras-me o sono não me dás.  Mas como tudo o que vem de ti é bom quando não é mau, só para poder escrever para ti, viva a insónia!
Por hoje é tudo, um gran............de chicoração  desta tua mal disposta e insone LUISA


Domingo, 16 de Abril de 2000

Good evening my sweetness,

Mis um dia passou. Sem te ver e sem te falar.
Hoje para mim, foi dia não. E para a Joana também.
Dormi muito pouco e esse pouco foi em sobressalto.
Sinto saudades de ti.  Sinto também como sempre muitas incertezas. Falta-me ouvir a tua voz a dizer-me que está tudo bem. Estará?
Fiz um esforço enorme, para te não telefonar.
E por via das dúvidas, tive sempre o télélé, desligado, para evitar tentações.
Foi um dia muito aborrecido. A Joana, insistiu para que fosse almoçar com ela, não me apetecia sair de casa, mas lá fui.
Ela estava também muito deprimida. Foi ás compras ao Lumiar, lá, encontrou o Agostinho,  ele perguntou-lhe se ela queria vir com ele, como ela lhe dissesse que ainda tinha qualquer coisa para comprar, foi-se embora e não esperou por ela. Daí ela ficar muito triste com a frieza dele.
Almoçámos, e resolvemos ir ao baile.
Só fui para que ela não dissesse, que não  a acompanho onde ela gosta de ir, mas fui de muito má vontade.
Dançámos um pouco. De repente vejo-a a ir em direcção ao bengaleiro, muito agitada.  Fui atrás dela. Estava com um ataque de choro, quis ir para o carro sozinha. Fiz-lhe a vontade. Porém eu também não estava bem. Fui ter com ela, e viemos embora.
Propus-lhe um passeio de carro. Apetecia-me conduzir.  Já te disse, parece-me, que a condução, para mim é um calmante.
Fomos ao Infantado, a uma lanchonete perto das piscinas.  É muito agradável.
Um dia, talvez, iremos lá os dois.
Depois do lanche, fomos dar uma volta saloia.  Ás 20h. regressámos a penates.  Vim tentar mais uma vez estragar o computador.
Depois telefonei á Joana.  Não falámos muito, porque estava lá o Agostinho. Aleluia! Aleluia!!!
Foi Sol de pouca dura. Ela telefonou-me agora, a dizer que pouco tinham conversado.  Não conseguiu falar com ele. Diz que se sente inferiorizada, e pouco à-vontade. Diz que gostaria de conversar com o Agostinho, como nós conversamos.
Mas nós, somos nós, não é my love?
Será que voltamos a conversar?
Se isso não acontecer, fica pelo menos em mim uma boa recordação.  A vida é feita de recordações não é?
Estou insegura,  em relação a ti. Mas ao mesmo tempo, sinto uma calma, uma tranquilidade, que me deixa assustada. É como se vivesse sem vida. Estranha, esta minha forma de viver...!
Agora vou tentar dormir. Amanhã é dia de trabalho.
Boa noite amor, um beijo muito grande da tua  estranha (bota estranho nela)  LUISA



2ª feira 17 de Abril de 2000


Olá meu bem,

Sobre o dia de hoje, e porque estou tremendamente nervosa, nada tenho para contar, excepto que fui às Torres de Lisboa, á Unielert, para ir buscar uma credencial, a fim de
Ir trabalhar para o Manuel Nunes. Deixei o carro estacionado, e quando cheguei, tinham-lhe dado uma pancada, que  lhe amolgou a porta de trás, do lado esquerdo, toda.
Mas enfim. Não há de- ser nada, e se for alguma coisa, que seja uma menina para não ir á tropa, muito embora as meninas agora também irem, porém não é obrigatório, como os rapazes. E mais não digo, pois nada mais tenho para dizer. Agora só falarei perante o meu advogado.
Até amanhã, um beijo da desconsolada, LUISA




3ª feira 18 de Abril de 2000

Good evening  my love,

Que bem que eu escrevo em inglês, não escrevo?
Mais um dia passou, sem eu saber de ti.
Será que ainda moras no mesmo planeta que eu?  Ou já mudaste de sítio?
Foi como sempre, um dia igual a todos os dias.
Monótono, triste, chuvoso, nem parece Primavera.
Estive a fazer promoção da Knorr  no Manuel Nunes, em Famões.
É uma acção sem brilho.  Não há clientes. Ninguém tem dinheiro para compras.
Seriam umas 11h. da manhã, quando a Joana, me telefonou.  Disse-me que te tinha telefonado, só para ouvir a tua voz.  Ela lá sabe.
Disse-me que tinhas uma voz triste, e que lhe pareceste adoentado.
Depois de sair do meu trabalho, fui á oficina com o carro, para saber quando lá o poderia pôr para arranjar. Só dia 2.
Voltei para casa, cansada, e sem vontade de ver ou falar com alguém.
Mas não me é possível, sentir um momento de desânimo, porque há sempre alguém que precisa dos meus fracos préstimos, e lá telefona a Joana, dizendo não saber carregar o telemóvel e a pedir a minha ajuda.
De má vontade lá fui.
Depois ela não quis ir para casa, pois achava que era muito cedo, apetecia-lhe ir petiscar qualquer coisa, lá fomos ao Duarte, comer umas petingas fritas, que por acaso até me souberam muito bem, mas me fizeram muito mal.
A Joana insistiu, para que te telefonasse, assim fiz.  Porém, se o arrependimento matasse, teria morrido na hora.
Mas todo o mal tem um final passa depressa.  Também assim aconteceu comigo.
Seriam 21h quando o meu telélé  tocou. Era o Aníbal, a perguntar se eu já tinha B.I. É que eu fiquei de lhe mandar fotocópia  via fax, e ainda não o fiz.
Perguntou-me onde estava, porque ele estava em Santo António dos Cavaleiros.
Disse-lhe. E mais, como ele já me tinha convidado para tomar café umas quantas vezes, desta vez convidei eu.
Foi ter connosco. Petiscou. Depois fomos para casa da Joana.
É uma pessoa agradável o Aníbal.
Conversámos até ás 2 da manhã. Falámos de muitas coisas e de muita gente, incluindo  a tua pessoa, como era de prever.  Falámos sobretudo de trabalho. Ele tem umas quantas ideias, mas não é idiota, e sem ser ilusionista, também tem umas quantas ilusões.
Não. Não me refiro a essas.
Refiro-me a ilusões filosóficas e utópicas, de como gostaria de singrar na vida.
A Joana, ficou até de lhe arranjar alguns contactos com empresas.
Penso que agradaram um ao outro.
Depois vim para casa.
Sentei-me ao computador, a escrever as memórias do dia. Bem curtas por sinal. E foi assim. Até amanhã meu querido. Um beijo da (tua?) desmemoriada, LUISA

4ª feira dia 19 de Abril de 2000
Olá, quem?  Não sei bem. Depois de uma manhã, sem graça, e compartilhada com pessoas pouco agradáveis, liguei o telefone, e tinha uma mensagem tua. Milagre!
No entanto, não percebi patavina do que dizias.
Ouvi, tornei a ouvir, devia estar completamente estúpida, porque continuei sem perceber.
Só percebi, que tinhas deixado qualquer coisa para mim com a Manela, qualquer coisa, que eu não iria gostar.
Não entendi essa, mas está bem.
Mais tarde liguei para ti, para ver se me explicavas, o que querias dizer, mas tu não te mostraste muito interessado.
Achei uma certa graça, quando ao atenderes, possivelmente sem te dares conta, disseste, cá está a nossa amiga, pareceu-me ver uma certa ironia na tua voz. Possivelmente estaria enganada. Possivelmente?
Perguntaste-me, entre outras coisas, se eu estaria feliz com a minha liberdade, e eu respondi, que a minha liberdade, era condicionada, pela minha consciência. Parece que não percebeste muito bem, o que eu teria querido dizer. Onde andam essas tão famosas antenas?  Perdeste faculdades? Tudo me leva a crer que sim.
Voltei de novo a ouvir a tua mensagem. Havia nela uma acusação de que não sei ou não percebo qualquer coisa, costumo perguntar a quem sabe, voltei a ligar para ti, para que me explicasses o que querias dizer. Porém, quando ias para atender, e possivelmente, possivelmente? Sem te dares conta mais uma vez, disseste: - cá está esta gaja outra vez!
Como não quero ser chata, desliguei, bastante chateada, por acaso.
Depois de ter falado com a Joana, sobre este assunto, ela falou contigo em resultado dessa conversa, deixei-te uma mensagem em que te peço para,
Caso possas e queiras me ligues. Veremos o que farás.
É tudo por hoje. Espero que durmas bem. Um beijo da gaja. LUISA



5ª feira 20 de abril de 2000

Olá, continuo sem saber bem o quê.
Hoje foi um dia mais ou menos bom. O dia. Porque a noite...
Depois de acabar o stok , mandaram-me para casa, pois não se justificava, estar na loja, não havendo mercadoria.
Assim, saí e fui á CGD, e depois ao CPP, fazer umas transacções, quando ia a meio caminho, telefonas tu, a dizer-me que ias a Lisboa, e a propores-me um encontro. Claro que como sempre aceitei com satisfação. Fomos a Lisboa, depois disseste-me que tinhas que ir para casa, [porque tinhas deixado arroz-doce ao lume e podia queimar-me], mas entretanto, mais tarde virias á tua lição de [violador) e passarias cá por casa e possivelmente jantarias comigo, porém não tinhas a certeza disso.  Ficaste com as certezas todas depois, e decidiste não jantar.
Assim foi. E tudo estava bem. Foste embora, dizendo que lá para o S. António, nos voltaríamos a ver, talvez. Concordei. Que mais poderia fazer, contra factos e decisões não há argumentos, não é?
Confesso, que não me agrada muito a ideia de não saber muito bem, qual é o meu papel, mas vamos vivendo e vendo, assim, como assim...
Saíste, e como eu tinha feito um esforço muito grande para me manter calma e serena, fiquei arrasada.  Deitei-me e adormeci.
Como sempre, Sol de pouca dura. Não me é permitido dormir.
O telefone toca. Ouvi, mas não me apeteceu atender.
Era a Joana.  Falou com a Manela. Ficou admirada, por eu ás 22h já estar a dormir, porque eu nunca durmo. Pediu até á Manela para ver se eu estaria bem.  No entanto a Manela, está-se nas tintas, para que eu me sinta bem ou mal, a bem dizer, como já não precisa de mim...
O Júlio, é que não sabendo das intenções dela, não percebendo que ela atendeu o telefone, ao ouvir este tocar, pensou que eu não estaria em casa, mas reparou que eu estava deitada e chamou-me. Aí, não tive outro remédio senão acordar claro.
Alguns poucos minutos mais tarde, ligas tu, aflito por causa da tua irresponsabilidade de pai, em relação ao Ricardo.
Pobre Ricardo, no meio de desmiolados como vocês, que não sabem ser gente, quanto mais pais...!
O resto da história já sabes, não preciso contar mais nada.
Só que depois de terem saído, me senti bastante mal.  Mas não morri infelizmente, ainda tenho muito que chorar e rir.
Boa noite. Luisa



6ª feira 21 de Abril de 2000
 
Depois de uma noite bastante atribulada, em que não dormi, e me senti bastante mal, em que me lembrei bastante do meu marido, mais velho, e de como ele se sentia antes de falecer, pensei até, que idiotice, se não seria ele a avisar-me do que me poderia acontecer, se eu teimasse em me relacionar contigo.
Nunca uma noite foi tão grande. E uma manhã tão comprida.  Telefonei á Joana que , nesta altura do campeonato, é a única com quem posso contar por enquanto, já se vê.!
Aos trancos e barrancos, lá consegui ir ás compras para o almoço, e lá fui almoçar com ela.
Depois dos acontecimentos de ontem, de ti não mereci nem um telefonema a dizer-me como estariam as coisas contigo!
Soube que estava tudo bem, porque telefonei ao Ricardo.  Pareceu-me calmo e sereno. Pobre Ricardo, já está habituado, coitado.
Depois de almoço, senti-me pior do que durante a noite, uma dor forte no peito e nas costas, que me provocava vómitos, e se alongava para o braço,
Fez-me pensar, se não iria ter um enfarte, a Joana assustou-se, e teve a infeliz ideia de te dizer, é burra todos os dias, podia ser só aos fins de semana, mas não é aos feriados e tudo.
Depois de ir ao Catus, e ter sido medicada, voltei para casa, e graças a Deus, fiquei boa.  Decidi então sair com a Joana, e a Regina.
De ti nem uma palavra.  Muito bem, aplaudo de pé.
E este foi mais um dia do resto da minha vida.
Espero que durmas bem, e sem cuidados.
Só te peço, tem um pouco de respeito carinho e ternura pelo Ricardo, que não pediu para nascer, nem para ser castigado ao Inferno, pois ele não tem culpa se os pais não sabem ou não querem resolver os seus próprios problemas, e não vêm que ele é ainda um menino, que se sente só, e sem saber muito bem ao certo, para onde vai. Por favor cresçam. Já vão sendo horas de deixarem de olhar só para o vosso umbigo! Neste mundo cão, mas que também é de Deus, há mais pessoas, que também têm sentimentos, respeitem-nos.  Por hoje é tudo. Estou como deves sentir, indignada. Luisa


Sábado, 22 de Abril de 2000

 Hoje é Sábado, depois de mais uma noite atribulada, consegui dormir, e durante esse pouco tempo, fui feliz.
Também, eu só sou feliz a sonhar.  Mas é preciso que esses sonhos me levem para bem longe, até á minha África, e a tudo o que de bom lá deixei, sobretudo a minha juventude.  Mas sonhos são sonhos, e a realidade, é bem mais dura e ruim.
Acordei ás 11h.  De ti, nem sinal.  Que é que eu poderia esperar?  Nada!!!
Telefonei  á Joana, é só ela quem me resta a bem dizer.  Ás 14.30h. fui arranjar o cabelo.  Até a Cristina achou que eu não estava nos meus dias.
Ao sair  de lá, tive a (grata?) surpresa de te ver.  Pouco falámos, tinhas como sempre a roupa no cloreto.
Fui até à Joana, sempre a Joana, benza-a Deus!
Decidimos, ir á nossa habitual noite de fados.  Parece que aquela tonta, resolveu enquanto eu fui á casa de banho, convidar-te a ir também.
Apareceste, e foi bom.  Sobretudo porque me consegui livrar do melga que é o Vilaça, coitado, lá se foram as suas ilusões!...
Foi uma noite morna, sem grandes acontecimentos, o maior dos quais, foi que, não sei porquê, toda a gente desafinou, a cantar, até a Rosinha e o Zé.
Ficaste connosco até ás quatro da manhã, ou seriam 5?
Eu tive que ficar em casa da Joana, porque burra que sou, esqueci-me das chaves em casa e a Manela  só vem 2ª feira á noite, esta burricoide, chegou a lamentar não te ter dado já uma chave da minha casa, assim não teria que ficar na rua. Sou parva, porque dadas as circunstâncias, ficava na rua na mesma, já que, a roupa que tinhas na lixívia, podia estragar-se, e por isso não me virias trazer a chave.
Ainda bem que não dei. Não dei nem darei, não mereces nem vale a pena.  Porquê? Ainda tens a ousadia de perguntar?  E foi assim o Sábado. Curto  e sensaborão, veremos como será o domingo.  Até  lá.  Luisa



Domingo, 23 de Abril de 2000

Hoje foi Domingo de Páscoa.  Fiquei em casa da Joana, como já era do conhecimento geral.
Acordámos cedo.  Fomos  ás compras, ela estava esperançada em que o Agostinho viria almoçar, mas como eu, e tu, calculámos não veio.  Homens...!

Fomos até ao Infantado tomar café. O Zé Luiz foi connosco.  Muito  chateadas as duas, porém ela mais do que eu. Eu ainda era suficiente ingénua, para pensar que te lembrarias de mim,  antes do dia acabar, parvoíces...!
Ainda fomos tentar abri a minha porta, mas não conseguimos.
Lembro-me que a Joana, te perguntou, se irias ficar sem dar notícias muito tempo, como tinhas feito, a semana passada, tu garantiste que não. Disseste que telefonarias.  Mas o certo é que passou todo o dia, e de ti nem um sinal, o que a ela incomoda mais do que a mim. Á noite depois do jantar, a Joana pediu-me para lhe cantar um fado, cantei mais do que um,. Fomos deitar era quase 1h. da manhã. Ela dormiu logo. Eu como sempre fiquei de plantão a fazer versos á Lua.
Ainda te mandei uma mensagem, não sei se a recebeste.  Também não estou muito preocupada com isso.  Sinto até, que os nós que me atavam a ti, estão muito mais lassos e fáceis de desatar.
São nesta altura 5h da manhã de 2ª feira, que será mais um dia que passarei, fora da minha casa.  Por hoje é tudo.  Espero que passes muito bem.  Até amanhã. Luisa


2ª feira 24 de Abril de 2000

e como eu prometi, não sei ainda porquê, nem se valerá a pena, cá estou a contar mais algumas coisas dos meus dias sem sabor, nem cor.
Acho que não tenho mais nada a dizer.
O meu diário finda aqui,
Luísa
                                                                                                                                                                                     
Maria Isabel Galveias
Enviado por Maria Isabel Galveias em 18/08/2005
Código do texto: T43375
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Sobre a autora
Maria Isabel Galveias
Portugal, 74 anos
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