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O erudito analfabeto.

Já uns vinte anos atrás brasileiros pouco liam.
Lembro que na época eram os finlandeses os mais vorazes leitores, tanto quanto os latinos europeus bebiam vinho e os nórdicos cerveja.
Um amigo, professor do Di Genio, me deu sua obra. É sobre meio ambiente. Puro pastiche. Colagens de textos de ilustres desconhecidos estranjeiros ou de alguns outros preste a despontarem pro anônimato.
Se torna evidente que todos e tudo ali citados são de ultra-radicais "verdes".
Eu sou ateu absoluto, mas em questões terrenas as hipóteses são fundamentais para a socialização humana. Neste livro só existe um absoluto postulado.
Eu me pergunto, qual ética este professor se baseia para difundir a ouvidos virgens um postulado definitivo?
Como cidadão, o meu amigo tem todo direito de editar sua obra (eu lutaria ao seu lado por esse direito), como professor,não.
Eu noto que nossos intelectuais acadêmicos são idéologos, e dos piores. Ou direita ou esquerda. Antes, me parecia, agora tenho certeza, que cada mestre só indica o que lhe é favorável a sua ideologia. Assim quem leu Jorge Amado, não leu Euclides da Cunha. O primeiro fazia parte do partidão. Cunha era da elite imperial. Quem lê Freire não lê Paulo Francis e assim vai.
Agora falando dos autores de todas as línguas do idioma português. Madame Bovary e O Primo Basílio, qual a diferença? Quem foi escrito primeiro? Posso citar outros exemplos. O que eu quero dizer é que após a época auréa do estabelecimento do nosso idioma (Boccage, Vicente, Camões, Vieira) nós NÃO criamos nada, só mudamos os nomes dos personagens e dos lugares.
Paulo Coelho é academico. Jô será em breve. Me deleito com Jô Soares, Zuenir, Sarkis, Mainard, tanto quanto Veríssimo, Maupassent, Machado, Andrade, Barreto, Jabour, Evelyn Waugham, etc. Não entendo o porquê de Saramago ter sido laureado por uma obra de cunho explícitamente idéologa. E o que ele escreve, Lutano faz melhor. Pronto, aí está; sr. Lutano. Um dos muitos que conheço. Desafio qualquer erudito, schollar, professeur, maestro ou deus que não reconheça o talento literário de nosso murado.
Mas, nós lusos de lá e de cá, incluo todo o sistema intelectual, sofremos da síndrome do olho azul. Em portugues claro: santo da casa não faz milagre.
Raferty
Enviado por Raferty em 25/08/2005
Código do texto: T45115
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Sobre o autor
Raferty
Santos - São Paulo - Brasil, 58 anos
76 textos (12893 leituras)
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Raferty