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WAGNER E NIETZSCHE – A POLÊMICA CONTINUA! – Parte 06 de 07 partes


Bem vindos ao mundo da música e da filosofia. Este ensaio compõe-se de 07 partes, publicadas semanalmente.

Para quem está chegando agora:
Contemporâneas, essas duas mentes prodigiosas estiveram intimamente associadas por algum tempo, ligadas, como não poderia deixar de ser, pelas idéias grandiosas que ambas produziam.
Ao contrário de Nietzsche, Wagner era – e se considerava - um fim em si mesmo. Não se deixava influenciar por nada que não fosse monumental, especialmente no terreno musical. Sua personalidade marcante era de tal forma carismática que Nietzsche sucumbiu a ela e deixou-se apaixonar por suas idéias, para mais tarde, delas discordar e dar início à mais longa polêmica de que se tem notícia na história do pensamento humano!

* * *

PARTE VI

No capítulo anterior, vimos como Wagner tentou vencer através da composição, já que não era exímio instrumentista.
Neste, veremos como Nietzsche desenvolveu seus principais “insights” e o que o levou a idolatrar Wagner.

Devidamente instalado em sua mansão, chegou a época em que o compositor de AS VALQUÍRIAS levou ao ápice sua soberba, e proclamou a Religião Artística, fazendo-se ainda seu sumo sacerdote no mundo.

Creio que é impossível saber – pelo menos em minhas pesquisas não encontrei uma única fonte, mesmo no idioma alemão, que esclarecesse este ponto – se Wagner assim agiu para devolver aos que o criticaram uma resposta grandiloqüente, forçando-os a ver a que nível de popularidade ele chegara, escarnecendo de todos eles, ou se pretendia proclamar aos intelectuais de plantão que foi preciso um teatrólogo para reformar a música alemã.

Se esse último foi o real motivo, então o tiro saiu pela culatra, porque um desses intelectuais era Nietzsche, que nutria um ódio biliar pelo teatro, principalmente por não reconhece-lo como uma forma de arte.

Ao perceber o que Wagner pretendia, Nietzsche rompeu imediatamente com o músico, sentindo-se traído em sua confiança pelo antigo amigo e mestre.

Mas, antes disso, Nietzsche nutrira verdadeira idolatria pelo músico. Eles se encontraram em Novembro de 1868 na casa de Hermann Brockhouse, um estudioso do Oriente que era casado com uma prima de Wagner, Ottilie. Wagner e Nietzsche comungaram o entusiasmo por Schopenhauer, e o filósofo – que na adolescência havia composto música coral e orquestral para piano – passou a admirar Wagner por seu gênio musical e sua personalidade magnética.

Wagner tinha exatamente a idade do pai de Nietzsche, e ensinara também na Universidade de Leipzig muitos anos antes. Essa adoração que Nietzsche nutria por Wagner talvez tenha suas raízes em seu passado remoto, lá na pequenina cidade de Röcken bei Lützen, localizada na zona rural, a sudoeste de Leipzig.

Alí nasceu Friedrich Wilhelm Nietzsche, aproximadamente às 10:00 de uma luminosa manhã do dia 15 de Outubro de 1844.

Antevendo seu sucesso como acadêmico, providenciou o destino que seu nascimento coincidisse com o aniversário de 49 anos do rei da Prússia, Friedrich Wilhelm IV, com cujo ilustre nome Nietzsche foi batizado. Essa homenagem ao rei rendeu ao pai do filósofo o cargo de Ministro da Igreja de Röcken.

Não é difícil estabelecer as bases das carências afetivas de Nietzsche, porque mesmo sendo o expoente que foi, ele era, antes de tudo, um ser humano.

Sua família explica em parte o prodígio que foi Nietzsche desde a infância. Seus avós eram também ministros luteranos, e seu avô paterno, Friedrich August Ludwig Nietzsche, teve grande notoriedade como professor da doutrina protestante, e foi autor de vários livros.

Mas falávamos das carências afetivas de Nietzsche. Muito antes de Freud, o filósofo já lançava as raízes do que viria um dia se desenvolver como ciência, a Psicanálise.

Esse assunto é controvertido, quer pela natureza das pregações de Nietzsche, quer por sua linha de argumentos, mas, sem dúvida, ambos continham a essência da curiosidade por conhecer a natureza última das motivações humanas e suas consequências sociais.

Começa-se a compreender suas necessidades afetivas, quando se descobre que,aos quatro anos de idade ficou órfão do pai, Karl Ludwig Nietzsche (1813-1849) morto por uma doença mental, e que apenas seis meses depois morreria também seu irmão, Joseph, de apenas dois anos. A doença mental do pai, talvez hereditária, haveria também, um dia, de pôr fim à vida produtiva do autor de ASSIM FALOU ZARATUSTRA.

Tendo vivido praticamente ao lado da igreja de Röcken, na casa reservada ao pastor e sua família, o que restou da família Nietzsche mudou-se rapidamente do local, após a morte de Karl Ludwig. Eles foram morar nas cercanias de Naumburg an der Saale, onde Nietzsche – que era chamado de "Fritz" pela família - viveu seus próximos oito anos, juntamente com sua mãe, Franziska (1826-1897), sua avó materna, Erdmuthe, as duas primas de seu pai, Auguste e Rosalie, e sua irmã caçula Therese Elisabeth Alexandra (1846-1935).

Therese veio a ser tutora do irmão filósofo em seus últimos anos de vida, quando a demência o aniquilou. Foi ela também a responsável pela guarda dos apontamentos do pai, como Ministro em Röcken.

O fato é que o relacionamento Nietzsche-Wagner – que era quase familiar, e, às vezes, tempestuoso - afetou Nietzsche profundamente.

Vinte anos mais tarde ele ainda mencionava a influência cultural que Wagner lhe deixara.

Durante os meses seguintes ao primeiro encontro com Wagner, Ritschl o recomendou fortemente para a posição de professor na Universidade de Basel. A Universidade Suíça acabou por lhe oferecer a posição, e, em Maio de 1869, ele começou a lecionar na vetusta instituição com a extraordinária idade de apenas 24 anos!

Para que possamos imaginar tal veito, é como se um aluno recém-formado numa faculdade de filosofia, assumisse a cátedra de Filosofia da USP – Universidade de São Paulo – uma das mais presitigiosas instituições de ensino do Brasil - e passasse a ministrar aulas para alunos com sua idade e ainda mais velhos que ele.

Mesmo com todo esse prestígio, Nietzsche estava irremediavelmente preso às teias da personalidade magnética e das idéias de Wagner. As razões últimas de sua dedicação ao compositor, eram o fato de que ambos comungavam da mesma visão sobre os ícones sagrados, considerando-os objetos de manipulação pelo alto clero.

Ironicamente, foi esse, exatamente, o motivo de seu rompimento com o compositor.

Muito se discute sobre qual teria sido a vertente de onde se originaram as idéias de Nietzsche e os fundamentos de sua filosofia.

Os autores alemães que se dedicam à tarefa de mapear seus “insights” convergem quase todos para o fato de que a provável fonte inicial de suas idéias, tenha sido a leitura, ainda adolescente, dos ensaios dos escritores Friedrich Hölderlin e Jean-Paul Richter, a respeito da controvertida obra de David Strauss “Exame Crítico da Vida de Cristo” (Das Leben Jesu kritisch bearbeitet) publicado, 1848.

Não é objetivo deste ensaio analisar pormenorizadamente as influências que agiram sobre Nietzsche, senão o bastante para que possamos compreender a razão de tanto ódio ao antigo amigo e quase “pai”. A respeito disso pretendo publicar outro ensaio específico, onde tratarei do nascimento das idéias dele e de Wagner.

Ainda assim, é necessário espiarmos pelo buraco da fechadura da história para - pelo menos - vislumbrarmos como se ergueu a monumental filosofia de Nietzsche.

Como estudante de Filologia e História na Universidade de Bonn, Nietzsche estudou profundamente os textos bíblicos e nutriu-se de autores de peso como Otto Jahn (1813-1869) e Friedrich Wilhelm Ritschl (1806-1876). Jahn, dentre outras coisas, foi biógrafo de Mozart, o que explica a queda natural que Nietzsche tinha pela música.

Depois, projetou-se como acadêmico, na Universidade de Leipzig, publicando seus próprios ensaios sobre Aristóteles, Theognis e Simonides.

Mas, definitivamente foi a descoberta de Arthur Schopenhauer, em 1865 que o influenciou em direção às suas idéias centrais e mais duradouras.

Ele tinha então 21 anos. Era natural que se deixasse influenciar pela visão turbulenta e atéia do mundo que Schopenhauer descrevia. Essa visão quase anarquista, capturou a imaginação de Nietzsche, e se juntarmos a tudo isso a importância que Schopenhauer dava à música, veremos porque ele foi o primeiro grande ícone da vida do filósofo.

As vidas de Wagner e Nietzsche caminhavam inexoravelmente para um encontro, porque enquanto o compositor escrevia seus ensaios sobre a nova ópera alemã, mandando às favas o que se sabia de ópera até então, o filósofo lia “História do Materialismo e Crítica Sobre o Seu Significado, de F. A . Lange, um trabalho que criticava as teorias materialistas metafísicas, do ponto de vista geral de Kant.

Então, enquanto Wagner buscava a liberdade no universo fantástico do folclore nórdico, Nietzsche interessava-se cada vez mais pela especulação metafísica, afirmando que ela nada mais era do que a expressão de uma ilusão poética.

Em sua estada na Suíça, Nietzsche tinha poucos amigos e fechou o círculo de suas amizades basicamente ao redor dos que comungavam de suas idéias, como os historiadores Franz Overbeck e Jacob Burkhardt.

Mas entre seus grandes amigos, estava Wagner a quem visitava frequentemente em Tribschen, pequena cidade perto Lucerne, onde morava o compositor.

E foi assim, que - para resumir a gênese do nascimento da filosofia de Nietzsche – seu entusiasmo por Schopenhauer, seus estudos clássicos de filologia, sua inspiração vinda de Wagner, suas leituras de Lange, e sua frustração a respeito da cultura germânica contemporânea, cristalizaram-se em seu livro O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA (1872) – publicado quando ele tinha apenas 28 anos.

Wagner demonstrou prazer pela leitura do livro, mas ficou com uma pontinha de ciúmes do sucesso do jovem e promissor filólogo.

Mas isso já outra história a ser contada no próximo capítulo.

Até lá!


* * *

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JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 27/08/2005
Reeditado em 16/01/2011
Código do texto: T45525
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