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Moldura de Democracia

"...Em um dado momento, alguém se lembrou de um tipo de governo que havia existido em um pequeno país, criador de uma civilização, onde a cultura era difundida e o povo tinha suas tradições, a democracia. Imediatamente, esse alguém pensou nas possibilidades que ela abriria se fosse implantada em países com elites cultas e massas incultas. O povo acreditou que estava elegendo seus representantes. E, assim, o Poder, ao invés de ter que contentar milhões, teve unicamente de enriquecer, dar empregos e acanalhar os representantes desses milhões, algumas centenas de cidadãos que passaram a integrar um novo Poder. Assim nasceram os políticos, prometendo uma vida maravilhosa para os que nele votassem..." - Niéde Guidon, arqueóloga. -

Moldura de Democracia
Plínio Sgarbi

A Democracia é o sistema (regime) de organização social que não tem poder de evolução, ela tanto pode ajudar a prosperar ou arruinar uma nação.
O que se procura na Democracia é que as pessoas vivam num ambiente de maneira democrática, gerando assim, soluções ao aperfeiçoamento dos aparelhos, instrumentos e recursos a aplicação ao bem estar do cidadão.
Nas sociedades ocidentais democráticas, um povo sábio e bem informado usa a Democracia como ferramenta para gerar riqueza, bem-estar e prosperidade para o país, resgatando-o de modelagens inseridas por oportunistas aproveitadores. E um povo ingênuo e mal informado constitui solo fértil ao trabalho de demagogos destruidores da consciência coletiva e gregária das nações.
Em uma sociedade confusa de sua identidade democrática e mal governada, geram fatores nas formas de aplicações dos procedimentos e métodos que descaracterizam todo o conteúdo democrático, causando efeitos danosos, corrupção e violência.
Pode-se dizer que nessas sociedades, o procedimento torna-se mais importante que o valor. O conteúdo estabelece menos importante do que a forma, o que se aposta é na forma e não ao conteúdo, o fundamental seria tendo o conteúdo com o valor de justiça.
As sociedades ocidentais democráticas menos desenvolvidas carecem de instituições que podem oferecer oportunidades de análises e reflexões capazes de resistir às investidas dessas inversões de valores e formações de espetáculos vazios, sem o mínimo de conteúdo social.
Sendo assim, o povo sobrevive numa sociedade rachada, que tem divisões profundas em que se tentam resolver essas divisões numa forma mascarada nos meios, social e político. Os valores são menos importante nos jogos político-sociais, os valores diminuem nessa forma democrática, assim, estabelece que todos os homens valem-se iguais. Certamente que os homens não valem-se iguais. São diferentes entre si, mas no conceito deturpado de forma política democrática, todos os homens, o inteligente ou o menos inteligente, o letrado, o analfabeto, rico ou pobre, todos tem o mesmo peso na questão ao voto.
É por meio de esquemas políticos pseudos-democráticos que se determina a forma pela qual os ideais positivos são aplicados nos traços de cultura, educação, segurança, trabalho, seguridade, bem-estar - ou seja, os procedimentos que influenciam nas formas em que são aplicados na consciência da nação, acabando por gerar graves distorções e inversões de valores.
A Democracia não devia ser um meio e sim, um fim em que os indivíduos vivessem numa sociedade democrática de fato, respeitando verdadeiramente como iguais e livres.
Caberia a forma gerar verdadeiros valores sociais, cultivando o equilíbrio e responsabilidade das ações, constituindo a sociedade organizada, preparada, instruída e mais eficiente para aplicações desses valores, estimulando autocorreções que ajudariam a acelerar o desenvolvimento de uma nação e que aperfeiçoariam o conteúdo democrático.
E assim sendo, aí sim que chegaria a prática do exercício do valor da igualdade, em que todas as diferenças sociais naturais cederiam a favor de uma igualdade política de decisão. E, por outro lado, o valor da liberdade, que significaria que as formas democráticas não poderiam abolir o conteúdo democrático, e a questão que se coloca nesses dois valores é se a maioria do povo pode, através de ações e atitudes, transformar esses valores para o seu bem comum e não somente ao exercício do direito ou na obrigação de votar.
Em síntese, o homem livre não pode estar preso a uma escolha, e sim, tem a liberdade de escolher. O Estado democrático não pode exercer no individuo a obrigatoriedade que se execute o seu direito a escolher.
Na verdade, nessas sociedades, estão ou continuam num período muito confuso de se viver e aí, os indivíduos políticos, representantes do povo, oriundos dessa escolha, acham que são livres para fazer o que quiser. Nota-se que as palavras mais desprezíveis entre a classe política é autoritarismo e autoridade. Não se devia confundir autoritarismo com autoridade, portanto, a sociedade deveria ter autoridade e prática de normas muito impositivas, em que, exigisse da classe política o comportamento ético adequado, onde se limitaria a liberdade de fazer o que bem se entende com os bens e recursos públicos. Quando se acentua a liberdade ao máximo, perde-se o comportamento ético. A forma democrática mais grave que existe é a consciência errada da liberdade absoluta, cultivando ações muito perigosas da liberdade sem limites, gerando crimes e lesando de maneira mais danosa o conteúdo democrático.
Certos pensamentos estão superando a ética e valores. Estabelecendo normas rígidas, muito impositivas e justas, naturalmente se criaria uma personalidade organizada e a sociedade chegaria a exercer o valor da transgressão, derrubando os velhos conceitos, pensamentos e normas inadequadas. Na transgressão, a sociedade abolia certos pensamentos e condutas que estão superados, jogaria fora tudo o que está segmentado, esclerosado, mofado e transgredia, transformando ou criando novos pensamentos na pratica de ações e atitudes, estabelecendo assim, uma nova ética a exercer na forma democrática em beneficio de condutas que seriam transgressivas no presente mas que seriam éticas em curto tempo, atingindo assim um melhor bem estar ao conteúdo democrático.
Não há nada melhor em uma sociedade do que o conceito democrático, porém, a Democracia é muito mais do que administrar conflitos de interesses diversos.
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 02/10/2005
Reeditado em 15/03/2009
Código do texto: T55852
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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5 e-livros (510 leituras)
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Plínio Sgarbi