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Falsa Liberdade

Durante muito tempo, pensei que era livre, iludido pelo tão falado direito de ir e vir, liberdade de expressão, e outras tantas falácias que nos vendem pelos meios de comunicação, pensei que era livre por poder fazer o que eu queria, porém sempre tive limitações impostas pelo baixo poder aquisitivo, que ainda assim era maior do que o da maioria. No Colégio me diziam que deveria estudar e conquistar minhas oportunidades, que deveria sempre lutar por algo melhor, porém também me ensinaram a respeitar e obedecer aos professores, nada mais justo e certo. Mas respeito é algo que se conquista, e nunca, em hipótese alguma, deve ser imposto, simplesmente por uma posição ocupada. Foi assim então que comecei a descobrir o quanto eu estava enganado, afinal na escola como na vida, existem regras a serem compridas, a sociedade precisa dessas regras para continuar existindo, e não é esse o verdadeiro motivo da minha descoberta, o fato é que mesmo que não se infrinja as regras, aqueles que estão em posições superiores, que não necessariamente estão tão afastados da nossa, sempre tentaram impor sua força e nos colocar em nosso devido lugar, seguindo a estrada traçada por eles. No colégio nos ensinam a ser cidadãos, e se adequar à sociedade, nos dá o que é preciso para entrar num mercado de trabalho, ou seja, é uma fabrica como todas as outras, seu sistema de produção em massa, exige a alienação de mão de obra, assim cada professor, conhece a sua matéria, e muito deles são completamente ignorante diante das outras. O que essa fábrica produz? A resposta é lógica; Analfabetos funcionais, escravo qualificado para atividades especifica, seres pensantes, como computadores, respondendo da melhor maneira possível a suas configurações pré-estabelecidas.
 Se isso esta errado, eu não sei, mas sei que isso não se enquadra no meu conceito de liberdade. Quando comecei a trabalhar, me disseram que o trabalho dignifica o homem, e aos poucos fui perdendo minha dignidade, me vendendo mais barato, procurando conseguir meios de crescer, e reunir recursos para conseguir um salário mais digno. Hoje minha mão de obra é bem superior à de quando comecei, meu salário é melhor, não muito maior do que os anteriores. Cumpro horário e não tenho muito tempo para fazer minhas coisas, faço horas extras para conseguir adquiri bens que não usufruo, devido ao tempo que paço no trabalho, adaptei meu tempo a essas condições. Disseram-me para ao invés de reclamar, fazer um curso técnico, aumentar minha qualificação, e assim ter condições de lutar por meus sonhos, assim como os escravos que sabiam ler, e por isso, serviam na casa grande e não na lavoura. E quando aplico o conhecimento adquirido, me provam, ou tentam me provar que estou errado através da força, sou livre para ter  escolhas, dês que as faça no catalogo que os novos senhores escravistas vêm escrevendo a mais de um século. Nos dão a ilusão de termos escolhas, e assim nos cativam sem muito esforço, não têm gastos com senzalas, alimentações ou vestimentas, os uniformes são vendidos, ao sair da firma os devolvemos, ou pagamos um preço maior do que o do mercado por não o fazer. Dão uma gratificação quando nos dão a carta de alforria, e nos tratam como escravos fujões quando tentamos sair contra a vontade deles, e buscamos melhorias.
O mercado oferta mãos de obras, e nós, visando o mercado procuramos seguir o curso do rio mais largo, com a certeza de que iremos parar no mar. Muitas vezes vamos parar em barragens que nos prendem, e desviam-nos do nosso objetivo, acabamos numa caixa d’água, e vamos parar numa torneira ou numa privada, e depois de sujos ou modificados vamos para o mar. O mercado  vem definindo à sociedade, ditando o que devemos fazer, o que devemos consumir, em fim o que devemos escolher, lutar contra isso é suicídio, assim como os que tentavam fugir das fazendas, e eram caçados e mortos, torturados, colocados de volta aonde nasceram para ficar. O mercado se tornou maior que a sociedade, é ele que determina suas escolhas e leis, nos diz o que é certo ou errado, quem deve ser prezo, quem pode cometer crimes e abusos e quem é intocável. Determinou que a filosofia dos grandes pensadores não se aplica na vida real, sendo ele mesmo uma filosofia, que se tornou prática. Como um sistema biológico, é vivo, criou inteligência, e se alimenta da sociedade, como a igreja romana, criou seus demônios temidos por seus seguidores fanáticos, e como a mesma, produziu uma derivação mais radical que não aceita ecumenismo, que julga, condena, e acumula riquezas sobre seus seguidores, distribuindo um mínimo necessário para o controle da massa. Esses protestantes do mercado antigo, crescem, reúnem novos ministérios menores, que acumulam riquezas para seus bispos ocultos. Criou ídolos, marcas poderosas, que lhe dizem exatamente como se comprar e como se vender, como se perder.  E essa é a nova escravidão, não diferente da antiga, somente mais ampla, a casa grande responde por escritórios, e as fazendas se espalham pelo mundo, os senhores enviam seus filhos para os governos, e compram aqueles que não têm seu sangue, nada mudou, somente não mais podemos dá o nome de Republica Café com Leite, afinal os campos dão mais frutos, e a variação aumentou, porém você nem mais sabe o porquê quando sente sede, não mais ter vontade de beber água. Sua mente sempre pensa: Beba C... C...
Agora eles lhe dizem que precisam de Reforma política, e querem a estatização das campanhas políticas, você deveria pagar a campanha dos filhos deles. Quando na verdade, o que se precisa é uma reforma na base da pirâmide, assim a reforma deve ser social, o primeiro passo deveria ser, o de devolver os estato de criatura ao mercado, invés de criador, a sociedade deve tomar em mão a criação do mercado, afinal as necessidades sociais são diferentes da do mercado, e a medida que o Mercado cresce, a sociedade sucumbe. O desejo de liberdade é eminente ao homem, a mente tenta se libertar a cada instante da realidade fabricada, o espírito eleva o criador da vontade acima da vontade, e o torna individuo, a matrix, a caverna não mais consegue convencer o homem, lhe dizem que deve pensar, e não ouvir mais ninguém, que a escolha é sua, e que a única saída é aquela com o letreiro luminoso piscando. Assim os pensamentos não evoluem, todos querem pensar e não concordar com o que o outro pensa, e desta forma o que o mercado já pensou se torna cada vez mais verdadeiro.
Não sou o único a perceber que somo escravo do mercado, e que essa liberdade defendida com tanta garra, na verdade não existe, mas todos os que já perceberam a realidade por trás das mágicas palavras do discurso adotado pelos senhores escravistas, pensam pensar, e fazem exatamente o que estes querem. Se dividindo e se achando melhor que os demais, criando a falta de unidade precisa para a mudança aspirada. Todos os pensamentos devem ser expostos, debatidos e adequados, pequenos passos devem começar a serem dados. A jornada é longa, e somente estaremos dando impulsos para nossos descendentes, o desafio esta lançado, e não por mim, mas sim por você que de certa forma já percebeu o mesmo que eu. Leia os pensamentos de todos, crie o seu próprio, faça a sua parte, compartilhe os seus ideais sociais, aproveite as boas idéias das pessoas que começaram junto com você a mudar o mundo para o mais próximo do ideal de liberdade. Não tente dividir e sim somar, acrescentar algo, e não as diminuas. Pense num bem geral maior que você mesmo, ao invés da mesquinhez de pensar em si próprio. Se a sociedade evoluir, todos iremos colher seus frutos saboreando, assim como colhemos os frutos amargo de hoje.
Chico ceia
Enviado por Chico ceia em 20/09/2007
Código do texto: T660077

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Sobre o autor
Chico ceia
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
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Chico ceia